A fila anda no Fla: sai Cristóvão, vem Oswaldo

Leia o post original por Antero Greco

O Flamengo não perdeu tempo: nem esfriou o banco ocupado por Cristóvão Borges e logo chega Oswaldo Oliveira para ocupá-lo. Um treinador foi demitido no final da manhã, enquanto o outro chega no começo da tarde. Um não conseguiu dar padrão ao time; o novo terá a tarefa de sair do sufoco na Copa do Brasil e de melhorar, e muito, no Brasileiro.

A demissão de Cristóvão era bola cantada, manjada e aguardada. Com a torcida, já tinha caído em desgraça havia tempos. Com a diretoria, restava um pouco de paciência, que se esgotou com a derrota para o Vasco (1 a 0), na noite de quarta-feira. Já na saída do estádio, o administrador Rodrigo Caetano admitia que a equipe tinha jogado “abaixo da crítica”. Já era.

Cristóvão de fato não vingou no Flamengo – e isso acontece (como Oswaldo não vingou no Palmeiras). Embora não tenha um elenco de primeira grandeza, pesaram contra si decisões erradas na montagem do time e, em muitas ocasiões, nas alterações que fez durante os jogos. Isso contribuiu para aumentar a oscilação em todas as competições de que participa.

Claro que as derrapadas diante do Vasco têm enorme influência. Não é fácil digerir os tropeços diante do rival mais tradicional. Ainda mais que já custou título estadual e agora pode representar a abreviação para outra taça nacional e, por extensão, a Libertadores. A cartolagem achou que era o momento certo para agir.

A saída foi recorrer a Oswaldo, conhecido da casa e disponível no mercado. Era a alternativa viável – pois Mano não tem clima para a Gávea, depois de abandonar o barco repentinamente, dois anos atrás, e Muricy Ramalho não pretende voltar ao trabalho tão já.

O técnico que chega terá desafio não só profissional, mas pessoal também. Os trabalhos recentes não chegaram a bom termo, ficaram no máximo na média. No Palmeiras, recebeu muitos jogadores e demorou para decidir-se pelos titulares.

Agora, terá menos tempo ainda, pois a temporada avança e o futuro do Fla é incerto. Terá de conviver com pressões internas (só neste ano já houve duas mudanças de Comissão Técnica) e externa, pois a torcida anda apreensiva. Só lhe resta desejar boa sorte.

PS. Critiquei a postura racista de alguns – notem bem, alguns – torcedores do Flamengo na relação com Cristóvão. Daí a dizer que houve generalização e rotulou a torcida TODA como preconceituosa é desinformação ou má fé. Ou as duas coisas juntas. Mas, independentemente disso, racismo deve ser combatido com intensidade, em qualquer atividade, e sem trégua.