Danilo

Leia o post original por Mauro Beting

Danilo, você não sabe, mas eu tenho um primo querido que é Danilo. Professor de História em São João del-rei. Quieto e brilhante. Vencedor como você. Faz o dele e não reclama da vida. Decide muito bem e inspira quem o conhece pelo trabalho. 

Ele é paulista e virou mineiro de anedota. Você é mineiro e virou megacampeão pelo São Paulo e multicampeão pelo Corinthians. Poucos podem bater no peito e bater ponto no panteão dos dois rivais como você. Bi de Libertadores e bi mundial pelos dois. 

E como você decidiu pelo São Paulo e pelo Corinthians. Estava difícil? Danilo se canhota contra o River, em 2005. Tá complicado? Descomplica de calcanhar pro Sheik contra o Boca, em 2012. Tá empatado? Arma o lance pro Guerrero ganhar o mundo no Japão. Como você já tinha levantado caneco pelo rival do outro lado do mundo, em 2005. 

Tá com um a menos um Derby difícil? Joga de lateral-esquerdo. Precisa de gol contra o Bahia. Faz um na primeira bola, outro golaço na última. Tá perdendo um clássico? Chuta pra fora que a bola entra ainda assim contra o Palmeiras. Faz gol no Santos. Quase metade dos gols em clássicos. 

Falo como quem torceu contra seus times, e muito a favor do cara correto, do meia-atacante e até lateral preciso, do profissional que quase perdeu a perna, mas nunca foi perna. Danilo a chegar, último a sair dos treinos. Exemplo pra quem chega e se acha, para quem se perde e não vê um tremendo vendedor que fala pela bola. 

Danilo que de tanto não falar nunca foi convocado pra Seleção. Absurdo. Não é Zidane, nem de brincadeira. Mas outros poderiam ser como Danilo. Pelo que joga e vence. Pela categoria que não se vende. Pelo cara que mostra pra quem quer aprender que aula não se dá. O que se doa é sabedoria. 

E isso, aprendi com meu primo Danilo, e com o sempre primeiro Danilo, sabedoria não se fala. Ela se pratica. 

Bom descanso, guerreiro. Nunca torci pelos seus times. Mas sempre torci pra você não jogar contra o meu. É o melhor elogio que posso te dar.