Corinthians vê antecipação de receita mais difícil após ‘caso Fifa’

Leia o post original por Perrone

 

A diretoria financeira do Corinthians ligou o sinal de alerta após o escândalo de corrupção na Fifa estourar. O temor é de que os fatos de o contrato da Nike com a CBF e a venda de direitos de transmissão de jogos aparecerem nas investigações prejudiquem a obtenção de empréstimos por parte do clube.

Como nos demais times, cotas de TV e de patrocínios estão entre os principais recebíveis usados pelo Corinthians para antecipar receitas.  O que diferencia o alvinegro da maioria das outras agremiações é ter a Nike como patrocinadora. O receio é de que com o escândalo bancos e fundos de investimentos não aceitem mais esses contratos como garantia para adiantar quantias milionárias.

“Trabalhei em banco, então sei que banqueiro oferece o guarda-chuva em dia de sol. Na chuva é mais difícil de ele oferecer. Com essa investigação, os bancos vão ficar mais atentos, não há dúvidas de que agora será mais difícil conseguir (antecipar receitas dos contratos da Nike e das transmissões de jogos)”, disse ao blog Emerson Piovezan, diretor financeiro do Corinthians.

Para ele, instituições financeiras e investidores a partir de agora têm receio de que esses contratos sejam afetados por futuras decisões da Justiça. Ou seja, eles passaram a avaliar o risco de não receber.

O clube está dialogando com bancos e fundos de investimentos para conseguir cerca de R$ 15 milhões, usando como garantia os acordos com Nike e Globo. O dinheiro é para terminar de pagar as dívidas com o elenco. Parte dos direitos de imagem atrasados foram pagos graças a uma operação semelhante horas antes da eliminação na Libertadores, diante do Guaraní do Paraguai.

“Estamos conversando com várias instituições para levantar esse dinheiro. Até agora ninguém me disse que não quer mais aceitar essas garantias, mas sei que eles vão analisar os desdobramentos das investigações”, declarou Piovezan.

Nessas operações, o clube dá o direito de receber as cotas futuras de TV ou do patrocínio para a instituição financeira, que repassa o dinheiro à vista e lucra com os juros.

De acordo com a Justiça americana, documentos mostram que houve acordo secreto para uma empresa de material esportivo dos Estados Unidos pagar US$ 40 milhões para a Traffic, empresa de J.Hawilla, em conta na Suíça. Seria uma comissão pelo contrato firmado entre a fabricante e a CBF em 1996, por dez anos, por US$ 160 milhões. Quem assinou acordo nesses moldes com a confederação foi a Nike. Segundo a investigação, do total combinado Hawilla recebeu US$ 30 milhões e repassou a metade para um alto dirigente da CBF, Fifa e Conmebol, credenciais que indicam se tratar de Ricardo Teixeira.

Já para ter os direitos de transmissão da Copa do Brasil e da Copa América e poder negociar essas transmissões com emissoras de TV, Hawilla disse em seus depoimentos que pagou diversas propinas milionárias. A Globo, que transmite as duas competições citadas e paga ao Corinthians pelo Brasileirão, pela Copa do Brasil e pelo Paulista, não teve seu nome citado nos documentos divulgados pela Justiça americana. Isso não muda o receio de Piovezan de que os desdobramentos da operação deflagrada pelos americanos abalem a confiança dos investidores nos contratos com a emissora como garantia.