Melhores do mundo?

Leia o post original por Flavio Prado

O futebol brasileiro é ou foi, algum dia, o melhor do mundo? Vamos pensar com frieza. Hoje se define muito a força de um treinador ou time de futebol pelos títulos que conquista. Chegam ao absurdo de considerar a seleção de 1994 melhor que a de 1982, porque uma, pior, venceu e outra, muito melhor em todos os sentidos, foi derrotada. Já que é assim, vamos aos números.

A Libertadores da América começou em 1960 ou seja nos “anos de ouro do futebol”. Esse período passa, segundo os historiadores, pelo final dos anos 50 até o final dos anos 80, concordam? Tantos que o time de 90 na Copa da Itália, foi excomungado e a de 94, como já citei antes, jogava feio. Definido o ciclo “glorioso”, vamos aos números.

De 1960 até 1991 os clubes brasileiros ganharam apenas 5 Libertadores, sendo 2 com o Santos de Pelé e cito isso porque quero colocar o maior atleta do século, nessa proposta de discussão sobre a realidade do nosso principal esporte. Em termos de Copa América, o Brasil ficou de 1949 até 1989 sem ganhar. Venceu em 1949 e 1989 jogando como país sede. A primeira vez que conquistou fora foi em 1997, já com a maioria os jogadores atuando na Europa.

Temos a Copa do Mundo. Sim o Brasil venceu 5 vezes, mais que todos. De novo me permito colocar Pelé nessa história. Ele estava em 3 delas, mas ainda assim excluirei 1962 onde ele atuou bem pouco. Também não vou entrar em detalhes, pouco republicanos, de como foi aquela conquista, contada como façanha por compra de árbitros e atuação brilhante na final de jogador brasileiro, Garrincha, que tinha sido expulso na semi final, numa competição que previa a suspensão automática.

Mesmo nas Copas o Brasil ficou sem título de 1970 até 1994, ou seja em grande parte dos “anos de ouro”. Aqui vale lembrar que 1970 foi a última Copa disputada por Pelé. Então temos um período de “ouro” brasileiro de praticamente 20 anos, onde venceram apenas 5 Libertadores ausentando-se de algumas poucas por choradeiras, que passavam por violência, “compra” de juízes e doping dos adversários, embora por aqui as coisas não fossem muito diferentes em vários casos, que poderemos citar em outras postagens. Nenhuma Copa América foi conquistada.

Das 5 Libertadores, 2 vieram com Pelé no Santos. E nas 3 Copas conquistadas Pelé sempre esteve, sendo protagonista muito destacado em 2. Oito títulos revelantes, 4 com o maior jogador de todos os tempos. 50% do total. Pelé nasceu no Brasil. Não há mérito nenhum do nosso futebol nisso. Ele nasceu aqui por sorte nossa. Poderia ser russo, chines, alemão ou moçambicano. O nascimento dele não credencia o país como força. Demos grande sorte.

Os jogadores brasileiros no exterior fizeram muito sucesso nos “anos de ouro”. Mas eram pouquíssimos pelas leis da época. Julinho Botelho, Falcão, Zico eram os nossos mais espetaculares. E mostraram seus talentos lá fora também. Eram bem acima da média. Não tínhamos dezenas deles.

Então a pergunta que fica é: o Brasil era mesmo o melhor ou tinha Pelé? Se era melhor, porque não ganhava tanto como os americanos ganham no basquete, onde são indiscutivelmente insuperáveis? E eu respondo. O jeito de jogar dos brasileiros era muito agradável. Essa era a razão do respeito, que se impôs no mundo todo. Para os “resultadistas” será uma tragédia constatar que se vencia, internacionalmente, pouco.

O que sempre fez diferença a favor dos brasileiros era o jeito de atuar, não os resultados. Talvez com a presença de um argentino, Sampaoli, com Fernando Diniz, com Tiago Nunes e alguns outros “malucos”, estejamos voltando as nossas reais origens. Jogo bom de se ver. Aí sim, achamos nosso espaço. Os resultados “espetaculares” são mais conversa de ‘”Mulheres de Ló”, aqueles que ficam como estátuas de sal vendo o que passou, com um brilho inexistente, sem perceber que paramos no tempo, há muito tempo.