Arquivo da categoria: Amarildo

Brasília em chamas e o Botafogo incendeia o Rio. Com pressa!

Leia o post original por Milton Neves

Foto: Luis Benavides/AP Photo – retirada do UOL

Ah, deixemos hoje de lado a seleção do Palmeiras, o milionário fracassado Flamengo, o Tite “ideal para presidente do Brasil” e o Galo do “Neymarzinho Equatoriano” Cazares.

Falemos do Botafogo que jamais ganhou uma Liberadores.

Mal conseguia dela participar.

Nos anos de Manga, Nilton Santos, Garrincha, Rildo, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo, o Fogão da meia cinza sempre parava no timaço do Santos de Pelé.

Isso na final ou na semifinal da Taça Brasil, o torneio que credenciava nosso único representante na competição.

Antigamente só entrava, a partir de 1960, quando foi criada a Libertadores, o campeão de cada país.

Hoje já temos até um… G-7!!!

Entra todo mundo, uma festa.

É que os cartolas engordaram a quantidade de times e espicharam o tempo de disputa, de trimestral para quase anual, só para que os direitos de transmissão pela TV fossem às alturas, como foram.

E se antigamente, nos anos de Telê, “Torcer para o São Paulo é uma grande moleza” (e hoje virou “grande dureza”), atualmente é “cívico” virar botafoguense na Libertadores.

É uma questão de gratidão ao time que nos deu 41.07% da Copa da Suécia-58, 100% da Copa do Chile-62 e 49.17% da Copa do México-70.

Hoje, acabou a minha raiva do Botafogo-1995, time do “zagueiro” Márcio Rezende de Freitas, e quinta-feira foi de chorar vendo a festa da torcida de General Severiano no “Estádio Nilton Santos”.

Que o time do Pimpão siga “todo garboso” botando fogo na Libertadores na mesma época em que Brasília arde.

Sim, a vaca por lá foi para o brejo, mas por enquanto só o sininho e o rabo.

Falta ainda quase tudo, dos chifres ao traseiro.

Para o “primo” Aécio Neves, não.

Acabou!

Foi pífio e até juvenil.

Com seu algoz gravando tudo, como ele, um “macaco velho”, não sacou que “seu amigo” estava só levantando a bola para ele ir falando, falando e falando?

Quase um monóculo, com o “interlocutor” de emboscada atrás do toco esperando a onça beber água.

Faltou ser uma raposa, símbolo de seu time, ele tão burro e ela tão esperta.

Esperta como boiadeiros de Alfenas e Goiânia.

E rápidos no gatilho.

Tão rápidos que no começo de abril quase aluguei um apartamento em Nova York para um jovem executivo brasileiro, via o broker (corretor) Freddy Gouveia, brasileiro lá radicado há anos.

Mas, aflito, ele queria entrar no imóvel com tudo dentro, do jeito que estava e no “outro dia” com mulher, dois filhos menores e a babá “que estavam chegando em Nova York”.

Não deu certo porque não dava para retirar de lá “por telefone” tanta coisa particular da família cambiando de Upper East Side para Tribeca, hoje alugado para Companhia chinesa, investidora de Wall Street, bem perto.

Mundo pequeno, o lépido quase-inquilino era mais um dos famosos e hoje tão falados Batistas.

De segunda geração, filho ou sobrinho.

Que pressa, sô!

Hoje, pelas chamas de Brasília, caiu a ficha.

E que sejamos todos felizes!

OPINE!!!

O Chaplin do futebol faria aniversário hoje

Leia o post original por Quartarollo

garrincha

Manuel Francisco dos Santos faria hoje 82 anos de idade.

Quem o conheceu diz que ele era uma criança até o fim.

Morreu com apenas 49 anos de idade. Bebeu o mundo e festejou a vida.

Não guardava dinheiro de jeito nenhum. Tinha apelido de passarinho: Garrincha.

Também conhecido como o anjo das pernas tortas e com elas entortava muitos laterais.

Conta a lenda que Nilton Santos quando o viu treinando pela primeira vez pediu sua contratação para não ter que enfrenta-lo como adversário.

Nilton jamais confirmou essa versão.

