São Paulo ‘osoriano’ mereceu ganhar do ‘luxemburguês’ Cruzeiro; treinadores idealizaram propostas distintas de jogo

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

São Paulo 1×0 Cruzeiro

Não foi um jogo tecnicamente elogiável.

Ficou emocionante, após o intervalo, por conta dos erros dos jogadores.

Faltou inspiração para a maioria.

Carlinhos, autor da assistência com cara de gol dele, e Michel Bastos, pela participação intensa no sistema ofensivo, chutes que geraram oportunidades no rebote e passe para Centurión perder em frente ao Fábio,  foram os melhores em campo.

O São Paulo criou mais oportunidades e mereceu ganhar na conta do chá.

Vanderlei Luxemburgo tem que melhorar o o sistema de criação do time.

Foi ‘quese retranqueiro’ no planejamento coletivo e escolha dos atletas.

Levou em conta que enfrentou o time com potencial para ser forte na parte ofensiva e que seria ousado desde o início.

Desprezou a falta de entrosamento que fez os são-paulinos oscilarem neste e noutros jogos.

Com mais posse de bola no campo de ataque aumentaria a possibilidade de falhas no sistema de marcação idealizado por Juan Carlos Osorio, mas preferiu diminuir a de tomar gols.

Tática

Juan Carlos Osorio, que não ficou no banco por causa expulsão contra o Sport, insiste, reitero, com razão, na modernização da forma de o o time jogar.

Preparou o 4-1-4-1 com flutuação para o 4-2-3-1, de acordo com o andamento do jogo. Michel Bastos na direita, Pato do outro lado, e Boschilia entre eles, atuaram em frente aos volantes Lucão e João Schmidt, e atrás de Centurión, o chamado ‘falso’ centroavante.

O treinador pediu ao quarteto mais adiantado que se mexesse para confundir a marcação, e que os volantes participassem da criação.

Jogar com a bola na grama, trocar passes e invertê-la, além de ocupar as lacunas do gramado, são grande parte da meta idealizada pelo colombiano.

Na zaga, optou por Rodrigo Caio junto de Rafael Toloi..

O Cruzeiro jogou no 4-2-3-1 mais estático.

Vanderlei Luxemburgo colocou Marinho na direita, William do outro lado e  Marcos Vinícius entre eles. Os laterais Ceará e Fabrício apoiaram pouco. O volante Henrique alternou os avanços com Charles.

Vinicius foi o centroavante.

Como o treinador do Cruzeiro sabia que o São Paulo teria a iniciativa do jogo, preferiu investir em contra-ataques.

Por isso colocou o centroavante mais veloz.

Tinha convicção que os laterais e os volantes são-paulinos iriam ao ataque.

Marinho e William marcaram aos primeiros, Marcos Vinicius fez isso com um dos atletas no centro, e Vinicius esperou os lançamentos longos para correr contra os zagueiros.

Alho, sal, pimenta, cebola…

O arroz com feijão simples que Vanderlei Luxemburgo planejou foi mal temperado.

Ficou completamente insosso porque o contra-ataque, a única opção para o time fazer gol tirante em cobranças de faltas e escanteios, foi ruim por causa dos erros de passes e do posicionamento muito recuado dos jogadores,

De nada adiantou a leitura correta, do técnico, a respeito de como o São Paulo pretendia atuar.

Ele pareceu preguiçoso ao não imaginar nada específico para tentar controlar o jogo ou ser mais incisivo na busca pelo gol.

Em formação

Pouco inspirado e precisando de entrosamento, em alguns momentos o São Paulo foi superior, noutros equilibrou o jogo, mas nunca ficou acuado como diante do Sport.

Depois de cerca de meia hora de disputa no meio de campo, talvez um pouco mais, quando os sistemas de criação de ambas as agremiações não haviam criarado oportunidades de gol, o time do Morumbi passou a jogar mais perto da área e depois a entrar nela.

Restando cinco minutos para o intervalo, conseguiu a primeira grande oportunidade após chute de Michel Bastos. A bola ficou com Alexandre Pato e Fábio fez difícil intervenção.

Logo em seguida o São Paulo pediu pênalti quando a bola tocou no braço de Manoel.

Dois ou três minutos depois, Carlinhos cruzou de direita com precisão, Alexandre Pato desviou, de cabeça, de maneira quase imperceptível e Fábio, no meio do gol, aguardou para saber se o atacante conseguiria tocar nela segundos antes até os quase 30 mil torcedores comemorarem.

Acertou

O Cruzeiro pediu um pênalti de Thiago Mendes em Vinícius. O cruzeirense desabou no gramado após o contato normal com o lateral-direito.

A penalidade que o São Paulo queria, quando Lucão chutou e a bola tocou no braço de Manoel, foi daquelas que a Fifa nos impede de dizer se houve ou não.

No futebol, não foi. No neo-futebol, aconteceu.

