Arquivo da categoria: Ademir da Guia

Clássico da saudade

Leia o post original por Antero Greco

Quando era jovenzinho, lá pelo final dos anos 60 e começo dos 70 do século passado, assistia a muitos jogos nos estádios. Na época, a carteirinha de estudante e a idade me permitiam entrar de graça. Para um menino de classe média baixa, do Bom Retiro, esse era programão. Por isso, não perdia partidas do meu time, claro, mas curtia ver os rivais em ação. Os cinco grandes (sim, a Lusa incluída) tinham formações de dar gosto.

Fascínio pra valer era o clássico Palmeiras x Santos. De um lado, a Academia alviverde; de outro, a fabulosa máquina alvinegra de jogar bola. Os dois juntos formavam uma seleção, com titulares e reservas. Perdi a conta de quantas vezes acompanhei de perto o duelo, sobretudo se estivessem em campo Pelé e Ademir da Guia!

Juro que não é saudosismo, nem aquele papo de “no meu tempo”… Mas vovôs de hoje, que por acaso estejam a ler esta crônica, podem comprovar: que lindeza, que majestade o encontro das duas lendas (tenho como relíquia uma cópia de foto original, do arquivo do nosso “Estado”, em que aparecem em destaque Pelé e Ademir, numa dividida que mais parece passo de balé. Uma obra-prima, cujo autor no momento me foge à lembrança).

Alguns desses confrontos se fixaram na memória afetiva. Dois deles em 1965 e, por coincidência, com surras e tanto dos palestrinos. O primeiro, pelo Rio-São Paulo, em 31 de março, no aniversário de um ano da “Redentora”, aquela…

O Palmeiras foi ao Pacaembu com time completo, enquanto o Santos mandava reservas, porque a força máxima à noite jogaria com o Peñarol, em Buenos Aires, a “negra” nas semifinais da Taça Libertadores. Caiu cá e lá. Por aqui, foram 7 a 1, com três de Ademar Pantera. Acolá, os uruguaios venceram por 2 a 1 e foram para a final.

Em dezembro, o Santos já comemorava mais uma conquista de Paulistão e foi ao Parque Antarctica despreocupado da vida, para cumprir tabela. Levou sapecada de 5 a 0, três gols de Dario e dois de Servílio. Naquela tarde, Ademir da Guia não esteve em campo.
Não esqueço o troco santista (4 a 1), dois anos mais tarde, no mesmo local, também pelo Estadual, que era importante e dava prestígio. Toninho (2), Silva e Pelé calaram o saudoso estádio verde; Tupãzinho descontou.

Você me permite?, dou as escalações, porque só tinha artista. Palmeiras com Valdir, Djalma Santos, Baldocchi, Minuca, Ferrari; Dudu e Ademir; Cardozinho, Servílio, César, Tupãzinho. O Santos com Gilmar, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Oberdan, Rildo; Clodoaldo e Lima; Toninho, Silva, Pelé e Edu.

Um pouco mais crescido, então calouro do curso de Letras na USP, numa tarde de março de 1972, fui ao Pacaembu para me deliciar com outro choque entre as turmas de Ademir e Pelé. Ganharam os palmeirenses, por 2 a 1. Tenho bem viva uma cena: com poucos minutos de bola a rolar, Pelé tenta dar uma “caneta” em Dudu, toma um sarrafo, não abre o bico. Em respeito ao volante procura outro espaço para suas diabruras. Opaco…

Recordações de felicidade que o futebol proporcionou a mim e a tantos garotos que tinham caminho livre para frequentar praças esportivas, sem medo de brigas, com as torcidas misturadas e a curtir seus ídolos. O máximo de perigo que havia era o desentendimento de exaltados e bebuns, aqui ou ali, logo apartados pela turma do “deixa disso”.

