Brasil de Dunga foi ofensivo e melhor que a Colômbia; achei interessante a forma como jogou na reestreia do treinador

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Brasil 1×0 Colômbia

A Colômbia tinha obrigação de mostrar trabalho coletivo superior ao do Brasil.

Mas não conseguiu.

A seleção de Dunga deu alguns espaços no meio de campo, mas se apresentou de maneira convincente se levarmos em conta que pouco treinou.

Foi agressiva na marcação da saída de jogo e ofensiva com a bola.

Traduzindo, ousada dentro do possível.

Neymar, o destaque do jogo, marcou o bonito gol na cobrança da falta que David Ganter errou ao marcar.

A arbitragem foi fraca ao longo dos 9o minutos, não apenas no lance do gol.

Ele também permitiu que o jogo ficasse violento.

Na maioria dos confrontos importantes e decisivos de campeonatos oficiais a gente não vê tantas pancadas e alguns lances desleais como os da vitória brasileira.

O amistoso só teve cara de amistoso porque ambos os treinadores fizeram a meia dúzia de substituições permitidas.

Também houve um gol mal anulado do Brasil. 

De qualquer forma, a seleção brasileira criou muito mais chances que o adversário.

Não é possível afirmar nada sobre o futuro depois de apenas um jogo, mas a apresentação contra os colombianos foi interessante.

Brasil agressivo

Dunga foi ousado para quem mal começou a trabalho com este grupo de jogadores.

Escalou o Brasil ofensivo no 4-3-3 com flutuação para o 4-4-2, ou o contrário se você preferir, de acordo com as necessidades do jogo.

O ataque formado por Neymar, Diego Tardelli e Oscar, o quarto homem do meio quando necessário,  se movimentou de maneira interessante quando a seleção atacou.

Apesar do atleta do Barcelona atuar na maior parte do tempo na esquerda, o do Chelsea na direita e o do Galo centralizado, a seleção não teve, de fato, um centroavante.

Trocaram de posição diversas vezes e confundiram os colombianos.

O meio-campo contou com William na direita e Ramires na esquerda, que atuaram como meias no sistema ofensivo e volantes no defensivo, além de Luis Gustavo, que jogou um pouco atrás da dupla, perto dos zagueiros Miranda e David Luiz, e não avançou. .

Os laterais Maicon e Felipe Luís, um dos injustiçados por Felipão, apoiaram sempre que possível.

A proposta de jogo agressiva, no melhor sentido da palavra dentro do contexto futebolístico, ficou clara também na hora de o Brasil marcar.

Oscar, Neymar e Tardelli pressionaram a saída de jogo e dificultaram a transição de bola da Colômbia.

Ficou devendo  

O time de Jose Pekerman está formado, entrosado, e deveria ter vantagem tática contra o Brasil.

Mas quando o fraco árbitro começou o confronto, a superioridade coletiva não apareceu.

O 4-4-2 colombiano ficou esburacado.

James Rodriguez, na meia esquerda, permaneceu distante do atacante Martínez e do centroavante Gutiérrez.

Cuadrado se desdobrou para fazer as funções de meia na direita e de volante ao lado de Ramírez e Sanchéz.

Os laterais Zuniga e Armero precisavam avançar para a filosofia de jogo de Pekerman funcionar, mas quando fizeram isso o time sofreu com os contragolpes.

A Colômbia falhou na transição de bola, perdeu a disputa do meio de campo apesar de haver espaço lá, pouco ameaçou nos contra-ataque e apesar de atacar menos que o Brasil, correu mais riscos nos contragolpes.

Até na hora da recomposição do sistema defensivo foi mal.

James e Martínez precisavam recuar para o meio de campo marcar com 5 jogadores e houve momentos em que demoraram.

A Colômbia não terminou o 1° tempo perdendo porque o auxiliar deu impedimento, que não houve, de Neymar no gol invalidado de Diego Tardelli, e os brasileiros, além de pecarem na hora das assistências, perderam chances de balançar as redes.

