Gastos com demissão de Jesualdo viram munição contra Peres no Santos

Leia o post original por Perrone

A demissão de Jesualdo Ferreira virou munição para ao menos parte dos conselheiros que defendem o rápido afastamento de José Carlos Peres da presidência do Santos após a reprovação das contas de 2019.

De acordo com membros do Conselho Deliberativo, o clube vai gastar com a rescisão contratual do treinador e seus assistentes cerca de R$ 7,3 milhões. Só a multa referente ao contrato do português é de R$ 5 milhões.

O argumento é de que a demissão de Jesualdo mostra que, se não for afastado logo, Peres irá agravar ainda mais a situação financeira do clube. Salários atrasam com frequência e clubes credores cobram dívidas do alvinegro litorâneo na Fifa.

Quem defende essa tese diz que o correto seria dar mais tempo para Jesualdo. Se o time não rendesse, seria possível gastar menos com a demissão já que o valor da multa ficaria menor no decorrer do contrato.

Porém, prevaleceu no Comitê de Gestão o pensamento de que o clube correria o risco de se complicar no Brasileirão caso não demitisse o português antes de a competição começar. Essa ideia também era defendida por parte dos conselheiros.

A reprovação das contas pelo Conselho Deliberativo, consumada na última segunda (5), abre caminho estatutário para um processo de afastamento do presidente em sintonia com o Profut, programa que refinanciou dívidas fiscais dos clubes.

Nesse momento, a Comissão de Inquérito e Sindicância (CIS), responsável por analisar o caso e indicar ao conselho eventuais punições a Peres, é cobrada para agir com rapidez, sem atropelar os prazos para a defesa do dirigente.

O presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Teixeira, também é pressionado para dar celeridade ao processo.

Os que têm mais pressa esperam que ainda em agosto a CIS apresente seu relatório. Ele acreditam num pedido de abertura do processo e do afastamento temporário do cartola enquanto ele se defende.

Os números dos gastos provocados pela saída Jesualdo são martelados para pedir  uma definição rápida, antes que a dívida do Santos aumente ainda mais graças a outras atitudes do presidente.

O eventual afastamento de Peres, se aprovado pelo conselho, teria que passar também pelo crivo dos sócios. Na versão considerada rápida, o processo terminaria só em novembro. As regras de flexibilização de distanciamento social por conta da pandemia de covid-19 podem gerar contratempos. Porém, no cenário planejado pelos principais críticos do presidente, ele ficaria suspenso durante todo esse período.

Indagado sobre os gastos com a demissão de Jesualdo serem usados por conselheiros para pedir seu afastamento de maneira rápida, Peres não respondeu até a conclusão deste post. Ele também não comentou os valores.

O dirigente diz que não cometeu irregularidades e contesta a rejeição de suas contas.