Não sei quem colocou nesse jogo o apelido de “Clássico da Saudade”, em homenagem àquele período. Mas acertou. E que esta tarde possa entrar para a lista de histórias a serem citadas no futuro pelos que estiverem no Allianz. O primeiro teste importante para o Palmeiras embalado e para o Santos em busca de afirmação. Que Dudu, Lucas Lima, Renato, Gabigol (se entrar) e demais honrem a tradição de camisas de peso.

A culpa é do técnico?

Leia o post original por Quartarollo

Aqui no Brasil nós da imprensa gostamos de defender o trabalho do técnico.

Quando um é demitido, e às vezes há mesmo exagero nesse ponto, há um mal estar total na imprensa.

Acho que há mudanças e mudanças. Grêmio, Santos e Cruzeiro, por exemplo, mudaram para melhor no ano passado.

O futebol é muito desgastante para todo mundo. É jogo domingo, quarta e domingo e uma enxurrada de críticas e elogios.

Quem não souber conviver com isso está perdido. Como dizia meu amigo Marco Aurélio Cunha, a crítica e o elogio estão no pacote.

Ganham bem para ganhar e perder jogos e serem confrontados com toda esta situação com as análises da imprensa e dos torcedores.

Marcelo Oliveira está na berlinda de novo. Não adianta dizer que ele perdeu para um time bem armado como a Ferroviária e que ainda tem tudo para se classificar na Libertadores.

Fazendo uma analogia com Sérgio Vieira, o técnico da Ferroviária que ontem deu um show na Arena Palestra Itália e venceu por 2 x 1, na verdade Marcelo já é muito culpado.

Vieira chegou em janeiro e já tem um time bem desenhado. A passagem de bola é pelo meio-campo, os jogadores são móveis e o time é compacto.

Para muita gente jogar com bola no chão e mais próximos uns dos outros foi coisa inventada pelo Barcelona, mas a verdade é que no futebol brasileiro verdadeiro sempre se jogou assim.

Nós é que perdemos o jeito e os europeus copiaram com muita eficiência principalmente os times que têm mais dinheiro e conseguem contratar os melhores jogadores. Tudo isso guardada as devidas proporções e do espaço do passado para o presente.

Quem viu o Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes; o Palmeiras de Ademir da Guia; o São Paulo de Telê e antes dele o tricolor de Rocha e Cia.; o Flamengo de Zico; o Internacional montando por Minelli e comandado por Falcão; mais recentemente o Corinthians de Marcelinho, Rincon, Vampeta e Ricardinho; o Atlético Mineiro de Vanderlei, Cerezo e Reinaldo; o Guarani de Zé Carlos, Renato e Zenon e não vou nem falar do Santos de Mengálvio, Pelé, Coutinho e companhia bela, sabe bem do que estou falando.

Essa essência é que foi perdida. O jeito de jogar à brasileira, a nossa cultura futebolística e agora qualquer técnico que joga com time compacto e bola no chão é chamado de moderno, o que na verdade eu chamo apenas de competente.

No Palmeiras, Marcelo Oliveira tem melhores jogadores que Sérgio Vieira, mas o time é pior. Culpa de quem? Do treinador, sem dúvida nenhuma.

Era para ter um time melhor organizado, estar mais a frente que a Ferroviária e que outros times do país.

Já são 8 meses de trabalho e até agora não encontrou um time base justamente ele que diz que não gosta de rodízio.

Ah, falta um meia para fazer a passagem no meio-campo. Isso é balela, a Ferroviária não tem nenhum meia e tomou conta do jogo nesse setor apenas aproximando os seus jogadores.

Quando não tem um tipo de jogador que precisa para o seu esquema, é dever do técnico buscar outras alternativas.

Esse é o trabalho dele e nesse quesito Marcelo Oliveira também está devendo.

Valdivia não tira o Palmeiras da cabeça

Leia o post original por Antero Greco

Valdivia saiu do Palmeiras, mas pelo visto o Palmeiras não saiu de Valdivia. O chileno está fora do Palestra há bom tempo, mas não o tira da cabeça. Vira e mexe coloca em redes sociais comentário relacionado a seu ex-clube. Ou para mostrar-se próximo da torcida ou para alguma cornetada.

