Um novo, confuso e secreto conceito!

Leia o post original por Gaciba

A mão na bola sempre foi uma das jogadas mais polêmicas do futebol. Aliás, o futebol nasceu exatamente porque dissidentes do rúgbi não queriam mais que se utilizasse a mão para jogar. Há dois anos escrevi que tínhamos conseguido uma evolução neste critério e, cada vez mais ele estava claro para quem trabalhava ou assistia ao esporte bretão. Pois a comissão de árbitros da FIFA resolveu dar um nó na cabeça de todos, mais uma vez.

Com vídeos de instrução a FIFA (os que respondem por ela) criou um novo conceito e começaram a disseminar pelo mundo afora através de seus instrutores uma nova visão sobre a jogada e colocou pontos de interrogação na cabeça dos apitadores.

O mais surpreendente é que o livro de regras não mudou seu texto uma linha sequer e dentro do campo tudo mudou. Pior, as orientações foram dadas em quatro paredes e, repetindo um erro secular, não foram informadas ao público, atletas e analistas. O discurso de que o conhecimento é para todos e estaria disponível a quem interessasse não saiu no papel e, na prática, a cultura das alterações secretas continua valendo. Ruim para os árbitros que estão tendo que adotar estas novas orientações sendo a vidraça de uma mudança desconhecida da maioria.

Feito esta introdução, este blogueiro traz algumas jogadas sobre a nova ótica deste conceito. Deixo claro que não estou “debatendo” se concordo ou não com as novas interpretações, a verdade é que elas existem e estão em vigor e os árbitros aplicarão em nossas competições. Ainda, conforme disse anteriormente, não há nada documentado oficialmente e as palavras que serão utilizadas são resultado de muita pesquisa pessoal, termos utilizados em vídeos de instrução, conversas com árbitros de elite mundial e instrutores de alto nível internacional.

Lance 1: Pênalti – Mão deliberada

Jogadas semelhantes a essa são o motivo principal da mudança. O raciocínio da Comissão é que o jogador, ao se jogar no caminho da trajetória da bola está em ação deliberada de cortar um cruzamento. Portanto, o objetivo deste atleta é impedir que a bola chegue até a área (ou ao gol). Se conseguir seu intuito fazendo este corte com as mãos (sempre leia mãos e braços) a infração deve ser marcada quando a bola bater diretamente em suas mãos. A FIFA (não eu) interpreta que este atleta “correu o risco” desta bola bater em sua mão jogando-se em sua trajetória. Nestes casos a orientação é marcar mão deliberada só escapando o atleta que tiver suas mãos ou braços juntos ou a frente de seu corpo. O problema é explicar e convencer as pessoas que este não é um “movimento natural”. Aliás, vale uma vírgula com relação a este termo que NÃO EXISTE na lei do jogo. Este foi outro subterfúgio utilizado para explicar outros lances que agora depõe contra ao novo conceito. Vamos mais longe. Veja que no mesmo jogo aconteceu outra jogada que passou batida, mas, pelo novo conceito (absurdamente na minha visão) o pênalti também deve ser marcado.

Lance 2: Pênalti – Mão deliberada

Pergunto ainda sobre o lance 2: Como este jogador fará para dar um carrinho sem apoiar seu braço no chão? O que me preocupa é que os instrutores para justificar a marcação desta penalidade têm usado um argumento que realmente me incomoda: “Mala Suerte”! Para mim, uma afronta ao espírito da lei mas, na prática, vocês verão penalidades como essa ser marcadas.

Já no caso abaixo (lance 3), nada deverá ser marcado. Vejam que o atleta toma todas as providências para não “correr riscos” em seu bloqueio. Cola o braço esquerdo junto ao corpo e com o braço direito que está a frente do corpo ainda segura o cotovelo esquerdo para evitar que este se descole do corpo. Bola na mão e não mão na bola!

Lance 3: Não pênalti

Complicando mais um pouco, chegamos a esta jogada (lance 4) em que o defensor “corre o risco” jogando-se a frente do cruzamento. Mesmo dividindo opiniões, acredita-se que neste lance há uma particularidade a mais. O rebote na perna. O fato de a bola bater na perna do defensor e posteriormente bater no braço adiciona um fator surpresa a jogada. Ou seja, a nova trajetória não foi programada pelo defensor que não deve ser punido por “mão deliberada”. Se a bola não tivesse “rebotado” e batesse diretamente no braço, a infração deveria ser marcada.

Lance 4: Não pênalti

Este caso abaixo (lance 5) é o fato do braço estar junto ao corpo e a bola bater no braço e não este interceptar a bola. O jogador toma todo cuidado em ir na bola de cabeça e, caso não tivesse contato com o braço provavelmente o corpo do defensor estancaria a trajetória da bola.

Lance 5: Não pênalti

Já nesta jogada do lance 6, a infração existe pelo fato do jogador “deliberadamente” passar da linha da bola e deixar o braço aberto impedindo a passagem da mesma.

Lance 6: Pênalti

Vejam como um pênalti pode ser cometido mesmo de costas para a jogada no vídeo abaixo (lance 7). Nesta jogada o defensor se joga na frente da trajetória da bola com o braço completamente aberto e desvia seu caminho caracterizando a infração. Pênalti muito bem assinalado.

Lance 7: Pênalti

Atentem que em todas as situações citadas acima os defensores estão em ação de bloqueio de um chute ou cruzamento. Este raciocínio não se aplicada quando o defensor está já com seu espaço ocupado, parado e a bola é lançada no seu braço. Mas isso é assunto para outro dia…

Repito que estas são interpretações “não são oficiais”! São opiniões formadas depois de muito debate entre pares especialistas. Não temos a pretensão de ser A VERDADE ou unanimidade. O intuito é levar, até você, a ideia da FIFA que está sendo passada aos árbitros e, logicamente, será aplicada nos jogos de seu time. Na verdade, gostaria muito que a FIFA ou a CBF fizesse um trabalho semelhante de esclarecimento público para que o critério possa ser unificado e as confusões sejam diminuídas. Caso contrário, cada rodada trará uma nova roda de debates. Obrigado pela atenção Você tem mais alguma jogada que gostaria de incluir para análise?