Análise: Santos lamenta menos saída de Sampaoli do que você imagina

Leia o post original por Perrone

Olhando de fora fica a impressão de que Jorge Sampaoli ganhou status de intocável no Santos por conta da campanha que culminou com o vice-campeonato no Brasileirão. Não é bem assim. Claro que o desejo no clube era de que ele permanecesse. Porém, várias críticas pontuam a passagem do argentino, que teve pedido de demissão anunciado, pela Vila Belmiro. Confira abaixo.

1 – Erros

É consenso no Santos de que o time terminou o Brasileirão com uma exibição de gala na vitória por 4 a 0 sobre o Flamengo. Porém, pelo menos parte da diretoria, dos conselheiros e da torcida não esquece o que são consideradas falhas de Sampaoli na escalação do time. As principais queixas são as partidas em que ele escalou três zagueiros e as vezes em que deixou Sánchez no banco.

2 – Falta de títulos

Existe uma corrente no Santos que entende que o elenco alvinegro não é tão fraco como aponta parcela da imprensa. Há o reconhecimento de que é um feito alcançar o vice-campeonato brasileiro, porém, o sentimento é de que faltou uma taça na era Sampaoli. A principal reclamação é a eliminação diante do River Plate do Uruguai, clube com investimento bem menor, na primeira fase Sul-Americana, com portões fechados.

3 – Reforços que não funcionaram

As contratações de Cueva e Uribe são colocadas na conta de Sampaoli e usadas como exemplo de grandes erros que ele teria cometido no Santos. Cueva já tinha histórico de indisciplina quando foi contratado. Repetiu os problemas, foi afastado do time e o clube tem que pagar cerca de R$ 26 milhões por sua contratação a partir do ano que vem. Por sua vez, Uribe foi defendido pelo treinador após suas primeiras partidas ruins, mas perdeu espaço para Sasha, indicado por Jair Ventura, ex-técnico do time. Os críticos admitem que o argentino também teve seus acertos na indicação de reforços, como com Soteldo.

4 – Últimas exigências

A cobrança por reforços de peso para 2020 irritou o presidente José Carlos Peres. O cartola sustenta que nunca prometeu investimentos pesados para o segundo ano de Sampaoli na Vila Belmiro e que sempre foi transparente sobre as dificuldades financeiras. No entorno do dirigente há quem acredite que o técnico foi tão incisivo nas cobranças porque queria uma justificativa para deixar o clube. Ele é o preferido do Palmeiras para a vaga de Mano Menezes. Porém, boa parte do Comitê de Gestão santista não concorda com a tese. Avalia que essa é a forma de trabalhar do técnico. No entanto, a ideia geral é de que o Santos não poderia gastar mais do que planeja para satisfazer o argentino. Assim, entre endividar ainda mais a instituição e perder o treinador a segunda opção era a preferida.