Visão diferente, mesmo amor

Leia o post original por Odir Cunha

Hoje tenho uma visão diferente do Santos da que eu tinha quando era apenas torcedor, ou jornalista, pois vejo o clube por dentro. Sei das mazelas herdadas, dos problemas quase crônicos, dos obstáculos aparentemente insuperáveis. Então, posso vibrar como em um gol decisivo quando sou informado de que conseguimos pagar uma grande dívida ou resolvemos uma antiga questão trabalhista. Fazer parte de uma gestão nos torna um torcedor mais intenso. Enxergamos, e sofremos, além do presente.

Não que eu não sofra como o mais fanático dos torcedores diante de um jogo dramático e, pior ainda, de uma derrota. Mas sei que os piores revezes ocorrem nos escritórios frios dos credores. Hoje sei como clubes de enorme tradição, com Guarani e Portuguesa, foram ao fundo do poço e ainda não regressaram de lá. O torcedor costuma olhar só para o futebol e não vê o que muito dirigente faz por baixo dos panos. Quando percebe o mal, este não pode mais ser reparado.

Então, se eu já tinha de ser controlado como jornalista, pois não podia gritar na tribuna de imprensa diante de um gol do Santos, por exemplo, hoje, como dirigente, sei muito bem quais são as prioridades do clube. E elas nos obrigam a preparar o caminho para os dirigentes santistas que virão. Não queremos, de forma alguma, que o Santos volte à situação em que o encontramos. Chega de deixar um clube arrasado para os gestores seguintes. Isso não é ético e nem honesto.

O vídeo deste blog é de um jogo do Campeonato Paulista de 1988, que eu gravei no videocassete e assisti até quase perder a cor. É que o Santos perdia quase todas naquela época e essa vitória, sobre o forte São Paulo de Raí, foi um alegre oásis de felicidade que eu bebi até a última gota. Naquele ano o Santos nem chegou ao quadrangular final do campeonato, mérito que times menores, como São José e Bragantino, conseguiram.

Eram tempos muito difíceis em campo, mas fora dele o torcedor santista se mostrava bem mais companheiro do time. O último título comemorado tinha sido o Paulista de 1984 e o seguinte viria só em 1997, com o Torneio Rio-São Paulo, mas aqueles torcedores, para os quais tiro o chapéu, realmente seguiam o Glorioso Alvinegro Praiano onde e como ele estivesse.

Antevendo um resultado ruim neste Sansão no Morumbi, alguns santistas disseram que vão fazer outra coisa no domingo, para não sofrer. Bem, cada um faça o que quiser, mas como alguns torcedores podem pedir garra e ânimo ao time se eles próprios não os têm? Sim, falta um meia, faltam mais alguns jogadores, que deverão vir em julho, mas, até lá, que tal se fôssemos apenas torcedores, como aqueles que estavam no Morumbi em 1988?

E você, o que acha disso?