CBF: jogo na TV Brasil foi por viabilidade, não para agradar ao governo

Leia o post original por Perrone

Nesta quarta (14), o blog publicou post opinativo comentando sobre a exibição do jogo contra o Peru na TV Brasil mostrar como a seleção  brasileira pode ser usada para empoderar cartolas da CBF. Isso porque o Governo Federal pediu que a partida passasse em TV aberta, e a entidade comprou os direitos cedendo-os à emissora pública. Apesar de ser uma opinião, este blogueiro recebeu à noite telefonema de integrante da confederação refutando argumentos apresentados no artigo.

A versão relatada é de que a CBF não negociou com o Governo Federal pela exibição do jogo e que o principal interesse da cúpula da entidade foi permitir que as pessoas pudessem assistir à seleção sem custos. Também foi negado que os dirigentes vão pedir favores ao governo em troca da transmissão da partida.

O blog não afirmou que isso vai acontecer, mas argumentou que dirigentes de clubes com dificuldades para serem ouvidos em Brasília podem recorrer a Rogério Caboclo, presidente da CBF, que recebeu abraços e agradecimentos do governo durante a transmissão.

A versão informada por membro da confederação dá conta de que a entidade tinha a informação, ainda na terça, de que Globo e SBT tentariam transmitir o jogo. Por volta das 17h, vendo que nenhuma negociação avançou, Caboclo acionou Edu Zebini, diretor de mídia da CBF, e pediu que ele tentasse negociar com a Mediapro, que comprou os direitos da partida junto à federação peruana.

A avaliação na CBF foi de que havia clima para negociar porque a empresa já realizou ação relacionada ao “Museu Seleção Brasileira” e tem interesse em direitos de transmissão de partidas da seleção.

Segundo a mesma fonte, a Mediapro disse que não venderia os direitos do jogo com o Peru se a CBF fizesse uma revenda ou os repassasse para uma emissora que comercializasse cotas de patrocínio, informações anteriormente publicadas pelo “Blog do Marcel Rizzo”. A explicação foi de que a empresa perderia credibilidade no mercado, se isso acontecesse.

Nesse ponto, a confederação entendeu que só a TV Brasil teria condições de cumprir essas exigências. Ela não vende cotas de patrocínio e poderia transmitir o jogo para todo o território nacional, pois já transmite a Série D do Brasileiro.

Zebini, então, ligou para representante da emissora pública, ligada ao poder executivo, para se certificar de que ela poderia viabilizar a transmissão. Com a resposta afirmativa, ele concluiu a negociação com a Mediapro.

A CBF não revela quanto pagou pelos direitos de transmissão do jogo, mas o comentário na entidade dá conta de que “não foi barato”. O relato ouvido pelo blog é de que o interesse em que o público tivesse uma alternativa para ver a partida sem ter que pagar para assistir pelo canal EI Plus e dar visibilidade a seus patrocinadores, especialmente a Nike, motivaram o investimento feito pela CBF.

Em relação ao comentário deste blogueiro sobre existirem interesses em jogo no futebol brasileiro que passam por Brasília, como MP do Mandante e repactuação das dívidas fiscais dos clubes, o mesmo integrante da confederação afirmou que são questões que não estão ligadas diretamente à CBF e que estão no Congresso Nacional, não nas mãos do executivo. E que não existe a possibilidade de a entidade pedir favores ao governo.

Outro ponto negado foi que a CBF possa usar eventual proximidade com o governo federal para manter uma relação de clientelismo junto aos clubes.

Após ouvir todos os argumentos, o blog entendeu ser justo publicá-los. Porém, mantém sua opinião de que a transmissão do jogo pela TV Brasil reforçou que a seleção pode ser usada para aumentar o cacife político  de dirigentes. Não é, no entanto, uma afirmação de que,  necessariamente, cartolas e governantes irão trocar favores.