No limite, Corinthians vence Atlético MG em jogo acima da média do Brasileirão

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Corinthians 1×0 Atlético MG

Gostei muito do jogo.

Intenso, tático e disputado de maneira inteligente, foi acima da média do Brasileirão.

O Corinthians, apesar de atuar diante de seus torcedores, não teve o menor constrangimento em optar por deixar a bola com o Galo e investir nos contra-ataques, tal qual fizera contra o Flamengo.

O Atlético MG foi mais ofensivo, teve iniciativa de ir à frente e foi mais frequente lá.

Apesar da dificuldade de superar o bloqueio, não fez gol porque perdeu algumas oportunidades, teve azar na cobrança de falta de Giovanni Augusto e o goleiro Walter, inspirado, foi preciso nas raras vezes que algum jogador atleticano ficou em frente a ele.

O Corinthians perdeu uma oportunidade para ampliar e parou em Victor que, quando exigido, deu conta da missão.

Foi uma partida de xadrez de times que sabiam o que pretendiam fazer, e orientados de maneira elogiável pelos seus treinadores.

Os times

Tite posicionou o Corinthians no 4-2-3-1 e no 4-1-4-1.

Malcom, na direita, Rildo, do outro lado, e Renato Augusto, entre eles, formaram o trio de criação em frente dos volantes.  A variação tática aconteceu quando Elias atuou na linha dos meias.

O Atlético MG iniciou no 4-3-3.  Luan e Thiago Ribeiro, pelos lados, e Lucas Pratto, o centroavante, jogaram mais adiantados.  De acordo com as necessidades da partida, houve a flutuação no esquema.

Quando um deles recuou, a equipe formou 4-4-2. E, em certos momentos, Luan e Thiago Ribeiro recuaram para a meia, abertos, com Giovanni Augusto, centralizado, na mesma linha deles, atrás do centroavante argentino, formando o 4-2-3-1.

O atleta revelado pelos mineiros, simbolo da épica conquista da Copa do Brasil, se machucou e Carlos foi para o jogo.

Levir Culpi, por isso, inverteu o lado de Thiago Ribeiro, que passou a atuar na direita.

Estratégia e necessidade

Como as equipes jogaram, tal qual se diz no futebolês, compactadas, houve poucas brechas no meio de campo nos 25 minutos inciais.

O Corinthians tentou marcar a saída de jogo.

Dificultou algumas vezes a proposta do Galo que insistiu em fazer a transição com a bola na grama.

Nos momentos em que os corintianos não conseguiram, o sistema de marcação, no meio de campo, ficou um pouco vulnerável.

Por isso, Tite, pragmático, pediu para a marcação começar alguns metros à frente da linha que divide o gramado.

Levir Culpi determinou isso desde o primeiro minuto.

Por causa das ideias coletivas dos treinadores, os zagueiros e laterais atuaram fora da área.

Nas pequenas brechas entre eles e os goleiros, os times tentaram lançamentos por cima da defesa. Ambos contaram com jogadores de velocidade, pelos lados, e centroavantes que não são lentos.

A ideia era válida.

Depois que o Corinthians recuou, o Atlético MG passou a ter mais posse de bola e iniciativa de tentar fazer o gol.

Como fez na vitória diante do Flamengo, preferiu investir na marcação e nos contra-ataques.

Isso aumentou a posse de bola do Atlético MG na frente.

Era o que ambos os treinadores queriam naquele momento.

Tite 1×0 Levir Culpi

Duas ou três vezes Vágner Love recebeu a bola ‘nas costas’ de Marcos Rocha.

Havia um enorme trecho do gramado para correr com ela.

Em um dos lances, tocou mal.

No outro, deu a assistência para Malcom.

A vitória do treinador corintiano foi fruto de acertos no plano de jogo.

Isso não significa que Levir Culpi foi mal.

Ao contrário; o atleticano fez o que era necessário.