Sandro Moreira, grande jornalista carioca, contava muitas coisas sobre Garrincha.

Teve aquela que Zezé Moreira pedia para ele parar de driblar e jogar mais coletivamente.

Como Garrincha jogava genialmente por intuição, não obedecia o treinador.

Para resolver a situação, Zezé pôs uma cadeira antes da linha de fundo para Mané cruzar quando chegasse perto dela.

Garrincha não teve dúvida. Chegou na cadeira, deu um chapéu na cadeira, enfiou a bola debaixo das pernas da cadeira, derrubou a cadeira e foi para a linha de fundo fazer o cruzamento.

É claro que Zezé desistiu da ideia e deixou Garrincha jogar o seu jogo.

Antes da Copa de 58 em amistoso com a Fiorentina, em Firenze, Mané driblou vários zagueiros e até o goleiro, mas não fez o gol, parou em cima da linha.

Quando o goleiro voltou tentando, ele o driblou novamente e tocou para o gol sob os gritos dos companheiros e do técnico Vicente Feola que pediam para acabar logo com aquilo.

Resposta de Garrincha era uma pergunta sem sentido para todos, menos para ele: “Como eu ia fazer o gol sem goleiro?”. Simples assim e acabou.

Dizem que por causa dessa “indisciplina técnica”, Garrincha não começou a Copa de 58 como titular.

O primeiro titular foi Joel e como os resultados não eram os esperados, Garrincha foi pedido no time pelos próprios companheiros.

Jogando com Pelé foram mais de 50 partidas com a camisa da Seleção Brasileira. Os dois juntos jamais perderam um jogo com a camisa do Brasil. É um feito notável.

Em 1962, Amarildo substituiu Pelé machucado, mas quem assumiu tudo sozinho foi Garrincha que ganhou aquela Copa na marra.

Fez gol de pé esquerdo, que pouco usou durante toda a carreira e até mesmo de cabeça.

Conseguiu ser expulso de campo, outra coisa que raramente aconteceu na sua vida, e ainda jogou a final mesmo assim.

Garrincha viveu e morreu como um passarinho. Fizeram um jogo de despedida, no Maracanã, e na época deu um dinheirão.

No dia seguinte ele estava pobre de novo. Foi para a cidade de Pau Grande, onde nasceu e resolveu que precisava ajudar os seus amigos e como ele tinha amigos na época.

O dinheiro foi embora tão rápido como entrou. Elza Soares, grande cantora da música brasileira de todos os tempos, suportou os últimos anos de Garrincha com dignidade e cuidou dele mesmo nos piores momentos.

Foi muita injustiçada porque se juntou com um homem casado. Os moralistas de plantão quase acabaram com a carreira dos dois.

Elza sofreu preconceito fortíssimo ao se juntar com Garrincha.

Ela dizia que mesmo muito depois de ter abandonado o futebol, Garrincha ficava ao lado do rádio ouvindo as convocações da Seleção Brasileira na doce ilusão de que seria lembrado novamente. Para ele, o futebol não acabou nunca.

O álcool acabou com sua vida precocemente. Até hoje é reverenciado como um dos maiores gênios que o futebol já produziu.

Disseram que ele era o Charles Chaplin do futebol. Um homem que aceita sua pobreza, faz rir, faz chorar e que não se irrita com nada. Estava mais para Carlitos do que para Chaplin. É imortal, por isso é sempre lembrado.

 

 

Agradando da turma do ‘Capotão’ a geração ‘Playstation’

Leia o post original por Neto

Pelé recebe Bola de Ouro 'honorária' da Fifa

Pelé recebe Bola de Ouro ‘honorária’ da Fifa

Sempre fui um cara extremamente crítico quanto as ações da Fifa. É fato que esses caras sempre dão muito mais moral para o futebol europeu que para a nossa América do Sul. Até porque é lá que está boa parte da grana no esporte. Mas não é que fiquei surpreso com esse evento da entrega da Bola de Ouro? Primeiro, é claro, porque o Blatter deixou a picuinha de lado e deu o principal prêmio para o Cristiano Ronaldo. Afinal como vinha dizendo aqui mesmo no blog (http://uol.com/btdmv8) o português arrebentou em 2013! Depois algumas atitudes pontuais mostram um pouco a globalização que o evento já deveria estar inserido.

