Jogo teve baile do Flamengo até o intervalo e depois empate heroico do Santos

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Flamengo 2×2 Santos

As agremiações proporcionaram um jogo de futebol com muitas emoções aos torcedores.

Os do Santos ficaram mais satisfeitos com o resultado e os do Flamengo, creio, sentiram-se frustrados porque não ganharam.

O time de Cristovâo Borges deu um baile antes do intervalo, quando conseguiu enorme volume de jogo ofensivo, fez os gols e se impôs com sobras.

Tinha que manter a marcação na frente mas, por falta de força física,  opção tática ou ambos os motivos, recuou.

O Santos cresceu muito e sob a liderança técnica de Lucas Lima conseguiu o empate.

Nos acréscimos, Vladimir não permitiu que o Rubro-Negro ganhasse.

Tática

Cristovão Borges optou pelo 4-2-3-1 muito ofensivo.

Emerson Sheik na direita, Éverton do outro lado e Alan Patrick, entre eles, atuaram no trio atrás do centroavante Guerrero.

Os laterais Pará e Jorge apoiaram constantemente.

Canteros apareceu na meia e na área para tentar as assistências e os chutes em gol.

Apenas Marcio Araújo, parceiro do argentino na função de volante, e os zagueiros César e Wallace, não participaram da criação.

A marcação adiantada completou a proposta de jogo.

A ideia foi retomar a bola na frente e ficar com ela no campo de ataque.

Dorival Jr improvisou o zagueiro Paulo Ricardo na função de volante junto com Renato.

Gabriel na direita, Geuvânio do outro lado e Lucas Lima, entre eles, formaram o trio na meia.

Ricardo Oliveira foi o centroavante.

Os desenhos táticos similares redundaram no jogo com raros minutos de equilíbrio entre os times.

Baile

Diante de cerca de 52 mil pagantes, o Flamengo marcou no ataque, impediu a transição de bola, ganhou o meio de campo, ditou o ritmo, e manteve a intensidade antes do intervalo do primeiro ao último minuto.

Apesar de mostrar mais força na direita com Emerson e Pará, atacou por ambos os lados e entrou na área algumas vezes.

Equívocos na hora do último passe e nas finalizações fizeram o time demorar para conseguir o gol.

O Santos tomou um vareio.

Marcou atrás, tentou fechar lacunas e investir nos contra-ataques.

Não conseguiu executar nada a contento.

Gabriel e Geuvânio tinham que ficar atentos aos avanços de Pará e Jorge, mas perderam alguns lances para eles.

Victor Ramos e Zé Carlos foram sobrecarregados.

Lucas Lima, devido às circunstâncias desfavoráveis, recuou e se transformou em terceiro volante.

Ricardo Oliveira ficou isolado entre Marcio Araújo e os dois zagueiros flamenguistas quando não preferiu, pela necessidade da partida, completar o sistema de marcação perto da área de Vanderlei.

A cena mais rara antes do intervalo foi o time de Vila Belmiro trocando passes à frente da linha que divide o gramado.

Mereceu

O Flamengo fez o gol cinco minutos antes do intervalo.

O chute forte de Alan Patrick, no meio e alto, apenas transformou em resultado a dinâmica de jogo muito favorável..

No lance seguinte, o Santos, porque perdia, foi à frente e proporcionou, pela primeira vez até então, brechas para o contra-ataque flamenguista.

Canteros, importante no sistema de criação – em diversos momentos partiu de trás dos meias do time dele e confundiu o sistema defensivo santista. Ficou nítido que nenhum jogador sabia quem deveria marcar o argentino – durante o jogo,  deu a assistência para Emerson Sheik tocar na saída do goleiro.

CBF contra o futebol

O veterano foi comemorar com os torcedores e, por isso, levou o amarelo.

Essa ideia de pautar a festa, impedindo reações espontâneas, diminui a felicidade por condicionar os jogadores e o público a raciocinarem automaticamente quando podem simplesmente extravasar emoções.

É a plastificação da alegria.

Não adianta criticar Anderson Daronco, pois ele acertou ao cumprir as determinações.

O critério linear, inclusive se for ruim para o esporte, é que faz o torneio ser disputado em condições iguais no que diz respeito às regras se for igual em todos os jogos.

Mexeu

Marquinhos Gabriel ocupou o lugar de Paulo Ricardo após o intervalo.

O reserva tem mais qualidade no passe e características para ajudar o sistema ofensivo.

