Depois de um ano, Muricy diz que craques e ambiente fazem grande time

Leia o post original por blogdoboleiro

“Acho que naquele momento não tinha outro treinador que pudesse fazer isso. Não porque me ache melhor, mas porque eu conheço o São Paulo”. A frase é do técnico Muricy Ramalho que, nesta terça-feira, completa um ano do retorno ao clube. Ele foi contratado com a missão de tirar o time do risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. “Foi a primeira vez em que tive que fazer este tipo de coisa”, lembrou.

Quando chegou no Morumbi, encontrou um grupo desunido e uma equipe em crise. Além da missão de evitar o rebaixamento, Muricy precisou pensar na reformulação do grupo de atletas. Já em 2014, o técnico conseguiu montar um plantel que considera melhor qualificado e que vive um bom ambiente.

Em 2013, Muricy dirigiu o time em 25 jogos. Venceu 12, empatou cinco e perdeu oito vezes. Já na atual temporada, foram 44 partidas, com 23 vitórias, 11 empates e 10 derrotas. O São Paulo é vice-líder do Campeonato Brasileiro com 36 pontos, sete  a menos do que o Cruzeiro. Está na briga pelo título de campeão.

De quebra, começa a ganhar fama de time que joga futebol bonito e eficiente com muita marcação. O quarteto formado por Kaká, Paulo Henrique Ganso, Alexandre Pato e Alan Kardec vem melhorando e chamando a atenção pela qualidade que levou o time a vitórias contra o Internacional (1 x 0) em Porto Alegre e Sport (2 a 0).

Mas, segundo Muricy Ramalho, esta história só terá final feliz se a equipe ganhar.

Blog do Boleiro – Muricy, você acha que tem uma equipe daquelas que serão lembradas no futuro?
Muricy Ramalho –
Ainda é cedo, precisa jogar mais, ganhar mais. Mas já mostra alguma coisa boa. Quando reformulamos o elenco, tivemos a preocupação de ver o lado técnico, mas também o caráter do jogador. Melhoramos muito. Temos um grupo aplicado e disciplinado. Mas se vai ser um time memorável, vai depender se vai ser campeão.

E é uma experiência de curta duração.
Pois é. Vai ter gente saindo no final do ano (Kaká). O Rogério (Ceni) diz que vai parar. O clube vai precisar negociar algum atleta para fazer caixa. Então era bom que este grupo conquiste alguma coisa ainda este ano.

Por que você aceitou dirigir o São Paulo naquela crise de 2013?
Eu não podia falar não. O São Paulo foi o clube que me abriu as portas desde que eu tinha nove anos de idade. E depois eu vinha acompanhando a torcida pedindo meu nome depois dos jogos. Isso pesou. Mas foi um grande risco para a minha história aqui no clube. Mas acho que naquela hora não tinha outra pessoa para fazer isso. Não porque me ache melhor, mas é que eu conheço o clube por dentro.

Você disse muito no ano passado que o ambiente não era dos melhores.
O grupo era muito bom, mas tinham atletas que não estavam comprometidos com o clube. Essa falta de comprometimento era péssimo.

A reformulação passou por este problema?
A situação do São Paulo era muito ruim. Na parte financeira, seria o maior desastre da história do clube. Tivemos muito trabalho para livrar o time do rebaixamento. Além disse, começamos um trabalho de reformulação e isso machuca porque sou parceiro de jogador. Muito chato ter que tirar o atleta do grupo. Agora melhorou.

A personalidade do jogador pesou na contratação de reforços?
Esse ano, ao contratarmos, escolhemos a dedo. Além da parte técnica, pesou o caráter do jogador. Grandes times têm grandes craques e um ótimo ambiente. O que havia aqui no ano passado era péssimo, com jogadores sem comprometimento com o clube.