Parcialidade no futebol depõe contra imagem da Globo

Leia o post original por Odir Cunha

Nos últimos seis campeonatos paulistas, o Santos ganhou quatro e foi vice em dois. E nas últimas 10 edições foi campeão de seis e vice em três. Enfim, como se costuma dizer, é o time a ser batido no Estadual. O São Paulo não ganha um título paulista há mais de dez anos, o alvinegro de Itaquera está esfacelado e o Palmeiras tem um belo estádio, mas nenhum craque.

O melhor jogador em atividade no Brasil é Lucas Lima, o grande artilheiro do País é Ricardo Oliveira e a maior revelação tem sido Gabriel, o Gabigol. Quando se fala de futebol paulista, então, não há nem como se comparar. Nenhum outro time tem tantas atrações individuais como o Santos.

As maiores audiências da tevê no Campeonato Paulista do ano passado foram obtidas nas finais entre Santos e Palmeiras. Aliás, esse confronto também representou o maior Ibope do ano, na decisão da Copa do Brasil.

Enfim, em qualquer país do mundo com uma tevê preocupada em valorizar o esporte, em seguir ao menos os preceitos básicos da meritocracia que é a alma do esporte, a estréia do Santos, neste sábado, às 17 horas, seria transmitida ao vivo. Em vez disso, como já anunciou que não renovará com a Globo e assinará com o Esporte Interativo, o Santos está sendo duramente boicotado e só terá um jogo transmitido na fase inicial do campeonato.

Se houvesse uma justificativa técnica ou comercial, além da retaliação pura e simples, ainda se poderia entender. Mas é apenas mais um ato para prejudicar o Alvinegro Praiano, ao mesmo tempo em que continua bajulando o time do ex-presidente, hoje investigado em mais uma elogiosa ação da Polícia Federal.

Só o fato de insistir para que os jogos noturnos sejam realizados às 22 horas, prejudicando todos os profissionais envolvidos no futebol, além de milhões de torcedores, já mostra o caráter egoísta e indiferente da Globo. Felizmente o assunto já está chegando à Fifa, e o simpático Jérome Champagne, que conheci em alguns encontros em Brasília, prometeu fazer de tudo para mudar isso caso seja eleito para presidente da entidade, que, felizmente, também está sendo passado a limpo.

Essa parcialidade da direção do futebol da Globo, obviamente subordinado ao departamento comercial da emissora, depõe contra a imagem dessa poderosa empresa de comunicação, que, diga-se de passagem, já não é tão poderosa e jamais foi simpática.

Nessa hora, é impossível deixar de lembrar a maneira meteórica como a Globo surgiu e superou, do dia para a noite, emissoras bem mais bem-sucedidas e estáveis, como as TVs Record, Excelsior e Tupi. Impossível também não se recordar de como a emissora manipula as informações para favorecer seus parceiros e prejudicar os demais.

O Santos é apenas um time de futebol, mas ainda é aquele que mais fez pelo Brasil. Tem um currículo invejável e continua sendo uma atração onde atue. Nos últimos 12 anos ganhou 11 títulos e foi vice em outros quatro. Revelou Neymar, o melhor brasileiro em atividade. Mas nem é preciso dizer dos jogadores que revelou. Se alguém quiser medir sua popularidade, veja que time a Escola Grande Rio escolheu para homenagear neste Carnaval. Ter tido Pelé por 19 anos significa alguma coisa? Deveria significar para quem ama o futebol. Nem vou dizer que jamais foi rebaixado, pois isso é uma obrigação para um time realmente grande.

Só sei dizer que o Santos já tem 103 anos e não se tornou o melhor do mundo do dia para a noite, ou na calada desta. Penou, batalhou, insistiu, até poder mostrar sua arte em todos os continentes, para todos os povos e todas as línguas. O que alguns tentam conseguir, em vão, com conchavos, acordos financeiros e uma interminável parafernália eletrônica, o Santos conseguiu e voltará a conseguir apenas com talento, beleza e paixão.

Campeão estréia contra o São Bernardo, na Vila

Lucas Veríssimo na zaga e Paulinho no ataque são as novidades do Santos para sua estréia no Campeonato Paulista, neste sábado, às 17 horas, na Vila Belmiro, diante do São Bernardo. Dorival Junior deve escalar o time com Vanderlei, Victor Ferraz, Lucas Veríssimo, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato e Lucas Lima; Paulinho, Gabriel e Ricardo Oliveira.

Era um jogo para o Pacaembu, até porque não há outro jogo de time grande na Capital e o Corpo de Bombeiros não colocaria obstáculo. Mas nem vou falar sobre isso hoje. Vamos pro jogo! E terça-feira espero todos no encontro de sexto aniversário deste blog. Confirme presença pelo e-mail blogdoodir@blogdoodir.com.br