No futebol, muitas vezes os dois técnicos acertam, mas a matemática permite que apenas um deles ganhe.

Dependem dos jogadores e em muitas oportunidades um erro de passe,  ou centímetros  na direção de um chute, ou simplesmente a falta de sorte, não permite que a proposta inteligente se transforme em gol.

Mantidos

Os times retornaram do intervalo com suas filosofias de jogo intactas.

O Atlético MG forçou os ataques pela direita, onde Marcos Rocha e Thiago Ribeiro atuaram.

Conseguiu ir à linha de fundo três vezes e, numa delas, Lucas Pratto perdeu a oportunidade de igualar.

Alterações

Aos 14, Rildo deu lugar ao Mendoza. O colombiano jogou em frente ao lateral Uendel.

Tinha fortalecer a marcação e correr com a bola, de trás, se houvesse a oportunidade.

Levir Culpi, aos 23, optou por tirar Thiago Ribeiro e colocar Cardenas. O ex-jogador do Atlético Nacional se revezou, com Giovanni Augusto, nas funções de meia e de atacante, ambos, sempre, na direita.

Tite, logo em seguida, trocou Vágner Love por Danilo.

Azar de Giovanni Augusto

O meia, inteligente, cobrou a falta por baixo da barreira que pulou.

Teve azar porque a bola tocou na trave.

Não havia a menor possibilidade de Walter intervir.

O goleiro ficou posicionado do outro lado, no canto oposto ao que cobriu com a barreira.

Conservador

Tite poderia colocar Danilo, aberto, em frente ao lateral, e deixar Mendoza avançado.

Assim, teria alguém capaz de segurar a bola no meio de campo, mais qualidade no passe longo , além de proporcionar ao colombiano a possibilidade de correr contra os zagueiros Jemerson e Leonardo Silva.

Outra ideia viável seria adiantar Renato Augusto e deixar o veterano centralizado na meia.

Mas o treinador preferiu pedir para Danilo jogar como falso centroavante.

O time passou a ficar um pouco mais com a bola no ataque, mas não o suficiente para impedir o Atlético MG de continuar ditando o ritmo de jogo e em busca de lacunas na marcação.

Por cima

Nos últimos minutos, Tite pôs Ralf e tirou Bruno Henrique.

O Atlético MG investia nos cruzamentos e com a mexida pretendia tornar o sistema de marcação mais forte nas jogadas aéreas.

Goleiros

Nos acréscimos, Mendoza perdeu o gol em lance que Victor foi preciso ao fechar o ângulo.

Na sequência,  Lucas Pratto, em contra-ataque, ficou em frente ao Walter e o goleiro precisou intervir na jogada favorável ao centroavante.

Giovanni Augusto, dentro da área, chutou em cima de Walter, que, de novo, impediu o empate.

No jogo extremamente coletivo e difícil, ou o goleiro foi o melhor em campo ou quase isso.

Treinadores

Tite deve ter ficado irado porque o time tão defensivo quanto o dele permitiu dois contra-ataques no final.

Mas isso serviu para aumentar a emoção da vitória.

Levir Culpi deve lamentar os gols perdidos e pequenos equívocos de passe como o que permitiu ao adversário fazer o gol.

Em geral, creio, ambos os treinadores gostaram do futebol de seus times.

Ficha do jogo

Corinthians – Walter; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Bruno Henrique (Ralf) e Elias; Rildo (Mendoza), Renato Augusto e Malcom; Vagner Love (Danilo)
Técnico: Tite

Atlético MG – Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Jemerson e Douglas Santos; Leandro Donizete (Guilherme), Rafael Carioca e Giovanni Augusto; Luan (Carlos), Thiago Ribeiro (Cardenas) e Lucas Pratto
Técnico: Levir Culpi

Árbitro: Anderson Daronco (RS) Auxiliares: Fabricio Vilarinho da Silva (GO) e Bruno Raphael Pires (GO)