Corda esticada. Goiás 2 x 2 Flamengo.

Leia o post original por Mauro Beting

O Goiás é das boas surpresas do BR-19. A revelação do campeonato é o atacante Michael, autor do passe para o gol de Rafael Moura, e do empate esmeraldino (em lance que lá atrás prejudicou o Flamengo, com a falta que seria expulsão de RM em Filipe Luís que não foi marcada pelo sempre péssimo Ricardo Marques Ribeiro. O sucessor de Sandro Meira Ricci na arte de fazer mal e ainda ser premiado).

O Serra Dourada nunca é fácil de jogar para o visitante – embora mais da metade da arquibancada fosse eufórica rubro-negra. O mesmo time que sofreu o início da arrancada do Flamengo no torneio (naqueles 6 a 1 de show de Arrascaeta) desta vez foi a equipe mais consistente e competitiva que soube segurar o grande líder. Outra vez privado da intensidade, aplicação, técnica e dinâmica admiráveis.

Normal. A corda tão esticada também dá uma folgada. Alguns reservas não estão à altura do momento excelente do time de Jorge Jesus. É hora de tanto administrar a vantagem ainda enorme e o corpo e alma em Santiago – ou onde for a final. Ou finais da Libertadores.

A ótima notícia rubro-negra é que mesmo assim o time não perde desde a Bahia. Foi abrir o 2 a 0 em Goiânia com gols depois de escanteios. Bolas paradas bem trabalhadas – que também são uma arte, são recursos, e devem ser valorizadas. Ainda mais com Pablo Marí pra ganhar quase tudo por cima, e Rodrigo Caio em dias goleadores.

O desgaste mental e físico também pesa. Além da expulsão do atrapalhado César, isso também contou no final. O destempero entre Arão e Gabriel Barbosa no gramado depois do apito final é alerta. Não é motivo pra crise. Nem pra empurrar com a barriga ou pra debaixo do tapete do banheiro do vestiário. É pra intervenção que teve ainda em campo JJ. Não pra passar pano. Mas pra lavar o uniforme sujo. Na hora. Sem pendurar a conta e nem no armário.

Administrado vaidades e desgastes, o Flamengo vai longe. No Brasileirão e na Libertadores. E quem sabe mais além.