O mais recente encaixa-se no segundo caso. Na conta que mantém no Twitter, o rapaz que anda pela Arábia mandou hoje o seguinte post: “Ue problema de lesão não era so comigo ? Ah q era muito, q era migue , não se cuidava ? kkkkk tempo ao tempo q da razão ..!” (Mantida a grafia original, com ausência de acentos, erros e abreviações.)

Depreende-se que Valdivia tenha mandado indireta bem direta para o departamento médico palmeirense por causa de episódios de jogadores do elenco atual há muito fora de combate. O caso mais gritante é o de Cleiton Xavier, que nunca manteve regularidade desde que voltou, um ano atrás. E outros avulsos.

A estocada de Valdivia parece outra tentativa de espantar fantasmas que o perseguem. Ou mais: um esforço de comprovar que os imensos, intermináveis, seguidos períodos em que ficava no estaleiro se deviam a falhas no atendimento que recebia. Como se ele não tivesse nada a ver com a história, como se fosse vítima de incompetência, azar ou descaso.

O histórico de Valdivia, nos cincos longos anos que durou a segunda passagem pelo Palmeiras, fala por si. Ele próprio admitiu, e mais de uma vez, que teve parcela de culpa nas recaídas de contusão por não seguir à risca o que dita a cartilha do profissional “caxias”. Por que, então, insistir com as picuinhas com a antiga agremiação?

Valdivia fará melhor para si mesmo se tocar a vida na boa, com atenção voltada para o clube que lhe paga os salários na atualidade. E, mais ainda, se esquecer o Palmeiras. Precisa entender que um é página virada para o outro. O Palmeiras existiu, e muito bem, antes de Valdivia; Continuará a existir, por muito tempo, e extremamente bem, sem ele.

Se Valdivia tenciona preservar um pouco da imagem que lhe resta como jogador talentoso que vestiu a camisa verde, fará melhor se parar de atacar o clube. Já deu, já foi, já passou o tempo dele por lá.

Se não ofereceu mais do que o público esperava, ok, paciência. Às vezes, acontece. Mas não queira insistir em ter um lugar que não lhe cabe, numa galeria que conta com ídolos, ídolos de verdade, como Ademir, Dudu, Luiz Pereira, Marcos, Leivinha, César Sampaio, Evair, Cléber, César Maluco. Há dezenas à frente dele.

Que Valdivia seja feliz na vida e olhe para a frente. Com a certeza de que o Palmeiras segue feliz e leve, pois está acima e além de jogadores de passagem.

Santos ou Palmeiras? Qual será o campeão da decisão paulista da Copa do Brasil?

Leia o post original por Quartarollo

Pela primeira vez na história dois times da capital paulista decidem a Copa do Brasil.

E pela primeira vez também Santos e Palmeiras decidem esse título.

Talvez seja a primeira vez também, se não estou equivocado, que dois times do mesmo estado disputam as finais dessa competição.

Santos liquidou fácil o sofrível São Paulo em dois jogos por placares iguais, 3 x 1, e no agregado deu 6 x 2.

Seria essa a diferença entre Santos e São Paulo hoje? Acho que não, mas que é a favor do Santos tenho certeza.

Do meio para a frente o Santos é um rolo compressor. Não tem piedade dos adversários, seus contra-ataques são fatais.

Apesar de que ficou com dó do tricolor e tirou o pé no segundo tempo contrariando sua própria história de muitos gols e goleadas memoráveis.

Doriva armou um tricolor kamicaze e dançou. Não teve defesa, nem meio-campo e nem ataque.

Não foi diferente da última derrota do São Paulo, na Vila, quando era dirigido pelo “brilhante” Osório que também resolveu atacar com tudo e ficou com nada. Até o placar é quase igual.

Portanto, nesse particular, o ainda prestigiado Doriva, fez a mesma coisa que seu decantado antecessor.

