Os 10 mandamentos do filósofo do futebol

Leia o post original por Flavio Prado

Estive com Johan Cruyff duas vezes. Numa delas fiz uma longa entrevista em Milão, em 1989. Foram momentos de muito aprendizado, mas esse gênio da bola, tanto jogando como treinando, deixou várias frases, que servem como guia de quem ama o jogo e quer vê-lo bem jogado, acima de qualquer resultado. Passo algumas aqui, veja se consegue discordar de algo.

1- Há só uma bola em campo e o meu time deve ficar com ela. (Sobre jogar com mais posse de bola)

2- Jogar futebol é simples, mas jogar futebol de maneira simples é difícil. (E muitas vezes a simplicidade de ter a bola é contestada)

3- Quando se tem a bola é preciso trabalhar para deixar o campo o maior possível, quando ela está com o adversário temos que           deixá-lo o menor que pudermos. (Marcar sob pressão intensa e jogar pelos lados com pontas bem abertos).

4- Ser veloz não é correr mais que o outro, é começar a correr na hora certa. (Jogar com inteligência, não de qualquer jeito).

5- Qualidade sem resultado é inútil, resultado sem qualidade é entediante. ( Não há o que explicar)

6- No meu time o goleiro é o primeiro atacante e o centroavante é o primeiro defensor. (Futebol total de Rinus Mitchels, guru de           Cruyff)

7- Um jogador tem contato com a bola em média três minutos por jogo. O que define o grande jogador é o que ele faz nos outros      87 minutos. (Jogo coletivo acima de tudo)

8- Futebol se joga com a cabeça, as pernas estão ali para ajudar. (O craque pensa na frente).

9- Deve-se trabalhar para que os piores jogadores adversários sejam os que mais toquem na bola, porque aí ela voltará rápido para      o meu time. (Não há o que explicar).

10-Futebol não é sofrimento, é diversão. Tenha a bola, trate-a bem, tente atacar e marcar gols. (Sobre a necessidade do jogo ser           bonito).

 

Há mais idéias de Cruyff que pode ser comentadas. Deixo esses primeiros dez mandamentos. Falaremos mais dele em breve. Futebol bonito não se discute, se curte. Futebol de resultado se tolera, mas não há prazer em vê-lo. É questão de escolha de cada um.