O Dia Seguinte

Leia o post original por Mauricio Noriega

O verdadeiro desafio para o esporte brasileiro começou assim que o fogo olímpico se extinguiu no Maracanã.
O que virá depois do inegável êxito da Olimpíada carioca (é preciso ressaltar que apesar do êxito é necessária uma avaliação feroz e completa dos gastos)?
Nunca antes se usou de forma tão gratuita e ufanista termos como legado e fazer história. 
Para mim, a declaração emblemática dos Jogos, sob a perspectiva do esporte brasileiro, foi dada ao SporTV pelo treinador Rick Azevedo, brasileiro que foi head-coach do pólo-aquático da China nos Jogos Rio-2016. Ao ser preguntado se trabalharia para o Brasil, entre outras coisas, disse que não queria apenas montar um time, mas participar de um programa.
Quantos esportes brasileiros podemos dizer que têm efetivamente um programa? Que estão prontos a encarar uma sequência de ciclos olímpicos com capacidade de participar efetivamente da disputa e não apenas cumprir calendário? Vôlei, judô e quem mais?
Será essa a verdadeira pergunta que fica?
Qual o projeto esportivo do Brasil?
Gastamos bem a montanha de dinheiro destinada ao esporte de alto rendimento para a edição brasileira dos Jogos?
O Governo deve investir tanto como investe no alto rendimento quando pelo Brasil existem centenas de escolas que nem sequer têm professor de educação física?
O COB deve cuidar apenas do alto rendimento ou precisa participar mais intensamente do debate do modelo esportivo adotado no País?
A pergunta mais intrigante sobre o esporte no Brasil que ouvi foi feita pela genial Isabel Salgado, a Isabel do vôlei, num bate papo durante um dos intervalos de trabalho no SporTV 4. “Para quê ganhar medalhas? Será que é para isso que serve o esporte?”
O caminho da discussão passa por isso. Que esporte queremos para o Brasil? O modelo baseado na escola e no sucesso do sonho americano? O modelo de doação de crianças para competir pelo Estado adotado na China? O modelo assistencialista que o Brasil pratica? Ou as vitórias no alto rendimento serão consequência de um esporte como elemento transformador da sociedade através da formação de cidadãos?
A resposta não veio em 2016 e certamente não virá em 2020.

O Dia Seguinte

Leia o post original por Mauricio Noriega

O verdadeiro desafio para o esporte brasileiro começou assim que o fogo olímpico se extinguiu no Maracanã.
O que virá depois do inegável êxito da Olimpíada carioca (é preciso ressaltar que apesar do êxito é necessária uma avaliação feroz e completa dos gastos)?
Nunca antes se usou de forma tão gratuita e ufanista termos como legado e fazer história. 
Para mim, a declaração emblemática dos Jogos, sob a perspectiva do esporte brasileiro, foi dada ao SporTV pelo treinador Rick Azevedo, brasileiro que foi head-coach do pólo-aquático da China nos Jogos Rio-2016. Ao ser preguntado se trabalharia para o Brasil, entre outras coisas, disse que não queria apenas montar um time, mas participar de um programa.
Quantos esportes brasileiros podemos dizer que têm efetivamente um programa? Que estão prontos a encarar uma sequência de ciclos olímpicos com capacidade de participar efetivamente da disputa e não apenas cumprir calendário? Vôlei, judô e quem mais?
Será essa a verdadeira pergunta que fica?
Qual o projeto esportivo do Brasil?
Gastamos bem a montanha de dinheiro destinada ao esporte de alto rendimento para a edição brasileira dos Jogos?
O Governo deve investir tanto como investe no alto rendimento quando pelo Brasil existem centenas de escolas que nem sequer têm professor de educação física?
O COB deve cuidar apenas do alto rendimento ou precisa participar mais intensamente do debate do modelo esportivo adotado no País?
A pergunta mais intrigante sobre o esporte no Brasil que ouvi foi feita pela genial Isabel Salgado, a Isabel do vôlei, num bate papo durante um dos intervalos de trabalho no SporTV 4. “Para quê ganhar medalhas? Será que é para isso que serve o esporte?”
O caminho da discussão passa por isso. Que esporte queremos para o Brasil? O modelo baseado na escola e no sucesso do sonho americano? O modelo de doação de crianças para competir pelo Estado adotado na China? O modelo assistencialista que o Brasil pratica? Ou as vitórias no alto rendimento serão consequência de um esporte como elemento transformador da sociedade através da formação de cidadãos?
A resposta não veio em 2016 e certamente não virá em 2020.