Gareca falhou muito, foi inseguro e prepotente na parte futebolística; entendo a demissão do treinador

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De Vitor Birner

Há exatos 10 dias,  Gareca deu entrevista à ‘hermana’ Rádio América e afirmou que estava espantado por não ter sido mandado embora do Palmeiras até aquele momento.

Também falou que desconhecia seu limite para permanecer no cargo, pois nunca perdera tantos jogos, e cogitou a possibilidade de encerrar a passagem pelo clube caso seus comandados fossem derrotados pelo Coritiba.

As declarações sinceras e diretas mostraram o comandante perdido e inseguro.

Deu a impressão de estar dividido entre o desejo de ir embora e o compromisso assumido com o gigante no ano do centenário.

As constantes mudanças de escalações, algumas desprovidas de lógica e com cara de ato desesperado ao invés de escolha embasada em alguma conclusão técnica ou tática, também foram consequência de um treinador engolido pela crise tão grande quanto o clube por ela atingido, e desnorteado.

O discurso de Gareca depois da derrota para o Internacional provou isso mais uma vez.

O argentino queria o Palmeiras jogando de igual para igual com os adversários e refutou qualquer possibilidade de o time atuar mais fechado, priorizando a parte defensiva, e apostando em contra-ataques e lances de bola parada.

O sonho bonito, à altura do manto sagrado palestrino, precisa de jogadores capazes de realizá-lo.

Gareca não os tinha no elenco.

Talvez, com Valdívia inspirado, interessado e em forma, poderia se aproximar da utopia, não atingi-la.

No meio da crise, quando o time sofre um gol os boleiros sentem o peso de todos fracassos anteriores e fica difícil lidarem com a situação.

Ela aumentou a quantidade de erros individuais de quem faz parte do elenco que figura entre os 10 piores do Brasileirão.

A realidade é clara:

O Palmeiras não evoluiu quase nada de jogo para jogo e quando conseguiu dar um ou dois passos adiante, rapidamente fez o mesmo para trás.

A chance de clube centenário jogar o futebol que condiz com o potencial dos seus atletas, ainda nesse ano, era muito pequena com Gareca no cargo.

Não dava o menor sinal que conseguiria isso.

Estava na direção errada, com filosofia de jogo prepotente diante da realidade do grupo de jogadores, e afundando em cada rodada.

E perdendo o controle dos jogadores, como ficou nítido na entrevista de Lúcio em que ele reclamou dos companheiros que, de acordo com o zagueiro, não se esforçavam.

O zagueiro, correto na observação, escolheu o lugar errado (a entrevista coletiva) para se manifestar.

Tinha que fazê-lo no vestiário com as portas fechadas, olhando na cara de Leandro e dos outros acomodados.

Vale recordar que a direção montou o elenco tarde, no meio do Brasileirão, e deveria fazê-lo ao longo do estadual.

Também é fato que atendeu alguns pedidos de contratações do comandante, entre elas algumas medianas ou piores que isso, e nada mudou entre as quatro linhas.

Gareca permaneceu no cargo durante três meses e nove dias.

O tempo para se adaptar foi pequeno.

Mas o comandante não justificou a confiança  dos dirigentes e principalmente da nação palmeirense no trabalho dele.

Não fez por mal, pois parece um profissional sério, dedicado, honesto…

Apenas se perdeu completamente na distância entre o que imaginava e realidade que encontrou.

O Palmeiras conta com elenco capaz de não ser rebaixado.

Vamos ver o que o novo treinador fará com os atuais jogadores.

Apenas a título de comparação, o trabalho de Kleina foi melhor que o de Gareca.

Lembrança

O Real Madrid cheio de estrelas e jogadores de alto nível jogou fechado contra o Bayern de Munique na semifinal da última Uefa Champions League.

Até no Santiago Bernabeu entregou a bola para os bávaros e priorizou a marcação.

Os grandes técnicos tiram o  melhor de seus elencos e preparam os times de acordo com as características dos adversários.