T. Nunes demitido e Duílio candidato à presidência é injusto e incoerente

Leia o post original por Perrone

A demissão de Tiago Nunes no Corinthians repete uma injusta e incoerente situação vista com frequência no futebol brasileiro. O treinador fica praticamente com toda a culpa pelo fracasso. E o dirigente sai ileso.

No caso do ex-técnico corintiano, injustiça e incoerência estão ainda mais escancaradas.

Enquanto Tiago está desempregado, o ex-diretor de futebol, Duílio Monteiro Alves, é lançado candidato da situação à presidência do clube na eleição marcada para novembro.

É como se dois dos envolvidos diretamente no naufrágio de um navio fossem julgados e tivessem resultados bem diferentes. Um levou a pena máxima, no caso, a demissão. Já o outro foi premiado, ganhou a oportunidade de disputar a cadeira mais cobiçada de um dos maiores clubes do país.

É como se Duílio não tivesse participado da contratação de Tiago, que foi muito mal no cargo, e de uma série de jogadores criticados por torcida e imprensa.

Parece até que o técnico apareceu do nada no clube e saiu contratando sem ter que dar satisfação a ninguém.

Difícil entender como o trabalho de Tiago pode ser reprovado e o de seu chefe aprovado. Ou ser escolhido pelo presidente do clube, Andrés Sanchez, para tentar ser seu sucessor não significa aprovação?

Duílio foi um dos responsáveis por toda a estrutura que afundou com o técnico. “Ah, mas o trabalho dele não pode ser avaliado só pelo desempenho do time nesta temporada”, podem dizer alguns. Mas foi dado ao treinador o mesmo tempo de trabalho? Não.

É preciso ainda lembrar que o Corinthians atrasou quatro meses de salários de jogadores e comissão técnica. E Duílio fazia parte da diretoria responsável por isso. É complicado trabalhar bem sem receber.

O ex-diretor de futebol, que deixou o posto para cuidar da campanha, não deveria sair ileso do diagnóstico de que o treinador perdeu o apoio dos jogadores. Uma de suas tarefas era evitar que a situação chegasse a tal ponto.

O trabalho de Tiago Nunes foi péssimo. Seria difícil mantê-lo no cargo. Não defendia essa permanência. O que não dá para engolir é que alguém que também errou feio seja escolhido para tentar alcançar em poucos meses a presidência. Esse tipo de imunidade para cartolas não deveria existir. Todos precisam arcar com seus erros. Demitir um e promover outro não faz sentido.