Gobbi

Leia o post original por Mauro Beting

Campeão do mundo. Campeão invicto da Libertadores. Campeã da Recopa contra o São Paulo. Campeão paulista. Tudo como presidente.

E ainda campeão brasileiro, da Copa do Brasil, e estadual invicto quando fazia afinada parceria com Andrés Sanchez.

Foi Mario Gobbi presidente do Corinthians. Sócio recente que veio do interior que, com aquela cara de Peter Griffin do “Family Guy” com jeito de falar daquele dono de funerária que veio pedir um favor a Don Corleone no casamento da filha do Poderoso Chefão, conseguiu ajudar a reconstruir o Corinthians, em frangalhos depois do tsunami MSI e do cataclismo do crepúsculo de Dualib. A toque de caixa e com os trancos da Fifa ergueu a Arena Corinthians, ainda que deixando muitas contas a serem pagas. Mas fazendo de Itaquera o palco do pontapé inicial da Copa, e nos fundilhos de quem achava que “naquele fim do mundo” só teria maquete mequetrefe. E não um senhor estádio à altura alvinegra.

Tudo que foi bem em muitas coisas, ainda que torpedeado internamente, ou dando munição aos inimigos amigos, ele foi inominável ao defender além dos limites do defensável os 12 de Oruro.

A maioria poderia ser inocente naquele incidente. Naquele, em alguns casos. É outra questão, já debatida, com os exageros entre as partes.

Mas demorou demais para o clube estender auxílio à família do menino morto.

E extrapolou demais o presidente corintiano ao dizer que o clube foi mais vítima que Kevin.

Sim, o Corinthians foi garfado contra o Boca, no Pacaembu, em 2013. Um horroubo.

Mas, não. Nenhum clube é mais “vítima” que um garoto de 14 anos morto por um sinalizador que perfurou o olho dele.

Não. Também os 12 detidos não são mais vítimas que o menino boliviano morto, como disse Gobbi.

Aqui e na maioria dos lugares não se culpa o Corinthians pela morte. Nem mesmo a torcida. A irresponsabilidade é de quem acendeu o sinalizador. Só dele. Ou de quem deu a ele o artefato.

É irresponsável jogar na conta do Corinthians e dos corintianos a morte.

Em alguns casos foi abusiva a prisão dos suspeitos na Bolívia. Foi mesmo.

Mas é lamentável dizer com todas as letras que o clube foi tão vítima quando Kevin. Que os detidos foram tão vítimas quanto o menino.

Para se defender não é preciso atacar.

Ainda que tenham falado absurdos contra o clube e torcida, absurdo também é comparar a morte do menino com a vida que sofremos.

Gobbi não precisava disso.

O Corinthians é que precisou dele enquanto presidiu bem. E foi realmente bem.