Oscar desperdiçou a melhor delas.

Os colombianos levaram algum perigo em chutes de longa distância.

Mudanças na volta do intervalo

Pekerman colocou Arias na lateral, deslocou Zuniga para a função do volante e tirou Ramírez.

Dunga trocou Luis Gustavo e Ramires, amarelados, por Fernandinho e Elias.

Complicado

Os primeiros 45 minutos haviam sido intensos.

Ambos os times bateram.

Os colombianos, por causa do andamento desfavorável do confronto, espaços entre si e velocidade do Brasil, ultrapassaram os limites algumas vezes e foram violentos.

O árbitro canadense David Gantar, apesar de ter mostrado cinco amarelos, foi complacente em alguns lances.

Na a expulsão de Cuadrado, no terceiro minuto, agiu de outra forma.

O empurrão proposital em Neymar até justifica o cartão amarelo, Cuadrado estava pendurado,  e consequentemente o vermelho.

Mas não no critério adotado pelo árbitro.

É só ver o vermelho que não mostrou, após a entrada violenta, perigosa, de Teo Gutiérrez aos 10 minutos.

A verdade é que os jogadores testaram os limites do árbitro e ele, perdido, nunca os definiu.

Mais substituições

O Brasil mandou na segunda parte do jogo.

Entrou na área da Colômbia algumas vezes, levou perigo e continuou falhando nas finalizações.

Aos 19, Gutiérrez deu lugar ao Bacca, ambos são centroavantes, e o atacante Jackson Martínez saiu para o volante Guarín entrar.

As alterações mostraram a intenção do treinador de posicionar o time no campo de defesa, reforçar a proteção aos laterais e zagueiros e, quem sabe, aumentar a liberdade para   James Rodríguez se aproximar da área do Brasil.

Dunga, aos 26, trocou Oscar e Willian por Phillippe Coutinho e Éverton Ribeiro.

No mesmo momento, Zuniga deu lugar ao Mejia.

O Brasil passou atuar mais tempo no 4-4-2 depois dessas alterações.

Neymar e Diego Tardelli permaneceram na frente.

Éverton Ribeiro, na direita, e Philippe Coutinho, na esquerda, ajudaram os volantes na marcação e tiveram papéis diferentes no sistema ofensivo.

O cruzeirense se posicionou na meia ou como em atacante na direita, o lado vazio do ataque, quando Maicon avançou.

O boleiro do Liverpool foi, de fato, um meia.

Aos 31, Tardelli e James Rodríguez foram substituídos por Robinho e Falcao Garcia.

A Colômbia definitivamente optou por viver dos lançamentos longos para seus dois perigosos atacantes.

Robinho, tal qual Tardelli, foi o falso centroavante do 4-4-2.

Aos 34, Marquinhos ocupou o lugar de David Luiz.

Erro e acerto

Neymar, em bonita cobrança de falta, fez o gol brasileiro.

Não havia como Ospina, um dos destaques da partida, defender.

Mas a infração não deveria ser marcada pelo árbitro.

Foi lance claríssimo de bola na mão e não o contrário tal qual David Gantar interpretou.

Ficha do jogo

Brasil – Jefferson; Maicon, Miranda, David Luiz (Marquinhos) e Filipe Luís; Luiz Gustavo (Fernandinho), Ramires (Elias) e William (Philippe Coutinho); Oscar (Éverton Ribeiro), Neymar e Diego Tardelli (Robinho)

Técnico: Dunga

Colômbia – Ospina; Zúñiga (Mejía), Zapata, Valdés e Armero; Ramírez (Arias), Sanchez (Ramos), Cuadrado e Rodríguez (Falcao); Martínez (Guarín) e Gutiérrez (Bacca)
Técnico: Jose Pekerman

Árbitro: David Gantar (CAN)
Auxiliares: Daniel Bellau (EUA) e Philippe Brier (CAN)
Público: 73.429 pagantes