Conselho de Serginho Chulapa para Fabuloso: “Tem que ter calma”

Leia o post original por blogdoboleiro

Muita calma nesta hora. É o que o atacante Luis Fabiano e o meia Valdívia precisam ter daqui para a frente. Este foi o conselho que Serginho Chulapa deu para os dois atletas que andam às voltas com expulsões e períodos longos no departamento médico. Embora não se trate de caso de "chinelice" ou "destempero crônico", a situação dos dois atletas não é das melhores.

Serginho, 60 anos, entende o problema. "Eu era igual a eles", disse ao Blog do Boleiro. Ao longo da carreira, Chulapa acumulou gols, títulos e confusões. Ele é o maior artilheiro da história do São Paulo (242 gols) e um dos mais eficazes do Santos pós Pelé (104). Disputou uma Copa do Mundo, em 1982 na Espanha.

Mas Serginho já foi suspenso por um ano depois de desferir e acertar um chute num bandeirinha. Já se atracou com um amigo de infância, o zagueiro corintiano Mauro, num clássico no Morumbi. Ele também admitiu que arrumava uma contusões para não jogar partida longe de São Paulo.

Hoje, trabalhando para o Santos como olheiro e organizando peneiras com jovens, Chulapa diz que só tomou jeito aos 30 anos, quando a carreira já se encaminhava para o final. "O próprio jogador é quem precisa entender que estas coisas marcam a carreira deles. É preciso ter calma", disse.

E mais: do alto da experiência de quem já viu alguns cartões vermelhos pela frente, Serginho avisa: não adianta nada punir ou mesmo desligar estes jogadores que, segundo ele, são craques. Isso vale para a decisão do São Paulo de multar o Fabuloso em 30 por cento do salário e indicar consultas com um psicólogo.

Blog do Boleiro – Serginho, como as diretorias do São Paulo e do Palmeiras devem tratar com o Luis Fabiano e Valdívia?
Serginho Chulapa –
Pode dialogar com eles. Não adianta punir, dar bronca, chamar psicólogo. O jogador tem que tomar a rédeas e saber que estas expulsões não são legais para o clube, mas é mais prejudicial para o jogador. Eu sei porque eu era igual a eles. Deixei o São Paulo na mão com minhas expulsões.

Você teve a carreira prejudicada com isso?
Opa, claro que sim. Deixei de disputar a Copa do Mundo de 1978 porque agredi o bandeirinha (Vandevaldo Rangel) num jogo contra o Botafogo e peguei um gancho de um ano. Eu estava na melhor fase. Agora, se eu soubesse que ia tomar aquele gancho, tinha arrancado a cabeça do bandeirinha (risadas). Mas sério, é chato porque você fica marcado para sempre e os árbitros pegam no pé. Veja o que aconteceu ontem com o Luis Fabiano.

Você viu o jogo do São Paulo e Huachipato?
Eu vi. E acho que o Fabiano quis apenas passar na frente do cara e, na correria, acertou o rosto. O juiz interpretou como agressão, mas não foi. Dava no máximo um cartão amarelo.

Que conselho você daria ao Luis Fabiano?
Ele tem que ter calma. Assim não vai cair no mesmo erro outra vez. Eu mesmo só fui aprender com mais de trinta anos. Para mim, o Luis Fabiano tem vaga na seleção brasileira, mas se ficar nesta coisa de ser expulso, ele pode perder esta oportunidade.

Seria o caso de demissão dos dois jogadores?
Não. Você não abre mão de jogadores como o Valdivia, que sabe jogar e é craque, e como o Luis Fabiano, que é matador. O Valdívia ainda é expulso por coisas pequenas que não podem acontecer. Ele tem que se policiar. Mas são os dois jogadores que tem que pensar bastante, tomar as rédeas e mudar de jeito.