Enquanto isso, na NFL…

Leia o post original por André Kfouri

Bob Quinn, gerente geral do Detroit Lions da NFL, estava lívido na porta do vestiário de seu time na segunda-feira passada, após a derrota para o Green Bay Packers exibida em rede nacional de televisão. Quatro decisões da arbitragem foram desfavoráveis aos Lions durante o jogo, entre elas duas faltas de “mãos no rosto” que os replays de vídeo mostraram que não houve. “O vídeo não pode olhar a cor do capacete”, disse Quinn. “O Detroit Lions está revoltado porque algumas situações envolvendo o vídeo são pontuais. Para alguns clubes o vídeo trabalha, e para outros ele não trabalha”, acrescentou, e foi além: “Nós temos essas faltas chamadas em todos os jogos, e ontem um jogador do New England Patriots fez a mesma coisa e o vídeo, me parece, estava desligado”, completou.

As suspeitas sobre o uso da tecnologia como ferramenta de manipulação da arbitragem estão disseminadas na NFL, liga esportiva mais valiosa do mundo. Técnicos e executivos não se entendem em relação ao papel do vídeo como auxílio aos árbitros em campo, a ponto de fazerem acusações diretas de favorecimento. No início da semana, o dono do Miami Dolphins, Stephen Ross, fez coro com as sugestões de que o campeonato deste ano está corrompido. “Se depender do vídeo, os Patriots serão campeões”, disse. Em meio aos disparos, o comissário Roger Goodell mergulhou em profundo silêncio, receoso de que qualquer manifestação poderia inflamar ainda mais as relações entre clubes, com evidentes reflexos nas bases de torcedores.

Mas é tarde. A conectividade se encarregou de alimentar as teses de conspiração entre os torcedores de New England, reunidos em redes sociais e já agindo para defender o clube do que consideram ser uma perseguição declarada. No Twitter, perfis associados aos Patriots divulgaram informações sobre parentes dos árbitros escalados para atuar na próxima rodada. Membros da família de um desses árbitros seriam torcedores do Indianapolis Colts, e por isso, desejam os fãs, ele não deveria trabalhar no jogo na função designada de auxiliar do replay de vídeo. A associação dos árbitros da NFL também não se pronunciou sobre o assunto, embora ameaças virtuais e por mensagens de texto tenham sido registradas em um boletim de ocorrência. Há a informação, não confirmada por canais oficiais, de que o FBI teria aberto uma investigação para apurar responsabilidades.

Mencionado nominalmente por adversários, o New England Patriots não se manifestou enquanto esteve envolvido em jogos importantes. Na tarde de ontem, porém, o clube divulgou uma nota oficial com seu posicionamento, citando equívocos do apito no jogo contra o New York Giants: “O New England Patriots lamenta ter que se posicionar a respeito da arbitragem da NFL. Acreditamos que reclamações por parte de qualquer diretoria mancham a imagem do campeonato e, por isso, vínhamos adotando como postura não nos manifestarmos depois de cada jogo, apesar de já termos presenciado várias situações que, ao nosso ver, prejudicaram claramente nossa equipe. Esperamos que episódios como esses não voltem a ocorrer, especialmente quando o árbitro de hoje estiver envolvido novamente em uma partida importantíssima”.

A nota não respondeu diretamente as acusações dos dirigentes rivais, mas o técnico – e gerente geral de fato – dos Patriots, Bill Belichick, ironizou o proprietário dos Dolphins. “A gente não aguenta mais não reclamar e eles ficam igual a um gatinho miando. Só que eles vão bebendo leite e miando, aí ninguém aguenta. Vão comendo e bebendo leite, e arrebentando com os Patriots. Tem que ver com o dono dos Dolphins se ele viu o vídeo hoje. Vou deixar ele chegar em casa, ver na televisão a ver o que ele fala também”, declarou.

Procurado para comentar a crise, Alberto Riveron, vice-presidente de arbitragem da NFL, minimizou os episódios e se limitou a dizer que “alguns árbitros são meio cabeçudos”.

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