Vamos emprestar Rivellinos e Césares para a Portuguesa?

Leia o post original por Mauro Beting

Hoje faz 47 anos o estádio do Canindé. Naquela tarde em que a Portuguesa recebeu Eusébio e o Benfica. O artilheiro da Copa-66 não jogou por lesão. A Lusa perdeu por 3 a 1. Marinho Perez, capitão do Brasil na Copa-74, marcou o primeiro gol do time da casa, mas não do estádio. A Portuguesa tinha um grande técnico – Rubens Minelli. Basílio, o futuro Pé de Anjo corintiano. Ratinho e Piau que depois seriam tricolores.

Um bom time na casa da Portuguesa, com certeza. Ainda melhor no jogo seguinte, quando Rivellino foi emprestado pelo amigo Vicente Matheus ao presidente Osvaldo Teixeira Duarte, que hoje nomeia o então estádio Independência. Rivellino jogou 40 minutos com a camisa vermelha lindíssima. Com a 8, que a 10 era de Basílio, que 3 anos depois o sucederia no Parque São Jorge. Foi do pé de anjo que saiu o passe pra Riva dar um elástico com a canhota e o pé direito marcar um golaço contra o Zeljniscar iugoslavo.

Na quarta partida, contra a Hungria, o maior artilheiro palmeirense César Maluco foi o ídolo rival emprestado. Em 41 minutos não fez gol nos 2 a 0 contra o time de Bene, um dos craques da Copa-66.

Saudade desse 1972 que comecei sem lembrar nada do baixo dos meus 5 anos e não esqueço o último jogo que foi o primeiro título brasileiro do meu Palmeiras que lembro.

Saudade desse Canindé que não esqueço e dessa Portuguesa que a Lusa e o futebol esquecem. Saudade de um tempo em que o maior

craque corintiano era emprestado e o maior artilheiro palmeirense, também. Era um jogo só. Mas ainda é só um jogo.

Que tal Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos emprestarem o que têm para quem hoje só tem história?

Eu não sei o nome de nenhum jogador da Portuguesa. Sei a capivara de alguns que a deixaram assim. Mas quem não tem pecado e quem tem paixão não pode a deixar assim.

Vamos emprestar mais Rivellinos e césares para os déspotas pouco esclarecidos que macularam o Canindé. Malucos bastam os que estão e os que já não estão.

Eu quero celebrar mais do que as armas e os barões assinalados no clube assassinado. Eu quero a Lusa falando de futuro.

Sei que é utopia. Mas divagar é preciso.