São Paulo mandou no clássico; Corinthians teve sorte e por isso conseguiu o empate

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

São Paulo 1×1 Corinthians

O resultado não refletiu o desempenho coletivo dos times, porque o do Morumbi criou mais oportunidades, acertou três vezes as traves e ainda não teve um pênalti marcado a seu favor no último minuto.

O melhor em campo foi Luis Fabiano. Lembrou, pela raça e dificuldade que impôs aos defensores de marcá-lo, o jogador das passagens anteriores pelo clube.

O Corinthians foi razoável na parte coletiva e mal na técnica.

O sistema defensivo não mostrou a consistência que Tite pretende.

E havia possibilidade de o time ser mais incisivo no contra-ataque se acertasse mais passes.

 Os jogadores da meia, assim como de Elias e Luciano, não mostraram quase nenhuma inspiração.

Estilos

Era muito óbvio que o São Paulo teria a iniciativa de jogar e o Corinthians investiria no contra-ataque, chutes de média distância, cruzamentos e cobranças de faltas ou escanteios.

Os treinadores, ambos muito competentes, pensam o futebol de seus times de maneira antagônica e seria algo fora da curva se alterassem no clássico o padrão que tentam implementar.

Tática

Juan Carlos Osorio e Tite escalaram e posicionaram os times de maneira coerente com suas propostas.

O São Paulo, no 3-4-1-2, com Rafael Toloi, Lucão e o estreante Luiz Eduardo na zaga, Bruno e Carlinhos como alas na mesma linha dos volantes Hudson e Michel Bastos, e Ganso  em frente ao quarteto e atrás de Centurión e Luis Fabiano.

O Alvinegro atuou com Jadson, Renato Augusto e Malcom na meia, Bruno Henrique como volante, Elias se dividindo entre essas duas funções e fazendo a flutuação do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, e Luciano como centroavante.

A linha de defesa contou com os laterais Fagner e Uendel, além dos zagueiros Felipe e Gil.

No time do Morumbi, Hudson priorizou a marcação e Michel Bastos, quando o time tinha a bola, se transformou em meia ou atacante pelos lados. Bruno e Carlinhos apoiaram constantemente. Centurion se mexeu muito. Ganso ficou perto de Luis Fabiano. Em certos momentos, os 10 jogadores ocuparam o campo de ataque.

O treinador corintiano queria o contra-ataque e para isso tinha em frente ao Bruno Henrique três atletas velozes. Ou seja: quando o time retomou a bola contra o adversário que atuou com os zagueiros na linha do meio de campo, havia diversas opções para esses lances.

Sorte de duas cores

O São Paulo atacou  e criou mais oportunidades antes do intervalo.

Ganhou a disputa no meio de campo e venceu o sistema de marcação corintiano.

Criou oportunidades tanto em cruzamentos quanto com a bola no chão.

Não fez o gol por falta de sorte.

Acertou três vezes as traves.

Competência

O Corinthians foi pragmático ao seguir as determinações do treinador, apesar de não cumpri-las a contento.

Inconsistente na marcação, ficou atrás, sequer tentou manter a bola na meia, mas mostrou competência na jogada em que comemorou o gol.

Uendel se deslocou da maneira necessária, nenhum são-paulino correu com ele, Malcom observou e tocou para o lateral chegar à linha de fundo e dar a assistência na medida ao Luciano.

O Alvinegro poderia criar mais oportunidades nas brechas que o ousado time de Juan Carlos Osorio tinha quando perdia a bola no ataque.

Não fez isso por causa dos erros de passe.

O melhor em campo

Luis Fabiano igualou, logo após o intervalo, no rebote de Cassio que espalmou o chute de Centurion. O próprio centroavante deu o passe para o argentino.

O gol premiou uma das melhores partidas dele nessa fraca passagem pelo clube.

Se mantivesse tal nível de desempenho e esforço em campo, não seria tão questionado.

Meu elogio não tem a ver especificamente com o gol que fez.

