Minha memória olímpica – O dia em que quase treinei com a seleção de handebol

Leia o post original por Mauricio Noriega

Vou contar aqui no blog alguns “causos” envolvendo as Olimpíadas e minha experiência como jornalista envolvendo os Jogos. 

Começo com uma história envolvendo o handebol brasieiro em Barcelona, 1992. Espero que gostem.

Em 1992 eu trabalhava como repórter no Diário Popular, em São Paulo, e fui escalado para cobrir as Olimpíadas de Barcelona. Eu era relativamente novo na casa, tinha pouco mais de um ano na redação, e muita gente ficou incomodada com a minha escolha. O mau olhado era evidente.

Uns 15 dias antes da viagem eu estava jogando bola e tive uma lesão no tornozelo direito. Coisa feia, de ligamento, mas não era caso para cirurgia. Quando entrei na redação com uma dessas botas que são utilizadas para substituir o gesso, teve coleguinha que só faltou soltar rojão.

Caprichei no tratamento e embarquei para a cobertura ao lado de meu saudoso amigo Nicolau Radamés Cretti. Ele foi testemunha das dores que aguentei e do quanto chorava à noite com o pé inchado. Não podia usar cadarço porque o pé não cabia no tênis. Com o calor e as distâncias que caminhávamos e ainda dirigir para percorrer os 50 km de distância entre o local em que estávamos hospedados e o Centro de Imprensa, a tarefa era complicada. Mas não daria esse prazer os profetas do mau olhado.

Um dia eu estava entrando na Vila Olímpica, na área dos restaurantes, onde podíamos entrevistar alguns atletas, e o massagista do Comitê Olímpico veio falar comigo. Infelizmente eu não lembro do nome dele, mas o cara foi muito gente boa. Perguntou como eu estava, porque estava mancando e se podia me ajudar. Eu mostrei o pé para ele, que tomou um susto. Disse que não poderia ficar daquele jeito. Ele me arrumou um passe para visitar a Vila e me levou meio escondido para um dos apartamentos. Fez uma aplicação de uma pomada indicada para cavalos chamada Calminex e uma série de massagens. E me deu um tubo da pomada, com indicações para utilizar. Viramos amigos.

Uns dias depois, já andando muito melhor, estava batendo papo com meu amigo massagista e com um jogador brasileiro de handebol que tinha treinado no Pinheiros nos tempos em que eu jogava voleibol no clube (também não me lembro o nome dele. Coisas da idade).

Aí encostou o Antônio Simões, treinador do time brasileiro, e o papo ficou animado. Virou praxe, todos os dias, quando batíamos ponto na área internacional do restaurante, a conversa com o pessoal do handebol masculino, que estreava na Olimpíada, beneficiado pela desistência da seleção cubana. Papo vai, papo vem, o Simões vira para mim e diz: “Você tem pescoço largo, deve aguentar porrada. Jogou voleibol, deve saltar bem. Não quer treinar com a gente?”.

Um jogador não poderia treinar naquele dia, e o treinador veio com essa ideia maluca. Recusei educadamente. Tinha jogado handebol só de brincadeira, a não ser em uma ou duas vezes que atendi ao pedido de meu amigo Faro, treinador do Colégio Arquidiocesano, que me via jogando vôlei pelo colégio e achava que eu poderia jogar handebol. Até joguei com ele uma ou duas vezes, mas nada mais do que isso.

Hoje fico pensando que se tivesse aceitado certamente o texto ficaria muito mais interessante.

Minha memória olímpica – O dia em que quase treinei com a seleção de handebol

Leia o post original por Mauricio Noriega

Vou contar aqui no blog alguns “causos” envolvendo as Olimpíadas e minha experiência como jornalista envolvendo os Jogos. 

Começo com uma história envolvendo o handebol brasieiro em Barcelona, 1992. Espero que gostem.

Em 1992 eu trabalhava como repórter no Diário Popular, em São Paulo, e fui escalado para cobrir as Olimpíadas de Barcelona. Eu era relativamente novo na casa, tinha pouco mais de um ano na redação, e muita gente ficou incomodada com a minha escolha. O mau olhado era evidente.

Uns 15 dias antes da viagem eu estava jogando bola e tive uma lesão no tornozelo direito. Coisa feia, de ligamento, mas não era caso para cirurgia. Quando entrei na redação com uma dessas botas que são utilizadas para substituir o gesso, teve coleguinha que só faltou soltar rojão.

Caprichei no tratamento e embarquei para a cobertura ao lado de meu saudoso amigo Nicolau Radamés Cretti. Ele foi testemunha das dores que aguentei e do quanto chorava à noite com o pé inchado. Não podia usar cadarço porque o pé não cabia no tênis. Com o calor e as distâncias que caminhávamos e ainda dirigir para percorrer os 50 km de distância entre o local em que estávamos hospedados e o Centro de Imprensa, a tarefa era complicada. Mas não daria esse prazer os profetas do mau olhado.

Um dia eu estava entrando na Vila Olímpica, na área dos restaurantes, onde podíamos entrevistar alguns atletas, e o massagista do Comitê Olímpico veio falar comigo. Infelizmente eu não lembro do nome dele, mas o cara foi muito gente boa. Perguntou como eu estava, porque estava mancando e se podia me ajudar. Eu mostrei o pé para ele, que tomou um susto. Disse que não poderia ficar daquele jeito. Ele me arrumou um passe para visitar a Vila e me levou meio escondido para um dos apartamentos. Fez uma aplicação de uma pomada indicada para cavalos chamada Calminex e uma série de massagens. E me deu um tubo da pomada, com indicações para utilizar. Viramos amigos.

Uns dias depois, já andando muito melhor, estava batendo papo com meu amigo massagista e com um jogador brasileiro de handebol que tinha treinado no Pinheiros nos tempos em que eu jogava voleibol no clube (também não me lembro o nome dele. Coisas da idade).

Aí encostou o Antônio Simões, treinador do time brasileiro, e o papo ficou animado. Virou praxe, todos os dias, quando batíamos ponto na área internacional do restaurante, a conversa com o pessoal do handebol masculino, que estreava na Olimpíada, beneficiado pela desistência da seleção cubana. Papo vai, papo vem, o Simões vira para mim e diz: “Você tem pescoço largo, deve aguentar porrada. Jogou voleibol, deve saltar bem. Não quer treinar com a gente?”.

Um jogador não poderia treinar naquele dia, e o treinador veio com essa ideia maluca. Recusei educadamente. Tinha jogado handebol só de brincadeira, a não ser em uma ou duas vezes que atendi ao pedido de meu amigo Faro, treinador do Colégio Arquidiocesano, que me via jogando vôlei pelo colégio e achava que eu poderia jogar handebol. Até joguei com ele uma ou duas vezes, mas nada mais do que isso.

Hoje fico pensando que se tivesse aceitado certamente o texto ficaria muito mais interessante.