A apresentação ficou por conta da brasileira Fernanda Lima. Isso deveria variar mais, colocando nas próximas oportunidades moças japonesas, africanas, russas, indianas, americanas, etc. Depois os caras se preocuparam em agradar tanto os fãs mais antigos quanto os mais jovens. A Fifa entregou um prêmio honorário ao ‘Rei’ Pelé. Excelente e mais do que justo! Homenageou também o grande Amarildo, ídolo brasileiro campeão do mundo em 1962. Vários ex-jogadores inesquecíveis também estiveram por lá. Ainda falta muito, é verdade. Mas aos poucos a mentalidade ‘playstation’ vai mudando.

Quer dizer, ainda é utopia imaginar que algum jogador que atue fora do Velho Continente seja indicado para o prêmio de melhor do mundo. É impossível também que alguém entre sequer na Seleção do mundo. Mas acho que só de valorizar um pouco o pessoal da velha guarda do futebol já é um grande avanço. Afinal ninguém melhor que um ídolo do passado para entregar um prêmio para um ídolo do presente. Nisso a Fifa evoluiu demais, mas precisa melhorar.

Botafogo e uma campanha de arrepiar

Leia o post original por Antero Greco

Sei que muita gente não concorda, mas tá bacana demais de ver o Botafogo no Brasileiro. Seedorf e seus cometas fazem campanha de arrepiar, que só encontra paralelo no líder Cruzeiro. (O Atlético-PR também empolgava, mas deu uma freada.). Os caras enfrentam problemas fora de campo, mas lá dentro se superam, como aconteceu nos 2 a 1 sobre o Santos no início da noite de domingo, na Vila.

Pra começo de conversa, Santos x Botafogo pra mim e pra muitos de minha geração é clássico na acepção do termo. O duelo tem mitologia, que vem lá de trás, da época em que havia Gilmar, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe de um lado e Manga, Nilton Santos, Didi, Amarildo, Garrincha, Zagallo de outro. Sei, sei que os tempos são outros, mas é sempre uma emoçãover esses dois clubes frente a frente.

O jogo foi bom, nada excepcional, mas valeu como passatempo. Com roteiro semelhante nos dois tempos: o Santos pressionou na largada, criou algum ruído para o goleiro Jefferson, para em seguida oscilar e levar os gols. Por sial, ambos do mesmo jogador – Elias, que se tornou o destaque da partida. Cícero descontou.

O Santos pecou pela instabilidade, que tem sido a característica dele no campeonato. O time que ensaiou encostar no G-4 até uma semana atrás, agora marca passo, depois de duas derrotas em seguida. O Botafogo foi firme na marcação e, mesmo sem Seedorf em noite inspirada, viu no holandês o ponto de equilíbrio e referência.

Com a vitória, o Bota se manteve quatro pontos atrás do Cruzeiro. Imagino como será quente Cruzeiro x Botafogo na quarta, em BH. Taí uma decisão do Brasileiro. O Cruzeiro no sábado já se livrou do Atlético-PR…

O futebol que temos é este…

Leia o post original por Odir Cunha

Perdeu, como podia empatar ou até ganhar. Bola pra frente…

O jogo foi equilibrado, a torcida compareceu desta vez e o Santos não jogou mal. A derrota por 2 a 1 para o Botafogo foi decidida em algumas jogadas. Quando o Santos era melhor, Thiago Ribeiro perdeu um gol feito e chegou atrasado em um cruzamento de Cicinho que seria outro gol. O time carioca, por sua vez, aproveitou a chance que teve para abrir o marcador, aproveitando uma jogada nas costas de Cicinho e um passe na área que caiu entre Durval e Mena.

No segundo tempo, em outra jogada pelos flancos, desta vez pela esquerda, outro cruzamento que passou entre Durval e Dracena e outro gol. Cícero diminuiu, em um belo chute de fora da área. Foi 2 a 1 para o Botafogo, uma equipe um pouco mais experiente e ajustada, mas poderia ser diferente. Faltam alguns ajustes no Santos. Torçamos para que Claudinei tenha visão e iniciativa de fazê-los.