O Santos está melhor que o Palmeiras? Essa é outra pergunta recorrente das últimas horas depois da dramática classificação do alvi-verde, na Arena Palestra Itália.

Conseguiu devolver a derrota de 2 x 1 do primeiro jogo e foi para os pênaltis para sofrimento do torcedor palmeirense.

Ganhou, se classificou e o que poderia ser uma noite de choro, teve lágrimas de alegria.

O Palmeiras pelo sorteio da CBF manda a grande final dia 2 de dezembro em seu estádio.

Até que ponto é a vantagem de mandar o segundo jogo em casa? Eu particularmente acho que o primeiro jogo decide muita coisa, quase 70% do resultado final.

O gol do Palmeiras, no Rio de Janeiro, manteve o time na disputa e a goleada que o Santos impôs ao São Paulo, no Morumbi, minou qualquer tentativa de recuperação do tricolor no segundo jogo.

Como o Santos só perdeu uma vez na temporada na Vila Belmiro penso que sai na frente desse disputa, mas vai depender de uma vitória com boa margem de gols.

Ao Palmeiras resta brecar o ímpeto santista em seu campo e fazer valer o fator campo na grande decisão.

Se tomar muitos gols do excelente ataque santista, na Vila Belmiro, dificilmente tirará a diferença na Arena.

Mas domingo já tem uma prévia para tudo isso. Vale Brasileiro, mas já se pensa na decisão da Copa do Brasil.

No primeiro turno do Brasileiro, o Palmeiras venceu na Arena, 1 x 0, gol de Leandro Pereira, o Leandro Banana, que já nem está mais no elenco alvi-verde.

Foi numa falha gritante do zagueiro Werley, hoje reserva e suspenso por três jogos no Brasileiro.

Era o começo da nova era Dorival Junior e uma das suas poucas derrotas desde que reassumiu o Santos F.C.

O técnico do Palmeiras já era Marcelo Oliveira. No Paulista, o Santos foi campeão nos pênaltis contra o Palmeiras, na Vila Belmiro, depois de muita disputa aqui e lá.

O Santos campeão perdeu para o Palmeiras, 1 x 0, na Arena, jogo de ida, e na grande final venceu por 2 x 1 levando a disputa para a marca da cal.

Vamos ver como será agora. Tudo faz crer que teremos grandes jogos.

A história sempre se mostrou assim quando Palmeiras e Santos se encontram. Isso vem desde a época de Pelé e Ademir da Guia.

 

Adeus, Valdívia. Lá se vai o ídolo de barro

Leia o post original por Quartarollo

Ontem foi o último dia de contrato de Jorge Valdívia com o Palmeiras.

Já estava fora desde antes da Copa América quando se apresentou á Seleção Chilena.

Palmeiras jamais quis renovar o seu contrato e até torceu para que não aceitasse a proposta feita mesmo que mais baixa do que o meia pretendia.

Sabe aquele pessoa que você não quer na sua casa, mas por educação é obrigado a convidar? Esse é Valdívia no atual Palmeiras.

Culpa dele mesmo. Tratou mal o time nessa sua segunda passagem, ficou mais fora que dentro de campo, arranjou problemas, foi chinelinho em muitas vezes e criou situações que poderia ter evitado.

É um alívio para os médicos do Palmeiras também. Eles ficaram na alça de mira muitas vezes por causa das famosas dolores de Valdívia.

Como ainda não existe o dorímetro, instrumento que diz se a dor é real ou não, os médicos tiveram que conviver com o auto diagnóstico do jogador.

Se ele diz que dói e porque dói e pronto. Não há como discutir.

É um desperdício de talento. Valdívia é um grande jogador quando quer jogar.

Tem técnica e habilidade, coisas raras nos dias atuais para vários jogadores de meio-campo mundo afora.

Não é de fazer muitos gols. Não entra muito na área, mas é bom armador.