Os  tais critérios ‘fifaísticos’ tornaram a regra dúbia.

Seria fundamental se, ao menos em cada campeonato houvesse interpretações iguais em todos os jogos, mas isso não ocorre.

Eu precisaria ter convicção de como Marcelo de Lima Henrique avaliou noutras partidas lances similares antes de afirmar que errou ou não.

Enquanto não sei isso, concordo com ele, que achou tudo normal, porque não gosto do estilo de jogo do neo-futebol.

Simplificando, foi bola na mão e não o contrário, pois o zagueiro não quis tocá-la com o braço.

Tentativas

Mayke e Gabriel Xavier, após o intervalo, entraram nos lugares de Ceará e Marcos Vinícius. O treinador queria, com o lateral mais ofensivo e a troca na meia, fazer o time criar alguma oportunidade.

Além disso, adiantou a marcação para tentar tomar a bola na frente.  O Cruzeiro chegou mais vezes lá e errou as finalizações, todas, salvo engano, fora da área.

Alterações e brechas

O Cruzeiro, por marcar mais adiantado, abriu lacunas no campo de defesa. O São Paulo tinha alguns atletas rápidos que podiam aproveitá-las.

Centurión, após receber de Michel Bastos, na área, finalizou e Fábio impediu o gol.

Marinho, na direita, deu a caneta no Rodrigo Caio e na hora de tocar optou por fazê-lo onde não havia ninguém, mas deveria ter, e a bola passou pela pequena área.

Faltou leitura de jogo ao Vinícius e ao William.

Talvez por causa dessa dificuldade e ade se posicionar na área, Vinícius saiu e Leandro Damião foi ao campo para atuar lá e fortalecer a jogada aérea.

Mayke e os cruzamentos

Com ele, o lado direito do sistema de criação se tornou o mais funcional.

O lateral levantou a bola para Leandro Damião cabecear por cima do gol. Pouco depois, tocou, por baixo, e o centroavante, no carrinho, não conseguiu chegar nela.

Mexidas no São Paulo

Hudson ocupou o lugar de João Schmidt para reforçar a marcação no meio. Era óbvio que Vanderlei Luxemburgo pediria para ambos os volantes  tentarem criar lances de gol.

Outras alterações foram Edson Silva por Boschilia e a formação do trio de zaga com os que permaneceram em campo.

Thiago Mendes e Carlinhos passaram a ser alas, pois jogaram na mesma linha de Lucão e Hudson, os volantes, mas tinham que recuar, um de cada vez, para a lateral, se o Cruzeiro tivesse a bola na meia.

A ideia inteligente, que o São Paulo ainda precisa aprende a fazer de maneira consistente, fortaleceria a marcação mais adiantada e os contra-ataques, pois Alexandre Pato e Michel Bastos, abertos, tanto poderiam recuar no meio de campo quando os laterais do rival apoiassem,  como, juntos de Centurion, iniciarem os desarmes na frente.

Como Alexandre Pato não tem essas características, atuou do lado de Mayke e tinha que marcá-lo, João Paulo entrou para ser o centroavante, Centurion foi para a direita e Michel Bastos atuou na faixa de campo do lateral-direito.

Catimba e gols perdidos

O São Paulo ainda não sabe jogar de maneira consistente no 3-4-3.

Por isso o meio de campo ficou esburacado.

Charles tocou para Leandro Damião, na área, e quando o centroavante ficaria na frente de Rogério Ceni, Edson Silva deu carrinho preciso, na bola, e impediu.

Os outros lances de gols favoreceram o time do Morumbi.

No primeiro, Centurión recebeu de Carlinhos, falhou no domínio e Fabio conseguiu fechar o ângulo no chute do argentino. No outro, Michel Bastos cruzou na medida, de maneira precisa, para ele, cara-a-cara com o goleiro, cabecear mal.

Nos minutos finais, o ‘hermano fez o possível para irritar. Tomou faltas e ainda dividiu, por cima, apenas na bola, o que irritou Fabrício.

Se houvesse o menor contato com o lateral, mereceria o vermelho. Tinha que levar o amarelo e Marcelo de Lima Henrique tirou o cartão do bolso apenas o nervoso ex-atleta do Internacional, que falhou numa saída de bola e proporcionou para João Paulo a última oportunidade de gol.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Thiago Mendes, Toloi, Rodrigo Caio e Carlinhos; Lucão; Michel Bastos, Boschilia (Edson Silva), João Schmidt (Hudson) e Alexandre Pato (João Paulo); Centurión
Técnico: Juan Carlos Osorio

Cruzeiro – Fábio; Ceará (Mayke), Manoel, Paulo André e Fabrício; Charles e Henrique; Marinho, Marcos Vinícius (Gabriel Xavier) e Willian; Vinícius Araújo (Leandro Damião)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (PE) Assistentes: Clovis Amaral da Silva e Albino Andrade Albert Junior