A nossa força!

Leia o post original por Odir Cunha

Já houve tempo que a nossa força estava no time. Coutinho conta que, nos clássicos no Pacaembu, dava uma espiada no público, antes de entrar em campo, e só via torcedor adversário. Mas a equipe do Santos era tão boa, tão boa, e tinha tanta personalidade, que a vitória quase sempre vinha. Quando o time já não era o mesmo, lá pelos meados dos anos 70, a torcida assumiu o seu papel e mostrou sua força.

Eram apenas meninos, oficialmente os primeiros Meninos da Vila, mas das arquibancadas vinha o clamor que lhes dava confiança e os empurrava para triunfos inesquecíveis. E como o futebol é cíclico, hoje voltamos aos tempos daquele bando de garotos atrevidos comandados pelo seu Chico Formiga.

Domingo, às 17 horas, no Pacaembu, vamos celebrar mais do que 105 anos do primeiro clássico de São Paulo, a maior rivalidade alvinegra do mundo, inaugurada em 22 de junho de 1913, com uma goleada santista por 6 a 3, no campo do Parque Antártica, na capital. Vamos celebrar, acima de tudo, nosso amor ao Santos e nosso apoio ao clube e ao time.

Após a derrota, na desumana altitude de 3.400 metros, para o humilde e empolgado Real Garcilaso, leio algumas críticas atrozes a jogadores e ao técnico Jair Ventura e, mesmo sem querer tirar o direito da livre opinião, lembro que a altitude já produziu resultados bizarros, como a goleada sofrida pela Argentina, diante da Bolívia, por 6 a 1. O próprio Santos de Neymar foi derrotado pelo Bolivar por 2 a 1, mas na Vila Belmiro infligiu acachapantes 8 a 0 ao iludido adversário. Então, julgar o time e o técnico por esse jogo é um pouco muito.

Por outro lado, conforme constatei em estudos sobre as causas das maiores crises vividas pelos grandes clubes brasileiros, um dos motivos principais dessa instabilidade é a troca constante de técnico. Um trabalho bem feito exige o mínimo de tempo. Sem ele, o treinador apela para experiências e corre maiores riscos, até que maus resultados seguidos o premiam com o bilhete azul.

Considero Jair Ventura um dos melhores da nova geração de técnicos brasileiros e estou certo de que está fazendo o melhor que pode pelo Santos. Tenho certeza, ainda, de que ele já está chegando ao final do processo de análise do potencial técnico, tático e físico de cada jogador do elenco, e o resultado disso logo ficará evidente. Sei também que um bom resultado domingo fará muitas trombetas se calarem, ou substituírem a marcha fúnebre pela valsa.

Pois é justamente nessas horas, de dificuldade, que se conhece o verdadeiro torcedor. Há um grito da torcida santista que exprime o que quero dizer: Se é para ganhar, se é para perder, eu amo esse time e o nome dele eu vou dizer: Sannnnntos! Sannnnntos! Sannnnntos!

Ao logo de sua história o Santos já nos deu muitas alegrias. Conquistou inúmeros títulos jogando contra adversários poderosos em seus campos, diante de suas torcidas. Agora chegou a nossa vez de jogarmos com o time, de sermos o alento que dará mais fôlego, coração e força aos nossos guerreiros da Vila. Temos um encontro com a alegria de ser santista nesse domingo, no Pacaembu.

#VemproPaca