Quando um milagre ainda é pouco

Leia o post original por Luiz Nascimento

São mínimas as chances de permanência na Série B. Com apenas três vitórias em 21 jogos – ou 17 pontos em 63 disputados – a Lusa está a sete pontos do primeiro clube fora da zona de rebaixamento. Uma média da pontuação necessária para não cair nas últimas quatro temporadas aponta para a salvação aos 45 pontos. Portanto, a Portuguesa precisa vencer em nove rodadas – menos ou mais, dependendo da quantidade de empates. Trocando em miúdos: um aproveitamento superior a 55%, coisa de clube que luta para subir à Série A.

Os problemas que fazem a Rubro-Verde atravessar o pior momento dos 94 anos de história são conhecidos por todos. Na conta da gestão Manuel da Lupa podem contabilizar a vergonhosa – e ainda incógnita – queda para a segunda divisão, grande parte do rombo financeiro e quase a totalidade das pendências que transformam o solo do Canindé em uma areia movediça. Porém, a responsabilidade pelo provável rebaixamento à Série C é inteiramente da gestão Ilídio Lico.

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A desculpa da falta de recursos caiu por terra há tempos. Quem contrata mais de 50 jogadores e mexe na comissão técnica quatro vezes não pode reclamar de dinheiro. A Portuguesa tem uma das maiores folhas salariais do campeonato. O que foi usado para negociar toda a baciada de atletas seria muito bem aproveitado por ao menos uma pessoa competente e profissional no comando do Departamento de Futebol. O critério usado? As carteirinhas vão passando de mão em mão conforme as promessas no período eleitoral de 2013 e as juras de injetar dinheiro em 2014.

Os velhos nomes do Canindé vão matando a Lusa e, pior, sem esboçar qualquer reação. O presidente Ilídio Lico simplesmente sumiu e vai tomando a omissão como a principal característica. Os que criticavam a gestão anterior convivem normalmente com os responsáveis pelas lambanças dos anos anteriores. O que falta no clube? Seriedade e vergonha na cara. Antes de dispararem justificativas de que não é fácil administrar a Portuguesa, precisam deixar de ser a principal pedra no caminho da Lusa. Não têm competência? Recolham a vaidade e coloquem um profissional.

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O que fazer agora? Jogar a toalha e assistir ao rebaixamento? Pelo amor de Deus, tenham um pingo de dignidade. Nem que seja a última coisa a fazer antes de fechar as portas (já que no “caso Héverton” essa palavra esteve em falta). Restam por volta de 10 dias para que se feche o período de inscrições na Série B. O elenco precisa de três a quatro reforços. Porém, não ao nível dos que chegaram neste ano. Três ou quatro que façam a diferença, como aqueles que fizeram em igual situação em 2006. E outra mudança: comissão técnica.

Silas não tem praticamente nenhuma responsabilidade pela atual situação da Lusa. Pode ter errado em escolhas e escalações, mas no conjunto da obra isso pouco interferiu. O problema do treinador é não ter as características necessárias para o momento. Se ainda há chances reais para além da simples esperança, a Portuguesa precisa de um técnico que dê um “choque” no elenco. Alguém que mexa com o emocional, que motive, que chacoalhe essa garotada. E, na base do tranco mesmo, conseguir uma pequena arrancada. Novamente, à semelhança de 2006.

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Complicado? Demais. Mesmo porque, se formos analisar, torna-se quase impossível cobrar os jogadores. Os dirigentes não têm qualquer moral frente ao elenco. São vistos como pessoas incapazes e amadoras brincando de gerir um clube. E, principalmente, pelo fato de não arcarem com os compromissos em dia. Os tempos de amor à camisa acabaram. E isso não é condenável. Como a maioria da população, os atletas trabalham pelo salário. Se não o têm, qual o sentido de se esforçar? Vira filantropia. Deste modo, pressionar por resultado torna-se ainda mais difícil.

Que os tais “homens fortes” da Portuguesa realmente mostrem essa “grandeza” que tanto bradam pelas alamedas do Canindé. Que não peguem a carteirinha de diretor apenas para alimentar o ego e a vaidade, porém, na certeza de ter competência para aquela função. É difícil acredita que já não é tarde demais. O clube tem 99% de chances de ser rebaixado. Será o mais vergonhoso capítulo das mais de nove décadas da Lusa. E essa culpa tem dono: gestão Ilídio Lico.