A política e a cera burra da bola!

Leia o post original por Milton Neves

Felipe Melo joga como pergunta o jornalista político brasileiro: batendo!

Sobre o volante do Palmeiras, nada mais a dizer para se evitar a chatice da redundância.

Já no jogo da política, por que nossos perguntadores, alguns ótimos ou bons, outros ruins ou “dissertadores”, botaram na cabeça que suas perguntas têm que ser sempre ríspidas, agressivas, longas e acusatórias?

Sim, muitas merecem, mas todas?

E eles são também “interrompedores crônicos”!

O candidato recebe a pergunta lida, ou decorada, às vezes gaguejante, e quando o político “açoitado” começa a responder, é interrompido.

Na TV, com a coitadinha da Marina Silva foi assim, ficando a “mudinha” Renata Vasconcellos “20%” e o soberbo Bonner lembrando top jornalista americano, mas em módicos… 6,27%!!!

Marina Silva sendo interrompida por Bonner no “Jornal Nacional”

Ora, aprendam com os americanos Dan Rather ontem e com Christiane Amanpour hoje.

Perguntas curtas, lúcidas, “doloridas” e cirúrgicas, sempre praticaram.

No “Episódio Monica Lewinsky”, o veterano Dan Rather deu uma grande aula mundial de jornalismo entrevistando Hillary Clinton cara a cara em tema tão sensível, um terremoto político e sexual.

Já Christiane Amanpour, da CNN, na Casa Branca, ao vivo e em coletiva sobre o mesmo assunto então hiper-palpitante, encantoou Bill Clinton com uma célebre pergunta direta, dura, oportuna, ousada e curta.

Resultado: Clinton não conseguiu responder, só balbuciou e Amanpour de Coritiba virou Barcelona no jornalismo mais importante do mundo.

Dan Rather e Christiane Amanpour, grandes entrevistadores da imprensa americana

Mas, e a cera no futebol?

Aliás, por que quando um time “tranca” o jogo também com o goleiro fingindo contusão ou demorando para recolocar a bola em jogo é dito por todos nós que se está praticando “cera”?

O que tem a ver “cera” no futebol com minutos “comidos”, sumidos, não jogados, sonegados ou fingidos?

Sei lá, mas hoje a cera virou tiro no pé do praticante.

Notem que, quando sobe a placa “dos descontos”, a temperatura do jogo sobe e cresce o entusiasmo dos torcedores e do time que está perdendo ou empatando, normalmente em casa.

A “placa do quarto árbitro” virou uma atração à parte na base do “é nossa última esperança” e novas forças brotam da grama do estádio.

     A “placa do quarto árbitro”, atualmente uma das grandes atrações do futebol

E observem o tanto de gol que passou a acontecer aos 47, 49, 50, 52 ou 54 minutos de jogo após essa feliz invenção da Fifa.

É que esse “tempo extra” acrescentou um alento especial, com o jogo ficando no período mais elétrico, frenético e até nitroglicerínico.

Senhores técnicos, o “tempo extra” é muito mais perigoso para o time “cerista” do que os mesmos minutos normais, tivessem sido eles jogados dentro dos 45 regulamentares, aprendam.

E isso foi ótimo também para o time vítima da cera, para o torcedor que não viu ou veria todo o jogo de 45 minutos normais e, principalmente, para o árbitro!

Sim, antes desta “placa do tempo extra”, os coitados dos juízes não tinham moral e nem coragem de dar cinco, sete, oito, nove ou 10 minutos “de descontos”.

Agora, oficializada a regra pela Fifa, ninguém reclama, acata-se.

Antigamente não!

Todos os goleiros, como o saudoso Miguel, da Lusa e do Juventus, Machado, do Botinha, e principalmente Emerson Leão, “comiam” em média 10 minutos do segundo tempo.

Miguel, Machado e Leão: os “Reis da Cera”

E ali pelos 43, 44 da segunda etapa, o técnico do time da cera levantava do banco, os reservas faziam o mesmo, a arquibancada gritava “acabou, acabou” e o juiz, pressionado e sem “placa do tempo extra”, à época, acabava o jogo aos 45 e meio ou 46 minutos em grandes sacanagens.

Pois isso acabou.

E quem sabe não vão também acabar as perguntas políticas padrão Delegacia de Polícia?

Baixando para 67,27% já está bom, mas que o “acusado” tenha a chance de responder sem ser interrompido.

Afinal, se o entrevistador falou mais do que o entrevistado é porque não foi entrevista, mas quase um monólogo ou um interrogatório policial.

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