Opinião: falta de transparência é duro golpe para Corinthians e BMG

Leia o post original por Perrone

A falta de transparência prejudica o início de parceria entre Corinthians e BMG na opinião deste blogueiro. Aumentar os rendimentos do clube conforme a adesão dos torcedores a produtos específicos é interessante e tem potencial para da certo. Porém, ele é uma estratégia baseada na confiança. Todo terráqueo só investe seu dinheiro em algo que demonstra ser seguro. Agora, como ter confiança num projeto que parece suma coisa e você descobre de supetão que é outra? Natural ficar com um pé atrás.

Não se pode acusar a direção alvinegra de ter mentido ao apresentar o contrato de patrocínio e falar ter recebido R$ 30 milhões de adiantamento. Em nenhum momento os cartolas disseram que o banco pagaria obrigatoriamente três dezenas de milhões por ano. No entanto, houve omissão sobre o valor fixo mínimo a ser pago pela instituição financeira. De certa forma, o torcedor foi sugestionado a imaginar que haveria uma cota anula de R$ 30 milhões por ano. Um monte de gente fora da diretoria reproduzindo essa informação incorreta colou e copiou essa cifra na mente da Fiel. A culpa do clube aí foi não ter divulgado logo de cara a cota mínima.

De repente, o corintiano acordou e descobriu que o mínimo pago pelo banco é de R$ 12 milhões por ano. E com documento oficial divulgado em site do BMG destinado a seus acionistas. Daí pra frente, uma avalanche de incertezas sufocou a Fiel. A diretoria se defendeu dizendo que não divulgou essa quantia porque as partes tinham combinado sigilo. Se foi isso, pode soltar a vinheta dos Trapalhões. Como o Corinthians não foi informado de que o parceiro disponibilizaria a informação na internet? É legítimo o corintiano ávido por ajudar seu time colocando dinheiro em produtos da parceria pensa: “os caras não conseguem nem se comunicar direito, como vão cuidar bem do meu dinheiro?” ou “se esconderam isso, será que tem mais coisa que eu não sei?” ou ainda “como vou ter certeza de que minhas economias realmente vão ajudar o Timão a ficar mais forte?”.

Piorando o cenário, enquanto apaixonados alvinegros derramavam sua indignação nas redes sociais, o documento revelador sumia repentinamente do site vinculado ao BMG. O cheiro de amadorismo só aumentou. Tal odor funciona como um eficaz repelente de investidores, mesmo se tratando de um bando de loucos.

Para tentar minimizar o estrago, o clube associa a parceria às contratações que  tem feito. Parte do adiantamento realizado pelo banco está sendo usado para reforçar a equipe. A aposta é convencer a Fiel de que quanto maior a receita gerada pela iniciativa mais forte ficará a equipe.

No entendimento deste blogueiro, no entanto, é pouco para apagar o trauma da surpresa de R$ 12 milhões. A melhor maneira de baixar a guarda do corintiano seria abrir o jogo de vez. Mostrar uma projeção oficial, sustentada em números do banco e do mercado, de quantos corintianos e com qual volume de dinheiro precisam aderir à parceria para gerar a sonhada receita anual de R$ 30 milhões. O corte só vai cicatrizar com doses cavalares de transparência. É a única receita.