Na técnica; assim o Corinthians ganhou com facilidade do Flamengo

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Flamengo 0×3 Corinthians

O Alvinegro foi superior nas partes tática e técnica.

Jogou de maneira objetiva, priorizando marcação e contra-ataque.

Consistente antes do intervalo, quando fez dois gols, oscilou um pouco depois, mas em nenhum momento deu oportunidade para o rival esboçar reação.

O Flamengo passou 90 minutos, em vão, buscando alternativas para tornar o sistema de criação mais forte.

Perdeu porque tinha jogadores inferiores na qualidade individual e menos preparados coletivamente.

Houve o gol mal-anulado de Jonas. Não creio que, se fosse validado, seria o início da melhora do futebol flamenguista e que permitia ao time levar ponto à Gávea.

Ninguém na equipe de Cristovão Borges merece aplausos.

No Alvinegro, apenas Vagner Love destoou.

Elias e Jadson, nessa ordem, foram os melhores em campo, seguidos por Renato Augusto e Uendel, que entra na lista por causa do lance todo –  não apenas da finalização –  do terceiro gol.

Com Guerrero e Emerson Sheik, o roteiro do jogo, creio, seria muito mais difícil para o vencedor.

Sobre eles 

A ausência da ex-dupla do Corinthians gerou uma série de consequências.

Gabriel foi mal, o treinador escalou na meia a dupla de estrangeiros limitada na criação, Marcelo Cirino teve que ser o centroavante….

Diante do Internacional, Emerson Sheik e Éverton, pelos lados, Jonas, Canteros e Cáceres realmente na função de volante e Guerrero na de centroavante, tornaram a equipe mais forte na marcação em frente aos zagueiros e laterais, e na parte ofensiva.

O treinador poderia, se contasse com ambos,  abrir mão de um dos volantes para colocar alguém capaz de fortalecer as tentativas de desarmar no campo de ataque.

Mas teve que pensar em reorganizar em vez de tentar agregar algo ao que funcionou.

Não tinha opções para isso.

Poderia mandar a equipe ficar atrás, enquanto recebia vaias da própria torcida, e mesmo desse jeito a possibilidade de perder era maior que a de vencer.

Limitado

Cristovão Borges escalou o Flamengo no 4-1-4-1. O quarteto em frente ao volante Jonas contou com Gabriel na direita, Éverton na esquerda, e Canteros e Cáceres entre eles. Marcelo Cirino foi o centroavante.

O desenho tático mostrou que o time tentaria atacar mais pelos lados, onde o competitivo sistema defensivo do Corinthians tinha sido é um pouco menos consistente nos últimos jogos.

O andamento do jogo confirmou a teoria.

O Flamengo forçou a criação com Gabriel, mal desde o início, e Éverton, que não merece elogios apesar de ter jogado melhor que o outro.

Com os gringos a possibilidade de superar o bloqueio corintiano era pequena, pois eles tecnicamente não têm tanta qualidade.

A equipe, talvez por isso, pouco forçou a criação por onde jogaram.

O Rubro-negro fez alguns cruzamentos, tentou chutes de média distância e apenas um, dentro da área, com Éverton.

Não teve a intensidade que precisava para se impor.

Racional

Tite tentou aperfeiçoar o que o time tem feito nas últimas rodadas e adaptar isso a forma de o Flamengo jogar.

Na vitória contra o Atlético PR, o sistema de marcação, pelos lados, não correspondeu como ele queria, apesar de não ter tomado gols.

Ciente de quais são as principais virtudes do Rubro-Negro,  deve ter pedido atenção para Jadson e Malcon na marcação em frente aos laterais Fagner e Uendel.

E para Elias, desatento na cobertura durante aquela partida, cooperar mais com o meia experiente.

Renato Augusto, centralizado, completou o quinteto no meio de campo e Vagner Love jogou como único atacante.

Como o Flamengo tem velocidade por ambos os lados e com o centroavante, o treinador decidiu posicionar o time um pouco mais atrás, entre a linha que divide o gramado e a da grande área do gol de Cassio.

Não podia abrir lacunas para a correria de Gabriel, Éverton e Marcelo Cirino.

Calculou que a necessidade do time da Gávea vencer e o impacto de atuar diante da sua torcida o faria avançar.