Confira os melhores momentos de Santos 1 x Botafogo 2:

Hoje é dia do maior jogo que o futebol brasileiro já produziu

De um lado Pelé; do outro Garrincha; de um lado Zito, Pepe, Coutinho; do outro Didi, Zagalo, Amarildo; de um lado Gylmar, Mauro Ramos de Oliveira, Mengálvio e Lima; do outro Manga, Quarentinha, Rildo, Joel… Eu ia escrever que Santos e Botafogo, os melhores times do mundo em 1962 e 63, estrelavam um confronto do mesmo nível de um Barcelona e Real Madrid hoje, mas, pensando bem, eram mais do que isso. Havia mais magia em campo…

O centro do futebol era aqui e os dois alvinegros representavam o melhor futebol que o mundo tinha visto até aquele momento. Mas o Santos era ainda mais poderoso do que o rival. Nos três confrontos mais importantes que fizeram, o Santos fez 13 gols e sofreu apenas um: 4 a 1 na final do Tereza Herrera, na Espanha, em 1959, quando o mundo estava de olho no duelo dos times que tinham os astros da Copa da Suécia; 5 a 0 na final da Taça Brasil de 1962 (jogado em abril de 1963) e 4 a 0 na semifinal da Libertadores de 1963. Por isso, para a história, o Santos ficou como o grande vencedor desse desafio.

Hoje, às 18h30, na Vila Belmiro, voltam a se enfrentar em um jogo importante, no qual a vitória interessa a ambos. O carioca quer continuar perseguindo o líder Cruzeiro, o Santos anseia chegar mais perto do G4 – o que três pontos hoje e três pontos sobre o Náutico, em jogo atrasado, tornarão plenamente possível. O ingresso está barato e o santista precisa comparecer para empurrar o time.

Arouca e Montillo voltam

Arouca e Montillo, recuperados de lesões musculares, devem voltar ao time, dando ao técnico Claudinei Oliveira o privilégio de escalar o melhor que este Santos pode oferecer. O Botafogo vem com seus destaques, o veterano Seedorf e o garoto Hyuri. O ex-santista Renato também está escalado e acho que seria muito legal a torcida bater palmas para ele quando adentrar a Vila Belmiro onde jogou tantas vezes e tanto ajudou o Santos, principalmente na conquista do Brasileiro de 2002.

O Santos deve jogar com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Durval e Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa (Gabriel) e Thiago Ribeiro. O Botafogo, do técnico Osvaldo de Oliveira, provavelmente entrará em campo com Jefferson, Edilson, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos e Renato; Hyuri, Seedorf Rafael Marques; Elias.

A arbitragem será de Andre Luiz de Freitas Castro (GO), auxiliado por
Cristhian Passos Sorence (GO) e Nadine Schramm Camara Bastos (SC).

Todas as circunstâncias indicam um bom jogo, disputado e com boa técnica. Os times se equivalem e o resultado natural seria o empate. Mas o fato de jogar em casa e vir de uma derrota obriga os santistas a buscarem mais a vitória. O adversário é forte e matreiro, mas o Santos tem de se impor.

Reveja o maior jogo do mundo, no maior estádio do mundo, na era do ouro do futebol, neste belo trabalho de Wesley Miranda:

E você, o que acha de Santos x Botafogo?

O futebol que temos é este…

neymar-ganso-e-robinho-1
Meninos da Vila talentosos jogando pra frente: este é o sonho eterno dos santistas.

O futebol brasileiro está em crise e parece que as pessoas que vivem em torno dele também. Entre o que ele poderia ser e o que realmente é, há um abismo. Vivemos essa crise em todos os sentidos: técnico, tático, ético, de popularidade e, conseqüentemente, financeiro.

Falta fundamento aos jogadores, coragem e estratégia aos técnicos, moralidade aos organizadores e público nos estádios. Não é à toa que – sinal dos tempos – o outrora orgulhoso São Paulo está vendendo ingressos a dois reais. Daqui a pouco os clubes jogarão com portões abertos e mesmo assim os estádios não se encherão.