Se mexeu para receber a bola em melhores condições, fez o pivô direito, deu sequências aos lances, ganhou divididas e por isso o considerei o principal jogador do clássico.

Saiu de trás

O Corinthians decidiu ‘ir para o jogo’ depois do 1×1.

Adiantou a marcação e as lacunas no meio de campo, para ambos os times, ficaram maiores.

O jogo ganhou velocidade.

As equipes trocaram poucos passes porque atuaram, como se diz no ‘futebolês’, na vertical, em direção ao gol.

De novo as falhas nos passes, de ambas as agremiações, impediram a criação de mais oportunidades.

Mas nenhum torcedor pode reclamar que faltou emoção.

Alterações

Juan Carlos Osorio, preocupado porque o jogo ficou corrido e com mais lances onde seus zagueiros, laterais e volantes poderiam ficar mano a mano na marcação, colocou Wesley na função de Michel Bastos, que foi deslocado para a ala pois Carlinhos, amarelado, aos nove, saiu.

Cinco minutos depois o colombiano optou por Breno no lugar de Hudson, que havia recebido o cartão.

Como não mexeu na proposta tática e os substituídos cumpriram suas funções de maneira razoável – o volante, inclusive, com muita raça na marcação e dificuldades nos passes – acho que o técnico quis, acima de tudo, impedir o time de perder jogadores.

Carlinhos provavelmente se cansou, assim como Bruno, que deixou o gramado para Auro tentar otimizar o lado direito do sistema ofensivo.

Tite, ao notar lacunas no campo de defesa do São Paulo e provavelmente irritado com as falhas no passe que impediram o time de aproveitá-las, aos 30 mandou Malcom, sumido, descansar e o Rildo jogar.

Luciano, que fez o gol e jogou mal, logo depois foi trocado por Danilo.

As mexidas mostraram que o treinador queria elevar a qualidade da condução de bola em velocidade e do passe, ambos fundamentais para os contra-ataques, e a marcação pelos lados porque o São Paulo forçou muito os ataques nas alas.

Expulsão

No contra-ataque são-paulino, Centurion ficou mano a mano contra Felipe.

O atleta corintiano abriu os braço, tocou no corpo do argentino que caiu no gramado e pôs a mão na cara, onde sequer houve contato, como se tivesse sido atingido lá.

Leandro Vuaden considerou falta e não jogo de corpo do zagueiro que tinha amarelo, por isso o excluiu restando 7 minutos.

A decisão de quem precisa impor as regras foi questionável,.

E, para mim, se não há convicção de que houve a infração o lance deveria seguir.

Jadson, mal no jogo, saiu para Edu Dracena recompor a dupla de zagueiros.

Pênalti

No último minuto, após o bate rebate na área, Wesley chutou e Uendel, de propósito, colocou a mão na bola, dentro da pequena área, de maneira que os atletas de ambos os times observaram.

Os são-paulinos, indignados, correram em direção ao bandeirinha reclamando o pênalti inquestionável.

E os corintianos, que em princípio foram para Leandro Vuaden no intuito de impedir que marcasse a infração, pois sabiam que aconteceu, ficaram observando a irritação dos oponentes futebolísticos enquanto o relógio corria.

Depois de tudo que houve no jogo, principalmente as bolas na trave, o empate, no Morumbi teve sabor indigesto apenas para o time de Juan Carlos Osorio.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Rafael Toloi, Lucão e Luiz Eduardo; Bruno (Auro), Hudson (Breno), Michel Bastos e Carlinhos (Wesley); Ganso; Luis Fabiano e Centurión
Técnico: Juan Carlos Osorio

Corinthians – Cássio; Fagner, Gil, Felipe e Uendel; Bruno Henrique; Jadson (Edu Dracena), Elias, Renato Augusto e Malcom (Rildo); Luciano (Danilo)
Técnico: Tite

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS) – Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Alex Ang Ribeiro (SP)