Gordon Banks

Leia o post original por Mauro Beting

Ele adorava futebol. Mas não para ser jogador. Ele gostava de ver. Mas não teve dinheiro para ir nem 20 vezes a um estádio quando jovem. Também porque cedo começou a embalar e carregar carvão em Sheffield. Quase sempre ia ver jogos amadores que não precisavam pagar. Num deles faltou goleiro e um conhecido perguntou se ele poderia jogar. Com as calças compridas sujas pelo carvão, manteve as redes limpas, como se fala por lá.

Ganhou um lugar na meta. Foi para um time organizado e na estreia levou 13 gols. Seguiu em frente. Pro Leicester. Pro English Team. Para ganhar o mundo em 1966. Para fazer a defesa do século na Copa de 1970. Quando Pelé já gritava gol, ele pulou para defender a bola indefensável e a jogar por sobre a meta do Jalisco.

Pode não ser o maior daquela era e de todos os tempos antes dos goleiros gigantes. Mas ele fez A defesa. Na cabeçada Dele. Entre o campeão de 1966 e o de 1970.

Sinômino de milagre. De goleiro. Gordon Banks. O da camisa amarela como a do Brasil. O número um vermelho. Um dos melhores números do futebol.

Eu era moleque e meu pai me falava dele. E eu fiz algumas defesas gritando Banks. Quando vi as dele, fiquei com vergonha de um dia ter citado o nome dele em vão.

O céu está cada vez melhor protegido.