Uma seqüência de fatores, entre eles o espírito colonizado de nossa imprensa esportiva, tirou a credibilidade do futebol brasileiro e deixou claro para todos uma situação antes não declarada, ou seja, a subserviência do nosso jeito de jogar e fazer futebol ao decantado modelo europeu. Já fomos o centro, mas hoje somos o subúrbio, o arrabalde, a periferia do futebol.

Diante dessa dura realidade, os torcedores precisam criar fatos para alimentar sua paixão, ou ela também morrerá. Não importa que o Santos, sem dinheiro, esteja sobrevivendo graças a uma mescla de veteranos e garotos dirigidos por um técnico sem experiência. O torcedor quer esse time voando, como se uma equipe de Gylmar a Pepe estivesse em campo.

Não importa que o Corinthians venha de três jogos sem marcar um único gol e nem esteja no G4, apesar de ainda ostentar o título de campeão do mundo; não importa que o Palmeiras, por mais vitórias que consiga, dispute apenas a Série B; não importa que o São Paulo, na zona de rebaixamento, tenha de se humilhar para atrair os torcedores para o seu Morumbi. O torcedor precisa acreditar que é só uma fase passageira e que ainda há motivos para vangloriar-se de que o seu time é o maior.

Porém, nas crises surgem as teorias oportunistas que buscam jogar por terra os valores amealhados ao longo da história e, no lugar deles, inserir outros que alimentem o caos e a descrença. Até mesmo o estilo vistoso e ofensivo que caracterizou nosso futebol tem sido contestado por alguns – e como muitos leitores não têm conhecimento suficiente para raciocinar em cima do que lhe é imposto, a tese ganha adeptos.

Juro que li em algum lugar que esse negócio de DNA ofensivo é bobagem minha. Que o Santos tem de jogar feio e retrancado mesmo, pois o importante é vencer. Ora, é claro que vencer é importante, mas quem disse que jogando feio e retrancado o time terá mais chance de vencer do que se jogar bonito e com uma mentalidade ofensiva?

Perceba que escrevi “mentalidade ofensiva”, pois ela é essencial para um time marcar gols. Isso não quer dizer que tenha de jogar com cinco atacantes, como nos anos 60. Mas tem de entrar em campo com planos definidos e bem treinados de se chegar ao gol adversário, pois isso ainda é a alma do futebol.

O grande Santos dos anos 60, o melhor time que já existiu, sabia da importância da defesa e provou isso ao não tomar gols e ao mesmo tempo golear o Botafogo duas vezes, nos jogos mais importantes que fizeram. Com um ataque que começava em Garrincha e terminava em Zagalo, o alvinegro carioca também era uma máquina de fazer gols. Mas perdeu para o Santos a final da Taça Brasil por 5 a 0 e a semifinal da Copa Libertadores de 1963 por 4 a 0, ambas no Maracanã, porque o Alvinegro Praiano era mais completo: além de um ataque incomparável, tinha uma excelente defesa e, mais do que isso, uma mentalidade ofensiva que prevalecia mesmo quando se defendia.

É pra se defender? Vamos defender com tudo. Mas quando temos a bola, precisamos de estratégias concretas para atacar e marcar gols. O que não pode é um time grande treinar 40 maneiras de destruir os ataques adversários, mas não saber o que fazer com a bola quando a tem. O ataque sempre foi o forte do Santos e sem ele o time se torna um qualquer. Se utilizar um monte de volantes e se defender loucamente fosse a solução dos problemas, os times pequenos seriam grandes e vice-versa.

Quando dominou o mundo o Santos tinha sempre o ataque mais positivo e nem sempre a defesa menos vazada. Em 1964 ele foi campeão paulista com 95 gols marcados e 47 sofridos. O segundo time com mais gols feitos, o Palmeiras, marcou 70. Porém, veja só quantas equipes sofreram menos gols do que o Santos: Portuguesa e Corinthians (34), América de São José do Rio Preto (35), Palmeiras (36), São Bento (38), São Paulo (40), Ferroviária (41), Guarani (44) e Comercial (45). Notou que o América sofreu 12 gols a menos do que o Santos no campeonato inteiro? Eu lhe pergunto: e daí?