Preparou o Alvinegro para os contra-ataques.

O primeiro gol aconteceu assim.

Éverton perdeu a bola com o Flamengo quase todo na frente.

Jadson tocou para Elias, que colocou Vágner Love diante do César.

O goleiro conseguiu fechar o ângulo, fez difícil intervenção e, no rebote, Elias finalizou com categoria por cima dele.

Não havia ninguém perto do volante artilheiro porque os flamenguistas corriam de maneira desordenada para recompor o sistema de marcação.

Reforçou

Malcom foi jogar na direita um pouco mais avançado e Jadson na meia, do outro lado, menos aberto e próximo ao Renato Augusto.

Tite queria aumentar a velocidade do contra-ataque, melhorar a organização desses lances e, se necessário, a capacidade de manter a bola na frente.

Como o time sabe fazer as flutuações do 4-2-3-1 (Elias e Bruno Henrique são os volantes, Malcom, Renato Augusto e Jadson e o trio de criação) para o 4-4-2 ( Malcom forma dupla de ataque com Vagner Love) e 4-1-4-1 ( Bruno Henrique é o volante entre os quartetos), o técnico pode variar de acordo o que avalia ser melhor em cada momento.

Além disso, o som das arquibancadas ficou mais alto após cada erro dos jogadores do Flamengo, o que aumentou a tensão do time de Cristovão Borges.

Nos acréscimos, o Alvinegro retomou a bola no ataque.

Uendel entrou na área, Renato Augusto abriu como se fosse o lateral e deu a assistência para o gol.

O sistema de marcação flamenguista, mal-posicionado naquele lance por conta do erro na saída de jogo, com as linhas do meio e da defesa longe um da outra, se confundiu quando o lateral em vez de correr para a linha de fundo foi esperar o cruzamento.

Mexeu

Walter no lugar de Cassio foi a única alteração logo após o intervalo.

Tite manteve a inversão de Jadson com Malcon, mas o primeiro foi de novo jogar perto da linha lateral.

Melhorou

Daquele lado, Cristovão Borges pediu para o Airton apoiar mais.

O lateral não é competitivo na marcação, mas a opção do treinador corintiano tirou de perto dele quem atua em velocidade e gosta de driblar.

Isso fez o lado direito do sistema ofensivo flamenguista, praticamente nulo até então, melhorar.

Marcelo Cirino, da entrada da área, chutou forte para Walter intervir e a bola tocar no travessão.

Aos 12, Alan Patrick entrou no lugar do sumido Gabriel.

Pragmatismo

O Corinthians manteve a ideia de marcar e investir no contra-ataque. Assim, Elias acertou a trave após o passe de Renato Augusto e o mesmo volante, minutos depois, retomou a bola na frente e deu a assistência para Jadson fazer o gol.

Não houve o impedimento

Aos 23, Cristovão Borges trocou Cáceres por Paulinho para aumentar a criatividade no meio de campo.

Aos 28, Tite colocou Rildo no lugar de Renato Augusto para fortalecer o contra-ataque e a marcação, se necessário, do lado.

O Flamengo trocou passes e tentou chutes de média distância.

Após cobrança de escanteio, aos 30, a bola sobrou para Jonas, livre, fazer o gol invalidado por causa do impedimento que não houve.

A jogada nem foi tão complicada para o Rafael Da Silva Alves avaliar.

Rapidamente

Ao notar que o Flamengo, após as alterações, tinha brechas perto da meia-lua da área para finalizar, Tite tirou Jadson e colocou Ralf.

A mexida melhorou o sistema de marcação e o jogo não teve mais lances de gol.

Ficha do jogo

Flamengo – César; Ayrton, Marcelo, Wallace e Jorge; Jonas; Gabriel (Alan Patrick), Canteros, Cáceres (Paulinho) e Everton; Marcelo Cirino
Treinador: Cristóvão Borges

Corinthians – Cássio (Walter); Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Bruno Henrique e Elias; Jadson (Ralf), Renato Augusto (Rildo) e Malcom; Vagner Love
Treinador: Tite

Árbitro: Leandro Vuaden (RS) – Assistentes: Marcelo Bertanha Barison e Rafael da Silva Alves