Mas não foi isso que fez o time crescer.

O Santos decidiu marcar na frente e o Flamengo recuou para iniciá-la na linha que divide o gramado.

Houve alterações nas propostas coletivas.

Outro Santos

Com muito mais posse de bola ofensiva, o Santos pode aproveitar as virtudes de seus jogadores mais talentosos e testar o inconsistente sistema defensivo do Flamengo.

Mandou no jogo até empatar.

Não apenas o goleiro

Lucas Lima cobrou o escanteio e o Ricardo Oliveira, aos 7, de cabeça, na pequena área, fez  2×1.

O centroavante se antecipou ao goleiro, que poderia intervir e demorou um segundo a mais para ir na bola.

O equívoco não foi apenas nele.

Algum jogador de linha no Flamengo deveria ter marcado o veterano especialista em fazer gols.

Não pode se mexer, na área, e ficar sozinho.

O empate aconteceu aos 28.

Lucas Lima, o melhor do Santos depois que o time começou jogar a futebol, com categoria e jeito, chutou de fora da área.

Paulo Victor tocou na bola antes de ela ir para o fundo da rede.

Era um lance defensável, mas difícil para qualquer goleiro em plena forma.

Ritmo

Ele ficou dois meses longe do time por causa do problema na fíbula.

A posição de quem joga com as mãos é a que mais exige sequência porque isso aumenta a concentração e principalmente o reflexo.

Era mais simples para o meio de campo, que bobeou, marcar Lucas Lima no lance do empate, do que exigir do goleiro a difícil intervenção.

Eis a maior questão

Enquanto marcou na frente, o Flamengo foi superior.

Depois que recuou e investiu em contra-ataques, caiu muito de rendimento e o Santos empatou.

Antes do 2×2 ficou nítido que um time piorou muito e o outro cresceu depois que alteraram o posicionamento.

Ou o Flamengo não teve pernas para fazer a marcação na frente, ou optou pela estratégia que acabou sendo ruim.

Não tenho a resposta precisa, mas sei que isso e a mexida no sistema de criação do Santos foram os grandes responsáveis pela igualdade.

Dorival Jr satisfeito

O Santos ainda tentou, por alguns minutos, manter a iniciativa do jogo.

Mas rapidamente o seu treinador alterou os planos e decidiu recuar.

Antes de igualar, colocara Neto Berola no lugar de Gabriel e deslocara Geuvânio para a direita.

Depois, tirou o atleta revelado no clube e pôs, aos 34, Lucas Otávio para reforçar a marcação no meio.

Mandou cinco jogadores fazerem a ‘parede’ em frente aos zagueiros e laterais, todos perto da área, e manteve apenas Ricardo Oliveira adiantado.Nitidamente ficou feliz com o empate e queria, apenas se possível, o contra-ataque.

Cristovão Borges havia trocado Alan Patrick por Gabriel.

O Flamengo foi para cima, mas pareceu cansado para conseguir lances de gol.

Insistiu muito nos cruzamentos e perdeu todas para os marcadores do Santos.

Eis que, do nada, arrumou força para tornar, de novo, o jogo intenso.

Vanderlei brilha

Os acréscimos foram parecidos com a partida antes do intervalo.

Gabriel colocou Éverton de frente para Vladimir e o goleiro, rápido e preciso ao fechar o ângulo, manteve o empate.

O jogador que perdeu a grande oportunidade pediu para sair e Almir entrou.

Aos 50 minutos, Vanderlei, com o pé, não deixou o cruzamento, pela grama, de Gabriel chegar para o reserva fazer o gol na pequena área.

Lógico

Depois de tudo que houve no jogo, o empate não tinha como deixar o Flamengo feliz.

O Santos deixou o gramado com a sensação de alegria pelo ponto que conseguiu após iniciar perdendo e atuando mal.

Ficha do jogo

Flamengo – Paulo Victor; Pará, César, Wallace e Jorge; Márcio Araujo e Canteros; Everton (Almir), Alan Patrick (Gabriel) e Emerson Sheik; Guerrero
Técnico: Cristóvão Borges

Santos – Vanderlei; Victor Ferraz, Werley, Gustavo Henrique e Zeca; Paulo Ricardo (Marquinhos Gabriel) e Renato; Gabriel (Neto Berola), Lucas Lima e Geuvânio (Thiago Maia); Ricardo Oliveira
Técnico: Dorival Júnior

Árbitro: Anderson Daronco – Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho e Rodrigo F Henrique Correa