Ricardo Oliveira, Wallace e o fair-play

Leia o post original por Antero Greco

Esperteza, picardia, artimanha fazem parte do futebol. A popular malandragem deve ter surgido com o primeiro chute na bola. No Brasil, ela foi aperfeiçoada. Não vou citar casos de burlas de jogadores durante um jogo porque encheria uma enciclopédia.

Dois casos, porém, me chamaram a atenção nestes dias. Não são fora do comum, muito menos inéditos, tampouco dos mais graves que já vi em gramados. Ao contrário, são até corriqueiros, daqueles que em situação normal entram pro folclore e servem para esquentar as conversas de botequim ou no cafezinho da firma, entre uma cornetada e outra no chefe.

Refiro-me ao pênalti cavado por Ricardo Oliveira durante a semana, na vitória do Santos sobre a Chapecoense (3 a 1), na Vila Belmiro. E também ao lance do primeiro gol do Fla no clássico com o Fluminense (3 a 1), na tarde do domingo, no Maracanã.

As mutretas foram as seguintes. 1 – Ricardo Oliveira simulou falta do zagueiro, caiu na área e o árbitro Bruno de Araújo apontou a marca da cal. Por um desses acasos, se fez justiça porque Ricardo errou a cobrança, defendida pelo goleiro Danilo. O artilheiro fez dois gols naquele jogo. 2 – No Fla-Flu, Wallace socou a bola, ao subir para cabeceá-la, após escanteio, e assim fez o “passe” para Emerson, que mandou para as redes. O juiz Ricardo Ribeiro confirmou.

A atitude de Ricardo e Wallace foi criminosa, para usar termo forte? Não, assim como não foram lícitas, além de prejudicar adversários e induzir os árbitros ao erro. Mas o desfecho dos lances poderia ser diferente, por alguns motivos adequados para os dias atuais.

O primeiro deles: Ricardo Oliveira e Wallace são experientes e têm preparo intelectual acima da média dos colegas de profissão. Ricardo é pastor (ou está em vias de se tornar). Portanto, um homem de fé. Wallace preocupa-se com problemas sociais, é ligado em leitura. Ambos se expressam muito bem e exercem liderança em seus respectivos grupos. São capitães.

Como ultimamente se fala tanto em complô, em “roubalheira” no Brasileiro, em armações e outras coisas ruins, Ricardo e Wallace ganhariam pontos de honra se tivessem admitido a farsa. Um simples “Não foi nada, professor” teria um valor e tanto. Certamente, eles ajudariam a  aliviar o clima pesado que se formou em torno do campeonato.

Mostrariam, também, que nem todos se calam quando irregularidade os beneficiam. Não é difícil e seria uma bela contribuição para o fairplay. Quem sabe um dia?

PS. O Flamengo teve gesto bacana ao emitir nota oficial em que reconhece o benefício que teve no jogo. Assim que se faz.

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