Não joga muito para o time, joga para si mesmo e gosta que os holofotes estejam sobre sua cabeça permanentemente.

Em suma, é um egoísta como jogador, mas um egoísta com talento em meio a tantos egoístas sem talento nenhum, o que só torna a situação ainda mais grave.

Para o torcedor palmeirense que há muito tempo não vê um título de muita expressão, Valdívia chegou a ser uma esperança.

Para muitos ele tem o status de ídolo. Na verdade é apenas um ídolo de barro como dizia o inesquecível Capitão Nicoli na década de 80 quando se referia a Jorginho Putinati, que era mais jogador que Valdívia e raramente frequentava departamento médico.

Jorginho não teve muitos títulos na carreira, mas foi ao lado de Jorge Mendonça o grande jogador daquele time montado por Telê Santana que enfiou 4 no grande Flamengo de Zico, no Maracanã, em 1979, em uma das mais belas páginas da história do futebol.

Foi o jogo que levou Telê para a Seleção Brasileira para a Copa de 82, na Espanha.

Capitão Nicoli era folclórico e exagerava de vez em quando. Era boa praça, palmeirense de quatro costados, bravo, disciplinador e amigo dos amigos.

Eu brincava com ele todos os dias quando dizia: “Capitão, o senhor é tão corneteiro que até renova contrato no fim do ano” e ele dava risada.

Em tempo: naquela época os jogadores só assinavam por um ano e mesmo quando o contrato vencia continuavam presos aos clubes.

Nessa brincadeira, o Capitão também tinha contrato anual só para cornetar.

Antero Greco lembra bem do Capitão Nicoli e o imitava com maestria. Outro que o imita bem até hoje é o companheiro Flávio Prado.

Nicoli ficava bravo e exigia dedicação e muito futebol dos jogadores.

Se fosse hoje pegaria Valdívia pela orelha como andou pegando alguns e ameaçando técnicos na época.

É que ao contrário do torcedor atual, Nicoli viu duas Academias, viu o Palmeiras como único a parar o grande Santos de Pelé, viu grandes treinadores e viu Ademir da Guia do começo ao fim.

Por isso jamais qualquer Valdivia poderia ser aclamado como ídolo perto dele. Só mesmo quem não viu consegue cometer esta heresia.

 

Finalmente Palmeiras se livre de Valdívia

Leia o post original por Quartarollo

O chamado Mago vai deixar o Palmeiras. Voltará para o mundo árabe.

O clube devia agradecer a Deus. Tentou se livrar de Valdívia várias vezes nos últimos tempos.

É o maior salário do clube, o jogador que mais fica fora dos jogos, o que mais arruma confusão, o que menos se cuida e quer tratamento de gênio que não é.

Uma parte da torcida o elegeu ídolo, o que é um grande absurdo.

Ídolo são Ademir da Guia, Marcos, Rivaldo, César, Leão, Luís Pereira, Dudu, Julinho Botelho, Zinho, Evair, César Sampaio e tantos outros que nem dá para enumerar.

Valdívia não entra nessa corrente. É mau profissional, deu mais prejuízo que títulos ao Palmeiras.

Dizer que Valdívia é mau jogador é heresia. Ele é ótimo, o que só aumenta a dívida que ele tem com o clube.

Com a bola que tem teria que ter dado muito mais ao Verdão.

Mas só joga de vez em quando e por isso que não aceitou  proposta de produtividade que lhe foi oferecida.

Sabe que do jeito que leva a carreira seu salário cairia vertiginosamente.

Jogador encostado, chinelinho, não tem produtividade.

É uma pena, mas ele é assim. Atrapalhou companheiros, técnicos e rifou várias vezes o departamento médico com suas “dolores” fantasmas.

Valdívia só foi bem na sua primeira passagem pelo Palmeiras quando chegou como desconhecido e Tite o lançou como titular no meio-campo alvi-verde.

Virou destaque e o Palmeiras conseguiu vendê-lo por um dinheirão. Teve ótimo lucro.

