São Paulo 3 x 2 Figueirense

Leia o post original por Mauro Beting

O Morumbi não tinha um grande público para uma despedida oficial do ausente Rogério Ceni. O que fez o estádio ficar ainda mais vazio. Ou tão murcho quanto os 90 minutos sã0-paulinos contra o esforçado e ameaçado Figueirense.

A tunda de Itaquera parecia ter tomado o Tricolor irreconhecível como o novo uniforme 3. Ou 4. Até abriu o placar com o outro que se despedia com bela história no estádio – Fabiano que virou Luís no São Paulo e o terceiro maior artilheiro do clube. Mas, uma vez mais, a zaga que tem potencial (mas tem jogado muito mal) deu espaço para o promissor Clayton empatar com enorme liberdade à frente de Denis. Sistema defensivo que daria ainda mais um Morumbi de brecha para o belo gol de Carlos Alberto, aos 29 do segundo tempo.

Não havia uma viva alma para marcar o veterano meia-atacante catarinense. Parecia não haver mais alma viva na arquibancada. Ou apenas zumbizavam para esfolar a pele de Lucão e reclamar de atletas, cartolas e cardeais tricolores. Não sem muitas razões.

Em dois minutos, quase todo são-paulino gritava que era um “time sem-vergonha”. E foi mesmo um grupo desalmado e desorganizado como o clube, em 2015.

Aos 32, o torcedor se confundia de tanto que vaiava os jogadores. Especialmente os jovens como Lucão. Um que, assim como o escorraçado Casemiro, que tem atuado bem no Real Madrid, pode dar caldo. Ou ser muito mais jogador que o inacreditável Douglas, que o clube conseguiu empurrar para o Barcelona.

Aos 34, em vez de só vaiar, o alvo foi Lucão. Xingado como se fosse Wesley, unanimidade que são-paulinos e rivais de verde tiram o chapéu.

Aos 35, Rafael Bastos ganhou bola carambolada da defesa em frangalhos como os nervos e quase ampliou para o Figueira. O terceiro gol parecia questão de tempo e da paciência perdida pelos são-paulinos.

Aos 38, Ganso chutou de direita e atingiu a trave de Alex Muralha. Não era dia de São Paulo. A sorte que tanto tabelou com o Clube da Fé na história parecia se perder pela linha de fundo. Como as chances do condenado Vasco, que torcia pelo São Paulo como nunca.

Aos 40, Thiago Santana ficou à frente de Denis e deu um chutico nas mãos do goleiro paulista. Parecia um recuo intencional de tão ruim o chute. O Figueira não sabia como definir a vitória salvadora.

Aos 45, Hudson acertou seu único lance na partida: mandou na cabeça de Alan Kardec, que marcou belo gol.

Mais quatro de acréscimo. Ainda dava para o são-paulino delirar. E para Lucão errar de novo. Rafael Bastos ficou à frente de Denis, mas não soube nem passar para o companheiro e nem finalizar. Na sequência, Ganso deu o gol da virada para a canhota de Luís Fabiano.

Eram 47 minutos. Seria o gol da virada e, provável, da classificação encaminhada para a Libertadores – ainda que imerecida pela zona que está o São Paulo.

Mas o Luís Fabiano que tanto acertou com essa camisa, isolou o gol. Seu último chute no Morumbi.

Não era tarde de São Paulo.

De fato, porém, todo dia parece dia tricolor: uma bola vadia sobrou de longe para o ótimo Thiago Mendes, dos poucos acertos são-paulinos em 2015. E que acerto! Um tiro longo da intermediária no canto esquerdo de Alex. Golaço. 3  a 2 São Paulo. Não teve nem saída de bola.

Tem só mais uma saída impressionante do Tricolor do atoleiro.

Isso é futebol. E esse negócio adora o São Paulo.