É preciso repensar a questão das torcidas organizadas

Leia o post original por Pedro Ernesto

Deve-se estabelecer diferenças entre opiniões e fatos. Dos fatos, a comprovação direta de que houve na Arena atos de racismo que devem ser duramente condenados. Mas não passa disso. O clube, de posse das imagens, denunciou os faltosos. Que mais poderá fazer uma instituição? Como pode uma direção dar conta e se responsabilizar pelo comportamento de 30 ou 40 mil pessoas? Qual dirigente mandou gritar “macaco” para o goleiro Aranha do Santos? Quem, com responsabilidade, dentro do Grêmio é racista? Li matérias afirmando que o clube é racista. Um absurdo. Racista de onde? Incentivados, oficialmente, por quem?

Estes exageros não podem transcorrer com liberdade. O Grêmio, assim como os clubes brasileiros, são sociedade que congregam milhões de pessoas, onde existe de tudo. O clube só poderá ser punido por algum desatino se der guarida a ele, se facilitar acontecimentos reprováveis. Convenhamos, não foi o caso. Não defendo racistas, não defendo torcidas organizadas. Neste caso, está tudo tão claro que entendo que nada acontecerá ao clube e sim aos racistas flagrados por câmeras do estádio ou das televisões.

 

Jorge Henrique

Abel Braga insiste com este jogador e, quase sempre, a resposta não é positiva. Mas, no sábado, o jogador extrapolou, esmerilhou. Jogou uma partida formidável, com técnica, movimentação. Parece que ter voltado ao Pacaembu lhe fez bem. Foi ali, num ataque formado por ele, Ronaldo Fenômeno e Dentinho, que Jorge Henrique viveu seus melhores momentos profissionais. Voltando a sua origem, ele se soltou e foi o grande personagem de uma vitória importante do Inter. Não importa que esta vitória tenha sido facilitada pelo futebol medíocre do Palmeiras que caminha para o rebaixamento. Foi a vitória que veio depois de duas derrotas consecutivas na competição. Desta vez Abel tentou Jorge Henrique e ele correspondeu. Fez até o gol da vitória colorada.

 

Vitória na Arena

Era tudo que o Grêmio precisava. Nem era necessário jogar bem, como não jogou. Ainda não existe um padrão de jogo, uma forma definida de atuar. O Grêmio é só voluntariedade. E com isso consegue ganhar do Bahia, mas perde para o Inter, para o Santos, etc.

Precisa mais. Faltam jogadores de qualidade. Falta a definição de um time. Mas valeu a vitória. São três pontos para compensar as derrotas. Pouco para o que pensa o torcedor do Grêmio, mas é o que existe para o momento.

 

Demmmmaaaaiiisss!

Neste Brasileirão quem está com toda a bola é o Cruzeiro. Aliás, já foi assim no ano passado. Parece tão melhor do que os outros, ganha com toda naturalidade, marca muito mais gols do que os outros, tem os principais goleadores do campeonato. Recém vai terminar o primeiro turno, mas dificilmente este quadro vai mudar. O Cruzeiro se encaminha para mais um título brasileiro. Ou será que algum time crescerá tanto de produção a ponto de ameaçar esta liderança tranquila que o time mineiro dispõe?

 

 

De menos

O vice presidente Nestor Hein tem razão quando afirma que não vai dar nada, mas o estrago já está feito. O Grêmio vai custar para desmanchar uma imagem que foi criada irresponsavelmente por muita gente, inclusive da imprensa. Entendo que não haverá eliminação da Copa do Brasil e sai o jogo de quarta feira na Vila Belmiro. O jurídico gremista vai cassar esta liminar. Será necessário um amplo trabalho de reconstituição de uma imagem que está arranhada pelos exageros. Puna-se os faltosos. O episódio vai servir, igualmente, para que se repense na questão das torcidas organizadas, notadamente esta Geral. É dela que saem os acontecimentos lamentáveis na Arena do Grêmio.