Opinião: ‘caso Sidão’ é prova de fogo para Luxa dentro e fora de campo

Leia o post original por Perrone

Vanderlei Luxemburgo chega ao Vasco cercado de desconfiança por parte de torcedores e jornalistas, apesar de sua história vencedora. O histórico recente e o fato de não dirigir um time desde outubro de 2017, quando deixou o Sport, pelo qual conquistou o Pernambucano daquele ano, geram os questionamentos.

O experiente treinador assume efetivamente a equipe justamente após a humilhação enfrentada por Sidão, eleito por internautas como craque da derrota por 3 a 0 para o Santos em votação feita pela Globo.

Dentro e fora de campo, o episódio representa uma prova de fogo para Luxa. Nas quatro linhas, seu trabalho é preparar melhor todo o time do Vasco para sair tocando a bola da defesa em momentos de marcação sob pressão feita pelos adversários.

O lance que originou o primeiro gol santista e a posterior bizarra premiação dada pela Globo ao goleiro mostrou despreparo de Sidão para enfrentar a famosa marcação alta.

Acuado, ele tomou a decisão mais arriscada. Preferiu sair jogando pelo meio de dois adversários. Tinha um companheiro livre à sua esquerda, na lateral. Por ali, apesar de a bola ainda poder ser interceptada no meio do caminho, a chance de sucesso era maior na opinião deste blogueiro. A alternativa mais segura era recorrer a um chutão para o alto.

São várias situações a serem analisadas em curtíssimo intervalo de tempo. Cabe ao treinador preparar os atletas para fazer a escolha certa. Olhar o mapa do campo no momento e tomar a melhor decisão requer muito treino. Não só por parte do goleiro, mas dos demais jogadores que devem se movimentar para oferecer a ele caminhos mais seguros.

Isso é só parte do trabalho. É preciso também a repetição à exaustão das trocas de passe com marcação dura. Se conseguir harmonizar tudo isso, Luxemburgo ganhará muitos pontos.

Fora do campo, treinador terá que mostrar o quanto ainda tem poder para fortalecer mentalmente seus comandados. Suas estratégias são as mesmas do passado e estão defasadas? São idênticas mas ainda dão resultados? Ou ele aprendeu novas e poderosas técnicas?

A resposta será dada com Sidão, jogador que Luxa encontra sob imensa pressão. Se o goleiro tiver equilíbrio emocional acima da média, pode até se livrar dessa sem a participação decisiva do técnico. Mas o apoio do treinador, feito de forma eficiente, certamente fará com que a recuperação do goleiro seja mais rápida e menos dolorosa.

Nesse cenário, a sacanagem cometida por torcedores na internet com Sidão, e a decisão infeliz da Globo de entregar o troféu a ele, nos fazem olhar ainda com mais atenção para o trabalho de Luxa em São Januário.