O que nos resta

Sem craques notáveis; sem ídolos; sem técnicos mirabolantes capazes de formar times fantásticos, como foram Lula, Bella Guttmann e Telê Santana; o que resta ao torcedor brasileiro é transformar o pouco em muito. Ele sabe que, mesmo no campeonato de pior nível técnico, ainda assim haverá um campeão, haverá classificados para a Libertadores e equipes rebaixadas, e se apega a essas funcionalidades para viver o futebol do que jeito que dá.

Cada time tem sua cultura, seu DNA, que resiste, sobrevive e se sobrepõe ao longo do tempo. Descobri o do Santos estudando a história do clube desde o princípio, e usei esse termo – DNA – no livro Time dos Sonhos, lido e repercutido por outros santistas. Há expressões que são marqueteiras, forjadas, oportunistas, mas esta é o resultado de um longo estudo.

A reverência aos Meninos da Vila também não é uma invenção gratuita. Eles escreveram os capítulos mais brilhantes da história santista, pois estiveram majoritariamente presentes nos times formados em 1912, 1927, 1955, 1964, 1978, 1995, 2002 e 2010. Extirpe essas etapas da vida do Santos e pouco sobrará.

Portanto, se apesar do precário panorama geral do futebol brasileiro, o santista ainda tem no que acreditar, por que não fazê-lo? Se ainda temos uma história baseada no jogo ofensivo e na revelação de grandes jogadores – quase todos atacantes –, por que trocar essa vocação por desempenhos feios e medrosos?

Se o clube não tem dinheiro para grandes contratações, por que não preparar esses Meninos com carinho e dar-lhes reais oportunidades de se tornarem ótimos profissionais? O que não se pode é deixá-los ao Deus-dará. Nessa fase da carreira o que mais precisam é de um acompanhamento pessoal, de alguém que os dirija ao caminho do sucesso. O trabalho com as divisões de base é a melhor opção e a grande esperança para esse futebol brasileiro obrigado a se reinventar.

E pra você, o que deve ser feito para o futebol brasileiro voltar a ser grande?

Éramos os maiorais*

Leia o post original por Antero Greco

O Brasil vivia um momento delicado em 1962. A tensão política e social crescia. João Goulart havia assumido a presidência, um ano antes, após renúncia de Jânio Quadros, e à boca pequena se falava em conspiração em andamento. Pairava no ar sensação de instabilidade, de nervosismo, de golpe. Revolução…

Sentimentos duros, dava pra perceber nas conversas na quitanda do Juá, na Tenente Pena, ou na padaria do sr. Domingos, ou na farmácia do sr. José. Até no açougue do sr. Osvaldo se falava que a “coisa tá feia”. O tio que fazia entregas numa fábrica de móveis dos “três espanhóis”, na rua dos Italianos, todo fim de tarde vinha com novidades que ouvia por aí. “O tempo vai fechar…”

Devia ser algo muito sério, porque alguns falavam que logo, logo, teriam de estocar comida, mas só perturbava os adultos. Os olhos e as preocupações de menino estavam voltados para a bola, para o scratch brasileiro, que, naquele domingo, 17 de junho, tentaria o bicampeonato de futebol. Isso era importante! A seleção estava mais uma vez perto de ganhar a Jules Rimet e as emissoras de rádio tocavam a toda hora: “A taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa. Ê-eta esquadrão de ouro, é bom no samba, é bom no couro.” Musiquinha animada, de arrepiar.

A turminha da rua arrumou ripas, tocos de árvores, palha, jornal; amontoou tudo na calçada em frente ao Desinfetório (na Tenente Pena). Uns cataram batata doce e pinhão, outros providenciaram bombinhas, os mais atrevidos compraram rojões (de um tiro só) e morteiros de 200. Havia a promessa de algumas mães de fazerem pipoca e quentão! Sem cachaça, claro, só água, açúcar e gengibre. Em cima da hora, apareceram uns balões chinesinhos (do Corinthians e do Palmeiras, pra não dar briga), que o pessoal soltava aqui e pegava lá na esquina.

