Auxiliar de Dunga mandou Neymar parar com “cai-cai” em 2010

Leia o post original por blogdoboleiro

Em 2010, quando já era o principal jogador do Santos, Neymar passou a ser marcado de perto pelos volantes e zagueiros adversários, e pelos árbitros. A fama de “cai cai” já tinha pegado e o jovem talento recebia cartões amarelos por reclamação.

Uma tarde, antes de um treino no CT do Rei, ele encontrou Edu, veterano campeão do mundo em 1970. E ouviu do ponta-esquerda que, aos 16 anos, disputou a Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra: “Você precisa parar de reclamar. Quando receber falta, você levanta, pede a bola e parte de novo para cima do marcador. Ele é quem vai ser advertido”.

Agora, convidado para ser assistente técnico pontual de Dunga, Jonas Eduardo Américo, 65 anos, vai voltar a acompanhar de perto o dia a dia de Neymar e dar conselhos como o de 2010, que funcionou. “Depois, o pai do Neymar veio me agradecer porque o menino fez o que eu falei e melhorou muito”, disse Edu ao Blog do Boleiro.

Ele foi convidado para acompanhar o time do Brasil na China, nos amistosos contra Argentina (dia 11, Pequim) e Japão (dia 15, Cingapura). A missão é a mesma da que foi passada a Mauro Silva (o “pontual” anterior): “Vou lá para observar, ajudar, trocar experiência com a comissão técnica e jogadores. Vou estar junto com todo mundo”, afirmou.   

Sobra experiência para Edu passar. Ele é o jogador mais jovem a ser inscrito em uma Copa do Mundo. Foi titular da seleção brasileira durante as eliminatórias para o Mundial de 1970, no México. Passou para a reserva quando Zagallo assumiu a direção do selecionado e optou por um esquema 4-3-3, escalando Rivelino no lugar do amigo. “A gente é muito próximo até hoje. Eu sabia que perderia a posição quando trocaram o João Saldanha pelo Zagallo”, contou.

Entre 1966 e 1976, Edu disputou 50 partidas e marcou 12 gols pela seleção brasileira. Canhoto, ele era driblador e ofensivo. “Acho que posso falar com os meninos sobre esta qualidade que o futebol brasileiro sempre teve”, afirmou.

Segundo Edu, o Brasil não desaprendeu depois da goleada sofrida diante da Alemanha por 7 a 1, na semifinal da Copa do Mundo deste ano. “O futebol aqui não está ruim. Não sei o que aconteceu na Copa, porque na Copa das Confederações, o time foi muito bem. Eu acreditava que a seleção seria finalista”, falou.

O novo assistente de Dunga acha que os atletas que o treinador chamou para os amistosos chineses “tem todos os ingredientes para recuperar o prestígio do futebol do Brasil”. “É só uma questão de tempo e entrosamento”, afirmou.

Esta foi a primeira vez que Edu é convidado para um trabalho na CBF. Há cerca de 10 anos, ele vai a Seattle (Estados Unidos) dirigir clínicas de futebol para treinadores e jogadores jovens. “Ensino como melhorar o passe, o domínio de bola, o drible, o passe, estas coisas básicas”, falou.

Bem que ele pode fazer o mesmo na seleção brasileira.