Aliados de Garcia usam votação contra Andrés como sinal de distanciamento

Leia o post original por Perrone

Paulo Garcia não está alinhado com Andrés Sanchez e não será apoiado pelo atual presidente corintiano na eleição presidencial no fim do ano. É o que insistem em dizer os aliados de um dos donos da rede Kalunga. Para sustentar esse argumento, eles passaram a usar a decisão do Cori (Conselho de Orientação do Corinthians) de recomendar a reprovação das contas apresentadas pela diretoria referentes a 2019.

O argumento é de que os membros do Cori que fazem parte do grupo de Garcia votaram na última segunda (13) pela recomendação de rejeição. A reunião terminou com seis votos favoráveis à orientação de reprovação e cinco pela aprovação. A votação final será feita pelo Conselho Deliberativo. Se as contas forem rejeitadas, um processo de impeachment poderá ser aberto contra Andrés.

“Para alguns incrédulos que diziam que nosso grupo votaria a favor das contas, esse é o início. Todas pessoas ligadas ao Paulo no Cori votaram pela rejeição”, disse Fran Papaiordanou, um dos principais aliados de Garcia na política corintiana. O blog identificou três simpatizantes de Garcia entre os que votaram pela recomendação contrária à aprovação das contas.

Além da discussão sobre a possibilidade de Andrés apoiar Garcia para presidente, outro ponto que torna importante o posicionamento dos aliados do empresário no Cori é a votação das contas no conselho.

Pelo menos a maioria dos principais líderes políticos alvinegros entende que só com o suporte de Garcia o atual presidente teria chances de evitar a reprovação das contas no órgão.

Assim, o comportamento da ala de Garcia no Cori é usado por seus aliados como demonstração de que o grupo não socorrerá Sanchez no conselho.

O discurso dos apoiadores do empresário é de que a ala vota contra as contas não por questão política, mas tecnicamente. A motivação está, segundo eles, em falhas que enxergam nas contas e no balanço de 2019.

Os argumentos são os mesmos usados pelo Conselho Fiscal para recomendar a reprovação. Os pontos centrais são a diferença entre a previsão de superávit de R$ 650 mil e o déficit anunciado de R$ 177 milhões em 2019, além da ausência de detalhes de uma cobrança judicial milionária feita pelo JMalucelli envolvendo a venda de Jucilei. A diretoria nega ter cometido irregularidades.

Entre conselheiros do clube, Garcia costuma enfrentar a suspeita de alinhamento com Sanchez, apesar de ter sido um dos candidatos derrotados na última eleição.

Um dos argumentos de quem aponta proximidade entre ambos é o fato de Garcia, por meio de suas empresas, ter sido o principal doador da campanha vitoriosa de Andrés a deputado federal em 2014.

Concorrentes políticos de Garcia fazem barulho em relação à constatação de que o agente de jogadores Fernando Garcia, irmão de Paulo, ter longo histórico de negociações com o Corinthians nas gestões de Sanchez e de presidentes ligados a seu grupo político.

Paulo, no entanto, não tem participação nos negócios do irmão, que é amigo de Andrés desde os tempos em que era conselheiro corintiano e já atuava como empresário. Depois de suas negociações ganharem destaque, ele se retirou do órgão alvinegro.

Aliados de Paulo afirmam que, se ele for eleito presidente, o Corinthians não fará negócios com seu irmão.

Paulo ainda não lançou sua candidatura, mas já articula apoios importantes para a campanha.

O ex-presidente Mário Gobbi, que votou pela recomendação de rejeição das contas no Cori, e Augusto Melo já formalizaram fizeram lançamento oficial, apesar de o registro para chapas não estar aberto.

Duílio Monteiro Alves, diretor de futebol do clube, é cotado como possível candidato situacionista.