Vira-vira-virou-empatou com dois vencedores. Flamengo 4 x 4 Vasco.

Leia o post original por Mauro Beting

Jorge Jesus redescobriu o futebol do Brasil neste Flamengo encantador que caminha para superar o Cruzeiro de 2003 de Luxemburgo como o melhor futebol deste século no país. Mas o próprio “ex-treinador em atividade” (SIC) mostrou que ainda está muito vivo, fazendo do limitado Vasco um adversário do respeito que não se tem por quem tem história.

O maior jogo deste ano no Brasil. Tinha que ser no templo do futebol mundial. O Maracanã merecia esse 4 x 4. Clássico dos Milhões honrando a história que não se apaga. Flamengo a caminho de ser o melhor time deste século. Vasco mostrando o caminho para voltar a ser o que é.

Parabéns, mister, por redescobrir o futebol brasileiro. Parabéns, mestre Luxa, por fazer quem não te gosta te redescobrir.

Perdão pela repetição. Mas os dois merecem o reconhecimento. Como o vascaíno mereceu ir buscar o placar adverso como os últimos anos. Como o Vasco merecia mais vascaínos no Maracanã. Como Bruno Henrique merecia a vitória e todos os elogios por conseguir superar Gabriel Barbosa e tanta gente ótima como craque do BR-19.

Como os dois times mereciam três pontos pela partida do tamanho do Maracanã. É um 4 x 4 que foi um festival de gols, futebol e emoção com dois grandes vencedores. Grandes erros que também não merecem ser mais valorizados que o acerto de um clássico com 8 gols.

O Flamengo fez o que dele se esperava logo com 39 segundos. Reinier acelerou pela esquerda a bola que sobrou para Everton Ribeiro fazer 1 a 0. Na transmissão com audiência recorde do Esporte Interativo pelo YouTube, disse então que parecia uma Ferrari de Fórmula 1 contra um Lada de kart. O Flamengo dando as caras e o jogo contra o debilitado Vasco.

Queimaria a língua a seguir.

Mesmo fechadinho num 4-4-2 com linhas próximas sem a bola, o Vasco não sentiu a pressão rival. Apenas o peso da própria camisa histórica como a colina. Gabriel Barbosa ainda obrigaria Fernando Miguel a praticar boa defesa aos 2 minutos. Mas até o empate vascaíno, mesmo com a bola mais aos pés do grande líder, quem teve mais chances foi o Vasco. Até o empate bem construído pelo incansável Raul para Marrony, aos 35. Num lance que expõe a volúpia e ao mesmo tempo alguma ousadia extrema do Flamengo. Pela segunda vez Rodrigo Caio armava como se fosse um meia pela direita. Até perder a bola quase na área do Vasco e, na sequência, no buraco dele, o rival se criar até o empate que virou virada aos 37. Quando Pikachu bateu bem o pênalti que ele sofreu de Rodrigo Caio, depois de caneta sensacional em Pablo Marí.

O Vasco levava ao vestiário uma virada tão inesperada quanto impressionante quando sofreu o empate, aos 49. E bota sofrimento nisso. Bola parada bem trabalhada por JJ deu no cruzamento de Rafinha que desviou em Danilo Barcelos. 2 x 2 e a celebração do lateral como Edmundo nos 4 a 1 vascaínos sobre o Flamengo na semifinal do BR-97. Vale a provocação-homenagem para o comentarista do Fox Sports que o comparou a Pará…

Sou muito fã dos dois. E gosto quando se atiça com humor.

Na segunda etapa, Jorge Jesus chamou a cavalaria. Sacou Reinier e voltou com Arrascaeta. O time ideal em campo. Mas quem voltou melhor foi o Vasco. Trabalhando bem a bola até Pikachu achar Rossi e este servir Marcos Júnior, em outra desatenção defensiva rubro-negra, com 6 minutos.

O Flamengo sentiu. O Vasco cresceu. Até demais. Acabou dando o contragolpe letal para este Flamengo que ataca e contra-ataca melhor do que qualquer time no país. Bruno Henrique voando para achar Arrascaeta que rolou para BH não perder a chance. Mais uma vez. 3 x 3 espetacular, aos 19.

Aos 24, não teve gol de Gabigol. Furada espantosa na cara do gol. Não era uma noite normal.

Aos 34, mais uma grande sacada de JJ. Vitinho aberto pela direita, Everton Ribeiro no lugar de Gerson que estava pedindo para ser expulso (em jogo que faltaram outros cartões amarelos para Marí e Guarin).

A ousadia deu certo aos 35, na melhor jogada com a camisa do Flamengo do caríssimo Vitinho. Pela direita cruzou para Gabriel dar a casca e Bruno Henrique fuzilar de canhota, de sem-pulo. A perna menos ótima do atacante em fase absurda. Golaço de cair o Maracanã e encomendar ainda mais a faixa do mais do que merecido hepta.

Mas era noite de regaste vascaíno. Ele não merecia perder esse clássico. Luxemburgo foi empilhando gente na frente. Acabou achando o empate aos 43, na bola que Henriquez cabeceou para a área, Rodrigo Caio foi superado por Ribamar, que se antecipou a Diego Alves que demorou a sair da meta.

Um espetáculo. Não apenas porque o clássico quase sempre iguala os desiguais. Mas porque as duas equipes jogaram como gigantes que são.

Um empate com dois vencedores.

O futebol vive. Revive. Como o Vasco virou, o Flamengo revirou, o clássico empatou com dois vencedores.

Só está morto quem se acha vivo demais.