Cartão do Santos pagou jantar em loja que não serve refeição? Peres explica

Leia o post original por Perrone

Ao se defender contra a reprovação de suas contas do ano passado, o presidente do Santos, José Carlos Peres, apresentou fatura de cartão de crédito corporativo com gasto em uma loja de vinhos que não serve refeições como jantar de negócios representando o clube.

Após analisar a defesa, o Conselho Fiscal elaborou um novo parecer no qual novamente recomenda a reprovação das contas. O Conselho Deliberativo decidirá nesta terça (14) se mantém a rejeição.

O gasto descrito como jantar foi feito no Emporium Diniz, num shopping da capital paulista. A loja é famosa por vender vinhos e outros produtos, a maioria importados. A despesa aconteceu em 16 de dezembro de 2018 e foi de R$ R$ 61,80.

O blog telefonou para a loja para saber se havia alguma possibilidade de ter sido servido um jantar para o presidente santista. A resposta, dada por um funcionário, foi que não.

Outro lado

Por meio de mensagem de texto via celular, Peres disse ao blog que houve um erro na descrição do gasto, que, segundo ele foi com compra de presente para ser dado em nome do Santos.

“Todas as minhas despesas de cartão corporativo são para presentes. No final do ano teve presentes de Natal. Normalmente se dá vinhos, mas expor as pessoas que receberam é constrangedor”, escreveu Peres.

O dirigente também sustentou que é comum no meio empresarial usar cartões corporativos para presentear colaboradores. “Nas grandes empresas, o cartão corporativo tem um limite para gastos sem comprovações para você presentear aquelas pessoas que te ajudam o ano todo. Como não conseguem me incriminar, até porque sou honesto, se pegam em mediocridades”, afirmou o dirigente.

Ele ainda disse ser corriqueira essa prática nas agremiações brasileiras. “Medíocre e tacanho pessoas quererem usar isso para desqualificar um presidente. Veja se isso acontece em outros clubes. Todos os clubes têm os cartões corporativos. Os nossos gastos em geral são pequenos. Mas, tranquilo, consciência limpa”, declarou.

Peres citou até a venda de Rodrygo, que se apresenta ao Real Madrid julho deste ano. “Fiz cerca de R$ 200 milhões com o Rodrygo, sem empresário, sem agente e sem intermediário. E esses caras vêm falar de despesas de R$ 85,00, por exemplo.”

Mais gastos

As faturas apresentadas por Peres registram despesas em restaurantes badalados de São Paulo com jantares ou almoços de negócios pelo clube. Num deles, foram desembolsados R$ 256,00 no Pobre Juan, um dos mais famosos da capital, em 26 de dezembro de 2108.

Um almoço de negócios no requintado El Tranvia custou aos cofres do clube R$ 473,00.

Há também uma série de gastos registrados com ressarcimento feito por Peres ao Santos, como R$ 339,78 em uma loja de brinquedos.

Parecer

Em seu novo relatório pedindo a reprovação das contas de Peres, o Conselho Fiscal não cita o pagamento em loja de vinhos descrito como jantar representando o clube. “A defesa admite ter feito gastos para uso pessoal com o cartão corporativo no meses de outubro dezembro (não há explicação do conselho sobre se foi de um mês até o outro ou apenas nos dois citados) e apresenta recibo de ressarcimento de março de 2019 no valor de R$ 7.045,47. Ou seja, foi confirmado o uso indevido, e seu ressarcimento só ocorreu após questionamentos do Conselho Fiscal”, diz trecho do documento.

O parecer mantém uma série de supostas falhas na gestão que tinham sido apontadas antes da primeira votação no Conselho Deliberativo.