Foi a única vez que o clube levou vantagem com ele.

Quando o ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo nas alamedas do então Parque Antártica me disse que estava trazendo Valdívia de volta eu até brinquei com ele.

“Presidente não se esqueça daquele ditado das nossas avós italianas que diziam que a gente nunca devia voltar ao lugar onde foi feliz”

Maldita frase, foi quase um vaticínio e o próprio Beluzzo outro dia admitiu. Devia ter aceitado levado ao pé da letra.

Até ele ficou decepcionado com o que Valdívia não fez pelo Palmeiras.

Vai com Deus, Valdívia. Vai fazer suas mágicas em terras árabes, mas cuidado.

Se começar a se esconder por lá te cortam os pés. Aí é que você vai ver o que são “dolores” de verdade.

 

Share This:

Valdivia, de saída. Será que deixa saudade?

Leia o post original por Antero Greco

O noticiário de jornais e sites dá conta de que Valdivia está a um passo de acertar com time árabe. Algum “Al” qualquer coisa, que pertence a xeique, príncipe ou rei. Clube certamente cheio da grana, disposto a pagar caro pela extravagância de ter o chileno no elenco.

O negócio pode sair logo e o moço nem retornaria ao Palmeiras para eventual despedida. Depois da Copa América, voaria para os Emirados Árabes para a nova etapa da carreira. Dessa forma, encerraria a segunda passagem pelo Palestra Itália e seria opção a menos para Marcelo Oliveira.

Eis a questão. Valdivia pode ser considerado mesmo alternativa de peso para Marcelo? Ou melhor, Valdivia é desfalque no Palmeiras? A saída dele será sentida, pelo elenco, pela comissão técnica, pelos dirigentes, pelos torcedores? Deixará saudade, após quatro anos e meio do retorno?

Temo que as respostas sejam todas negativas. Não se questiona a qualidade do futebol de Valdivia. Talento tem de sobra, embora não seja um fora de série, um craque no sentido exato do termo. Mas sabe jogar bola, tem criatividade, dribla bem, passa com inteligência, o chute é razoável. Enfim, tudo para marcar por onde passa. Fica, no entanto, no quase.

Valdivia sempre dividiu opiniões no Palmeiras, incluída aí a primeira fase, entre 2006/88. Na falta de referências de peso, caiu nas graças de uma torcida carente de títulos e ídolos. As contusões intermináveis e incontáveis, porém, fizeram com que passasse mais tempo fora de campo do que em atividade. Esteve ausente em momentos preciosos, para o bem e para o mal. Na verdade, nunca se sabe quando estará à disposição.

Não entro no mérito de caráter, não tenho base para isso nem me interessa. Não gosto de julgar pessoas, sobretudo se as conheço pouco. Falo de aspectos profissionais – e nesses Valdivia mais deixou o Palmeiras a ver navios do que colaborou. Por tantos e tantos motivos.

Uma pena, porque poderia ocupar lugar de destaque na galeria de astros palestrinos. No entanto, não entraria na lista dos 100 maiores que vestiram a camisa verde. Nem de longe, e por culpa dele próprio. Não o comparo sequer a monstros como Ademir, Servílio, Julinho, Vavá, Djalma Santos, Marcos, Edmundo, Evair, Rivaldo, Mazinho, César Sampaio, Dudu, Leivinha, César, Luis Pereira…

Será lembrado como um jogador de talento que poderia ter oferecido mais. O carinho que recebeu da generosa e impetuosa torcida do Palmeiras é muito maior do que a retribuição.

 

Ademir da Guia e Nizan Guanaes: dupla Pelé e Coutinho

Leia o post original por Milton Neves

Capturar

Foi uma semana de eventos.

Mais quatro.

Um deles, emocionante.

Pela presença de Ademir da Guia.

No mega stand da empresa Zeene na Automatec do Anhembi, estive dois dias por lá.

