Corinthians se classificou com o merecido empate; San Lorenzo ‘investiu’ no Alvinegro ao não jogar para fazer o gol

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Corinthians 0×0 San Lorenzo

Apesar do resultado, foi um jogo no melhor padrão técnico e tático que o futebol da dentro da América do Sul pode oferecer aos torcedores hoje em dia.

Os times valorizaram as próprias virtudes e exploraram as dificuldades do adversário.

O Corinthians atacou mais e parou no sistema de marcação argentino.

O San Lorenzo gostou da proposta de jogo do Alvinegro.

O ótimo Edgardo Bauza nem precisou fazer adaptações táticas para encarar a equipe brasileira com melhor desempenho na temporada.

Em nenhum momento preferiu mandar o time à frente para tentar fazer o gol, vencer e não ficar dependendo do resultado do Majestoso, semana que vem, e se classificar à próxima fase da Libertadores.

Não houve lances dignos de qualquer tipo de polêmicas.

A arbitragem não interferiu no resultado.

Sistema ofensivo ‘esqueceu’ a direita 

O Corinthians com postura mais ofensiva, tentou marcar na frente.

Forçou os ataques contra o lateral-direito Buffarini, pois o argentino gosta de avançar e o rápido Emerson Sheik tem o hábito de atuar naquela região do campo.

Renato Augusto se aproximou do veterano. Uendel, quando pode, apoiou.

Jadson, do outro lado, ficou distante deles.

O time investiu pouco nele e no Fagner na articulação.

Elias, após frequentar o ataque no início, foi obrigado a ser mais precavido.

Por isso a suposta pretensão de Tite de optar pelo 4-1-4-1 virou o realista 4-2-3-1 por causa do andamento do jogo.

O atleta da seleção fez a parceria com Ralf em frente de Gil e Felipe, e se preocupou mais com a cobertura de Uendel e de vez em quando do Fagner, em vez de aparecer no ataque ou na meia constantemente.

Jadson, na direita, Emerson Sheik, do outro lado e Renato Augusto, entre eles, formaram o trio de criação.

Os chutes de fora da área e os toques, por baixo tal qual Tite cobrou, para Vagner Love fazer o pivô, foram as outras alternativas do time.

Apesar de ter maior volume de jogo ofensivo e de exigir intervenções do goleiro Torrico, o Alvinegro enfrentou dificuldades nos 45 minutos iniciais.

Não precisou fazer nenhuma adaptação

Edgardo Bauza, atento aos pontos frágeis do competente sistema de marcação do Corinthians investiu neles.

Mandou o San Lorenzo atacar pelos lados e principalmente arriscar os cruzamentos, pois o Alvinegro não é muito consistente nos desarmes pelo alto.

O jeito que o sistema ofensivo dos portenhos normalmente atua se encaixa com perfeição na forma como o Corinthians se defende.

Romagnolli e Villalba jogaram pelos lados do trio do 4-2-3-1.

Blanco, entre eles, além de se mexer em busca de brechas, entrou na área para fazer a função do segundo atacante  Matos foi o centroavante, e aproveitar os cruzamentos.

Duas vezes os hermanos perderam oportunidades em jogadas aéreas.

E uma vez o Blanco quase ficou cara-a-cara com Cassio.

San Lorenzo ‘segurou’ Elias

Esses lances foram no início do 1° tempo e provavelmente fizeram Tite pedir ao Elias para ser mais cauteloso nos avanços.

A precaução do técnico e do volante encerrou os momentos interessantes do sistema ofensivo do San Lorenzo antes do intervalo.

Acerto não foi o bastante

Depois do intervalo, o Alvinegro tentou diversificar mais os lances no ataque alternando a criação por ambos os lados.

Nas raras vezes que chegou à linha de fundo e cruzou, a bola passou por Vagner Love e irritou os torcedores na Arena em Itaquera.

Tite, com leitura de jogo igual a do público, colocou Danilo no lugar do centroavante,

O veterano podia prender mais a bola na frente até os companheiros se aproximarem, pois a distância entre o trio de criação e o atacante era maior que a correta.

A ideia funcionou porque o time passou a trocar mais passes no entorno da área do San Lorenzo.

O problema foi encontrar brechas para entrar nela ou criar alguma grande oportunidade.

Eficaz para manter a pegada

Os hermanos ficaram dependentes dos contra-ataques porque não levaram a bola na meia.

Romagnolli se cansou e Alan Ruiz, que jogou pelo Grêmio no Brasileirão, ocupou o lugar dele.

Aos 25, Mussis foi para a vaga de Villalba e após alguns minutos Barrientos na de Blanco.

A troca do trio inteiro de criação manteve a pegada no meio de campo.

Mussis tem características de terceiro jogador do setor. Complementa a marcação e a criação.Alan Ruiz é o meia que gosta de cadenciar o ritmo de jogo. Barrientos carrega a bola em velocidade.

As mexidas não otimizaram o contra-ataque do San Lorenzo, que Bauza, creio, pretendia ver.

Mas foram suficientes para manter a marcação consistente.

Tite nos minutos finais colocou o rápido Mendoza no lugar de Emerson Sheik.

Nada fez o time entrar na área com tabelas ou exigir intervenções difíceis de Torrico.

O colombiano não acertou os dribles.

Isso a postura do San Lorenzo, que ficou atrás, o impediram de aproveitar a velocidade que possui.

Sentiram a falta de Guerrero

O Corinthians havia chutado muito mais que o San Lorenzo no 1° tempo.

Após o reinício do jogo, a quantidade diminuiu, apesar posse de bola no ataque provavelmente ter aumentado.

Não sei se passou rapidamente pela cabeça de Tite de impressões como seria com Guerrero em campo.

Experiente e pragmático, acho que mantém o foco em pensamentos de como atingir a meta com quem podia contar.

A nação corintiana com certeza se lembrou do artilheiro ao ver a dificuldade do time para conseguir finalizar.

A possibilidade de Torrico ser mais exigido com o peruano no gramado era considerável.

No jogo de muito contato físico ele seria importante.

Edgardo Bauza apostou no Corinthians?

O Alvinegro garantiu o 1° lugar do grupo e a classificação.

Os argentinos precisavam mais do gol para não dependerem do próprio Corinthians na última rodada.

A proposta de Bauza deu a impressão que ele crê mais no líder que no time que o derrotou com gol de Michel Bastos.

Não alterou o posicionamento para otimizar o inoperante sistema ofensivo.

Cassio sequer foi exigido.

Ficha do jogo

Corinthians – Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf e Elias; Jadson, Renato Augusto e Emerson (Mendoza); Vagner Love (Danilo)
Treinador: Tite

San Lorenzo – Torrico; Bufarini, Caruzzo, Yepes e Más; Ortigoza e Mercier; Villalba (Mussis), Romagnoli (Alan Ruíz) e Blanco (Barrientos); Matos
Treinador: Edgardo Bauza

Árbitro: Victor Carrillo (Peru) – Assistentes: César Escano e Braulio Cornejo (ambos Peru)