Funcionários do Fla se incomodam com postura do clube em recentes polêmicas

Leia o post original por Perrone

Com Pedro Ivo Almeida, do UOL, em São Paulo

As críticas à postura da diretoria do Flamengo feitas nos bastidores por presidentes de outros clubes da Série A começaram a ecoar na Gávea.

De acordo com pelo menos quatro funcionários de diferentes departamentos do rubro-negro ouvidos pela reportagem há entre parte dos empregados clube incômodo com atitudes dos dirigentes que colocaram outras agremiações contra o Flamengo.

A crítica interna é semelhante à externa. O ponto central é de que a atual gestão “olha apenas para o próprio umbigo” e tenta impor sua vontade, ignorando interesses em comum dos clubes.

De acordo com a queixa, isso dificulta o trabalho desses funcionários quando eles tentam desenvolver ações com outros clubes ou realizar operações comerciais que dependem de uma boa rede de relacionamentos no meio.

Um dos profissionais ouvidos disse que está muito difícil trabalhar no Flamengo por conta de atitudes recentes da diretoria que teriam isolado a agremiação e por causa do ego de alguns cartolas.

Por sua vez, o clube diz desconhecer as críticas de empregados. Ao blog, o departamento de comunicação rubro-negro afirmou que o Flamengo acabou de fechar uma parceria com o Vasco para a transmissão de jogos do sub-20. O acordo é visto como uma demonstração de que não há dificuldade em desenvolver ações em conjunto.

Isolado?

Dois presidentes de clubes da Série A descreveram para o blog o Flamengo como isolado em relação às demais agremiações por priorizar seus interesses sem pensar no bem coletivo.

O fato de os outros 19 clubes da primeira divisão terem votado contra a volta de público em outubro em videoconferência organizada pela CBF no último sábado é usado para  defender que há isolamento.

O presidente Rodolfo Landim não participou da sessão à distância. Em nota, o Flamengo justificou a ausência alegando, entre outros motivos, “que entende que o tema em pauta é estranho à competência dos clubes e da CBF, não havendo nada a sugerir, nem decidir, em matéria cuja atribuição é privativa das autoridades públicas locais, conforme, inclusive, já decidiu o Supremo Tribunal Federal”.

O auge da irritação dos demais dirigentes com a diretoria comandada por Landim aconteceu no último fim de semana em virtude do pedido de adiamento da partida contra o Palmeiras devido ao surto de covid-19 entre os flamenguistas.

A marcação de uma reunião dos times da Série A para discutir possíveis retaliações ao Flamengo chegou a entrar em pauta antes de o jogo ser confirmado pela Justiça.

Presidente de uma dessas agremiações disse ao blog que os clubes entendem a importância do Flamengo, mas que o rubro-negro também precisa entender e respeitar a voz da maioria.

O fato de dirigentes do Flamengo terem costurado com Jair Bolsonaro a MP do mandante sem consultar as outras agremiações engrossa o caldo de rejeição à diretoria do clube.

Essa nuvem de mágoas é carregada também pelo imbróglio entre Flamengo e Globo, que culminou com a decisão da emissora de rescindir o contrato para a transmissão do Estadual do Rio.

A Globo tomou a decisão depois de o rubro-negro ter transmitido em suas redes sociais partida com o Boa Vista. Segundo a empresa, a transmissão, baseada na MP do Mandante, desrespeitou o contrato.

Cartolas críticos de Landim alegam que esse é um exemplo de como o clube da Gávea só se importa com seus interesses.

O que diz o Flamengo?

Para o rubro-negro há exageros e avaliações erradas em críticas feitas à atitudes da diretoria.

Contra o argumento de que o Fla só pensa nele, o departamento de comunicação usa o contrato de direitos internacionais de transmissão do Brasileirão como exemplo.

A explicação é que o clube tinha uma proposta de exclusividade vinda da China, mas preferiu assinar contrato coletivo com outra empresa recebendo o mesmo que os demais times.

A ideia de isolamento do rubro-negro é rejeitada com a alegação de que rotineiramente o Flamengo lida com as outras agremiações de forma parceira.

Também de acordo com o departamento de comunicação, o rubro-negro não força a barra pela volta do público agora, mas entende que é o momento de a ideia ser debatida.

A respeito dos direitos de transmissão do Estadual, o entendimento é de que simplesmente não havia contrato em vigência com a Globo e o Flamengo não concordou com o valor final oferecido, sem interesse em prejudicar outras equipes. Já a MP é vista como um benefício para todas as agremiações.