Muito carinho popular de gente do Brasil todo e a satisfação como sempre de conviver por horas com ex-jogadores.

Ah, sem microfones ou câmeras por perto como eles se soltam…

Histórias e mais histórias, uma delícia!

De Zenon, Edu, Rincón, Ricardo Rocha, Vladimir, Careca, um sósia perfeito de Luis Fabiano também presente e mais Ronaldo Giovanelli, Neto, Zé Maria e Oscar Roberto Godoi.

Todos felizes e falantes, menos um: Ademir da Guia.

72 anos e calmo como sempre, desfilou toda sua elegância e educação pelas alamedas do milionário mundo do automóvel.

Mas, na verdade, hoje a timidez venceu todas as suas imensas qualidades.

O Divino fica até assustado com tanta foto, tamanho assédio e tamanha admiração do povo de todo canto do país.

E me perguntou, baixinho: “Nossa, sou tudo isso mesmo?”.

“Não, Ademir, de jeito nenhum, você é muito mais do que isso e sempre foi”, respondi.

Pena que Feola e Zagallo não viram ou acordaram para este verdadeiro mito-gênio entre 1965 e 1974.

E vocês sabiam que o jornalista Mauro Beting quer adotar um novo filho e batizá-lo de “Ademir da Guia Beting”?

Bonito gesto.

E que seja bonita também sua trajetória agora como foi a minha em 33 anos lá na Rádio Jovem Pan.

Na líder Rádio Bandeirantes Mauro Beting ocupou o microfone que foi de Mauro Pinheiro.

Agora, empunha o microfone que já foi também de outro xará, Mauro Nóbrega, “O Correto”.

E bola para frente!

Bola que não para de rolar no rádio, TV e jornal mesmo com alguns ou tantos colegas hoje fora de campo por “contusão”.

Mas, xô pessimismo e sugiro lerem o mestre Nizan Guanaes, um mestre mesmo, mestre de verdade.

Ele ensina.

“Na crise, cresce quem tem saídas, e não só queixas”.

“Enquanto outros choram, eu vendo lenço”.

“É de líderes que o momento precisa. O piloto e a aeromoça não podem entrar em pânico na hora da turbulência”.

“Por isso agora nas empresas e na comunicação, o endomarketing é fundamental”.

Afinal, digo eu aos colegas jornalistas, sejam fortes, criativos e nada do eterno “cumprimento de tabela” sempre obedecendo cegamente ao chefe.

Não, saia do trivial, crie, inove e… vire chefe!

Por que não?

E concluí Nizan Guanaes: “Invente sempre, porque as grandes invenções foram criadas em momentos de guerra. Foi o frio que inventou o fogo, a distância que inventou a roda. É o problema que cria a grande solução”.

Brilhante publicitário, mas tudo isso serve também para você jornalista, desempregado ou não.

E boa sorte!

Imagem: Túlio Nassif/Portal TT

Noite de emoção para quem ama futebol

Leia o post original por Antero Greco

Meu amigo, que noite de sábado linda para quem gosta futebol. Mas futebol de verdade, com quem sabe tratar da bola com carinho, intimidade e respeito. O que se viu na festa de despedida de Alex, no novo estádio palestrino, foi de encher os olhos – e não necessariamente de palmeirenses, mas de amantes do esporte. Um desfile de craques no duelo Palmeiras-99 5 x Amigos de Alex 3. Aliás, dou o placar por vício, porque é o que menos interessa no caso.

O importante foi a homenagem a um atleta que teve passagem marcante pelo Palmeiras, sobretudo pela conquista da Taça Libertadores de 1999. Ainda bem que o clube não demorou para festejar o ídolo que se aposentou no final de 2014 e agora virou comentarista esportivo.

