Comissão enrola e não soluciona

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Não adianta colocar árbitro na geladeira ou tirar os bandeirinhas das rodadas do Brasileirão para fazerem treinamentos depois de eles alterarem, por incompetência, os resultados dos jogos.

A comissão que trata disso na CBF precisa se antecipar aos equívocos deles e impedi-los de acontecerem.

Depois que somaram ou tiraram pontos de algum clube, a medida se torna quase inócua.

O prejuízo na história e contas da agremiação que investiu para ser campeã, na carreira do atleta que se esforçou muito durante anos para acertar aquele lance e teve seus méritos anulados por erros de quem não joga futebol, e no humor do torcedor, principalmente o frequentador dos estádios que tira grana do bolso para empurrar o clube que ama e se sente enrolado ao fazê-lo, continua idêntico.

Hoje, quando observei a tabela do torneio, esses afastamentos não aumentaram ou diminuíram a quantidade de pontos estabelecida após a rodada.

E se fosse um deles

Me coloco no lugar dos árbitros.

Eles não podem reclamar com ninguém porque serão afastados.

Tirante algum caso de má fé, do qual não tenho conhecimento, eles ficam impotentes como os clubes que são prejudicados por seus erros.

Não é fácil a atividade que exercem.

O mundo os avalia pelas lentes que enxergam muito mais que a retina humana os lances no gramado.

Estragam o futebol

Cito o jogo de ontem como exemplo.

O gol de Cícero não foi um lance tão complicado de ser apreciado e poderia alterar o destino dos 3 pontos.

O Corinthians ganhava por 1×0 e talvez  alterasse a forma de atuar indo mais à frente, aumentando brechas para o contra-ataque, que foi sua principal opção ofensiva, caso a igualdade fosse confirmada.

Quando aconteceu o empate invalidado, o Fluminense jogava um pouco melhor.

Antes, o Alvinegro mandou, Marciel dono de atuação convincente fez o gol, Malcom perdeu outros dois, Danilo quase marcou o dele e o time de Enderson Moreira havia desperdiçado uma oportunidade com Gerson depois do erro de Cássio ao tentar interceptar o cruzamento.

O andamento da partida não foi linear.

Mostrou que havia possibilidade de o Fluminense reverter o resultado,  manter a igualdade e de o Corinthians ganhar.

Hoje, infelizmente, aquilo que os atletas realizaram em Itaquera, o futebol competitivo mostrado por eles, a maneira como Marciel substituiu Elias, as mexidas de Enderson Moreira para seu time crescer após o intervalo, foram suprimidas pelo gol invalidado de Cícero.

Todos que realmente amam o futebol perdem com isso.

Ideia para minimizar os erros

A primeira medida, urgente, seria a CBF, que agarra o poder com mais ímpeto que o faminto defende a própria comida e por isso faz questão de continuar definindo quem cuida das regras durante os jogos, desvincular de suas funções quaisquer questões ligadas à preparação e escala de árbitros.

Faculdades sérias de educação física têm mais capacidade que a entidade para formar especialistas e avaliar seus desempenhos.

Falo de profissionalização.

Elas deveriam negociar os serviços de quem é o mais qualificado, em cada momento, para a função.

Longe da política de bastidores e mais preocupadas com questões técnicas, poderiam elevar o nível e diminuir as chatas discussões sobre favorecimento de x ou de y.

Isso não solucionaria tudo, mas minimizaria as distorções de resultados.

Cartolas

A eletrônica, adotada nas transmissões, seria outro enorme benefício para auxiliar quem tenta conduzir o jogo e não ser lembrado.

Tenho convicção que os árbitros adorariam ter acesso a ela.

Mas o discurso dos cartolas, em regra contrário de maneira de maneira leve ou enfática, não permite que externem isso.

Eles passam a impressão que se preocupam mais com a manutenção do poder que com a melhora do futebol.

O cerne de quase todos os problemas do esporte, inclusive na Fifa, é o ultra-conservadorismo naftalínico de quem não faz o óbvio para a evolução daquilo que se propôs a administrar