Reclames comerciais

Leia o post original por Mauro Beting

Não coloque a mãe no meio. No meio cada vez menos inteiro e íntegro do jornalismo, menos ainda.

Não é pra fazer graça da desgraça de mais um jornalista na rua. E não no bom sentido de sentir a rua como repórter. É no sentido Inferno-Tacho do Capeta de mais vagas decapitadas na voga das demissões que desolam e isolam as redações.

No sempre barulhento “Sala de Redação” da Rádio Gaúcha”, Kenny Braga xingou Paulo Sant’anna. Este havia se exaltado e colocado a mãe do primeiro na conversa e aquele botou a língua pesada contra a do primeiro.

Aqui não cabe citar as palavras. Lá, no ar, ao vivo, ainda menos. Mas era Day After de Gre-Nal. De goleada do time do segundo contra o do primeiro. De um programa quase sempre cheio de provocações. Das do nível alto da média acima dela do rádio gaúcho. Das do nível rasteiro quando o clubismo exacerba em todo o planeta.

É um barato o programa. Já tive a honra de participar. Tenho na mais alta conta a maioria dos participantes. Até quando discordo. E quando a coisa desanda.

Não apenas no Sala de Redação. Em quase todas as salas e redações. Cabines e estúdios.

Há 23 anos faço programas de embates em televisão e rádio. Já fiz em TV escancarada, aberta, paga, pública, impublicável, por satélite, por nada, por assinatura, nem pagando, pay-per-view, pau-puro, em alto nível, em baixaria pura, por Ibope, por debate pobre, com merchan, sem modos, com todo tipo de colega, com muitos amigos, com vergonha, sem vergonha, em TV fechada, de fachada.

Muita coisa fiz e gostei. Muitas desfiz e não gostei. Já briguei. Já fui obrigado. Já contemporizei. Já comi mosca. Engoli sapo. Dei com meus mauros n’água. Mas, graças a Deus, não perdi amigos e colegas com os quais discuti. E mesmo briguei.

Futebol, você sabe, é assim. Em casa, na escola, no boteco, na firma, na arquibancada, na rua. Perdemos as estribeiras. Cavalgaduras ou não.

Mas será que os programas têm de ser assim? E, se assim são, é motivo para demissão por um palavrão depois de tanto palavreado? Coliformes orais são tantas vezes despejados em várias frentes e traseiras. Só esses mereceram demissão?

Não estou lá dentro. Um bilhete azul ou colorado não é só por uma palavra impensada da imprensa entre tantas imprecações.

Mas é bom pra gente refletir. Para o jornalista e comentarista parar de gritar. Parar de fazer polêmica a bem torto e sem o menor direito e dever de ser ao menos equilibrado. Para assumir o lado torcedor sem distorcer. Para repensar muita coisa. Ou ao menos pensar um pouquinho quando tiver um microfone à frente. Mesmo que tenha bagagem e malas por trás.

Devemos todos ser um pouco mais responsáveis. Ibope, clicadas, curtidas, compartilhadas, page-views são índices de audiência que só servem para as chefias que mais bola dão para os índices que para a audiência.

Ou só prestam atenção quando têm audiência na Justiça.