E, tão importante quanto a festa, foi a presença de uma legião de convidados de primeira linha. No banco, Felipão e Zico, que dispensam apresentações. Dentro de campo, Velloso, Sérgio, Marcos, Cléber, Edmundo, Djalminha, Evair, Euller, Gilberto Silva, Sorín, Roque Júnior…

Fora todos esses, o maior, o grande, o eterno ídolo palmeirense: Ademir da Guia. O Divino jogou pouco mais do que 15 minutos, marcou um de pênalti – o último do jogo – em cobrança seca, no meio do gol, “de três dedos”. Só de ver Ademir com a 10 nas costas já valeu a noite.

Alex, o dono da noite, fez dois, assim como Edmundo, Evair e Euller. Para os Amigos de Alex marcaram o turco Sanli, Fabiano e Aristizábal.

Claro que era uma partida sem tática, sem preocupação, uma confraternização entre amigos. Mas dá um aperto ver como o futebol brasileiro produziu craques, e, com exceção de Ademir, os demais não faz tanto tempo assim que pararam… Quem parou foi o futebol brasileiro…

 

Ademir da Guia quer ‘técnico amigo’ para jogar na Allianz Arena

Leia o post original por blogdoboleiro

Na próxima segunda-feira, Ademir da Guia vai participar de uma reunião na Allianz Arena para saber os detalhes do jogo em sua homenagem, marcado para o dia 25 deste mês com a presença de 10 mil convidados. Neste encontro, a empresa que organiza a partida ainda está convidando jogadores veteranos que foram companheiros do maior ídolo da história do Palmeiras.

Feliz com a homenagem, Da Guia brinca dizendo que torce para ter o ex-volante Dudu (com quem fez dupla de meio de campo durante os anos 60 e 70) como treinador do seu time. Assim, brincou Ademir, ele teria a escalação garantida. Aos 72 anos, o atleta que virou busto no Parque Antártica ainda joga em partidas de veteranos e admite que tem uma responsabilidade no jogo do dia 25: "Não posso errar passes lá. O gramado é bom e a bola é boa", disse em conversa com o Blog do Boleiro. 

Blog do Boleiro – Você vai jogar no dia 25?
Ademir da Guia –
Quero ver se jogo um pouquinho. Estou dependendo do técnico. Tomara que seja o Dudu, porque ele é meu amigo, meu compadre, e aí vai ser mais fácil me escalar (risos).

O que você está achando desta homenagem?
Então…Acho bacana porque vai ser uma festa não só para mim, mas para todos os jogadores que vão ter a oportunidade de jogar na arena. Eu mesmo não consegui me despedir do Parque Antártica e acho importante que eu e os jogadores que vão participar, tenhamos o reconhecimento porque fazemos parte destes 100 anos de história do Palmeiras. E a Allianz Parque está muito bonita, com o gramado certinho. Vai ser muito bom.

Você fica tenso quando tem um jogo assim?
Espero não ficar nervoso porque vou estar junto com todos meus amigos. Vai ser uma alegria enorme para mim. Espero não errar passes porque o campo lá é bom, a bola é boa, não dá para errar.

Mas você quase não erra passes nas partidas que joga com o master do Palmeiras. Quanto tempo você tem jogado em cada partida dos veteranos?
Então, depende do adversário. Normalmente, o time de masters disputa jogos com 30 a 35 minuitos cada tempo. Eu tenho jogado no primeiro tempo. Mas se o masters deles tiver jogadores de 40 anos, eu fico menos. Quando é um adversário com atletas na faixa dos 50, 60 anos, dá para ficar mais tempo em campo. Mas jogar contra alguém de 40 anos é diferente. Hoje, tem profissional ainda na ativa com esta idade.

Você sente o mesmo prazer de jogar que tinha quando era menino em Bangu?
Sabe do que eu gosto? Eu valorizo muito os convites. Eu recebo muitos convites para participar de festas. Minha agenda já está fechando para outubro, novembro e dezembro. Os clubes de São Paulo disputam campeonatos de masters. Aí tem que ganhar, dar pontapé, dar carrinho porque vale três pontos. Não faço mais isso. Para mim é mais festa. Aí eu gosto bastante.