A festa estava armada, porque era certo que o Brasil ganharia da Checoslováquia. Os caras não são de nada, afirmavam os mais entendidos. São de fritar bolinho, é? Não é o que parecia, quando o Masopust (nome esquisito) fez 1 a 0 pra eles. O speaker do rádio até gritou meio sem graça o gol dos branquelos, pois eram muitos brancos, sim, dava para ver nas fotos dos jornais e pelo videoteipe que passava no dia seguinte.

O olhar cúmplice da turma dos sete amigos da Tenente Pena (na Record passava a Turma do Sete) era de apreensão, mas de acordo implícito de que a fogueira arderia de qualquer jeito, com ou sem a taça do mundo. A esperança renasceu logo depois com o gol do Amarildo, sujeito esquentado, que substituiu o Pelé, coitado, machucado e só na torcida.

Demorou uma eternidade, a turma andava impaciente, até que Zito fez 2 a 1, no segundo tempo, e Vavá, o terceiro. Não tinha mais jeito, dali em diante foi um foguetório só, o Brasil era demais! “Vocês vão ver como é Didi, Garrincha e Pelé, dando seu baile de bola…” A festa só não entrou noite a dentro, porque no dia seguinte tinha aula no Externato Santo Eduardo, era preciso acordar cedo.

Éramos os maiorais, éramos crianças. E não nada mais forte do que lembranças de infância. Por isso, 50 anos depois, não há como esquecer Gilmar, Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Amarildo, Vavá e Zagallo.

Cruzei com muitos deles, já como repórter. E sempre tive vontade de fazer uma reverência para cada um desses mitos. Que me encantaram quando era pequeno, que me deixam com olhos cheios de lágrimas, enquanto escrevo esta crônica.

A bênção, grandes heróis.

*(Minha crônica no Estado de hoje, dia 17/6/2012.)

Santos contribuiu mais para a conquista da Jules Rimet

Leia o post original por Odir Cunha

Os 5 a 0 de ontem pela melhor TV do mundo: a SantosTV:

Bastidores do “Nós contra Rapa”:


O santista Carlos Alberto Torres ergue a Jules Rimet

Participei ontem, domingo à noite, do programa Esporte Visão, da TV Brasil, e em determinado momento afirmei que o Santos foi o time que mais contribuiu para a conquista da Taça Jules Rimet. Ao que fui agressivamente contestado pelo companheiro Márcio Guedes, que participava do programa do estúdio no Rio de Janeiro.

Acho que expliquei que, somados titulares e reservas, o Santos teve mais jogadores nas três Copas que deram ao País a posse definitiva da Taça. Foram três jogadores em 1958 (Pelé, Zito e Pepe), sete em 1962 (Pelé, Zito, Pepe, Gylmar, Mauro, Mengálvio e Coutinho) e cinco em 1970 (Pelé, Clodoaldo, Carlos Alberto, Joel e Edu), completando 15. Nenhum outro time cedeu tantos jogadores. O segundo é o Botafogo, com nove, ou seis a menos.

Ouvia os convidados do Rio pelo “ponto”, aquele aparelhinho que a gente põe no ouvido. Se mais de uma pessoa fala ao mesmo tempo, você não consegue distinguir bem. Só sei que ouvi o Márcio dizer que reservas não valem, que os titulares é que jogam. Claro que concordo com essa afirmação. Percebi que ele deve ter entendido que eu disse que o Santos teve mais reservas. Se eu disse isso, me embananei, pois queria dizer que o Santos teve mais jogadores somando-se titulares e reservas.

Como o Márcio Guedes deve ter uns 413 anos de crônica esportiva e como reagiu de maneira tão confiante e até um tanto brusca, preferi não estender a discussão, até porque não há como comparar os resultados do Santos de Pelé e do Botafogo de Garrincha, por mais boa vontade que se tenha. Um foi seis vezes campeão brasileiro, duas vezes da Libertadores e duas Mundial; o outro só ganhou um brasileiro, o da Taça Brasil de 1968, direito que defendi galhardamente no Dossiê da Unificação.

Santos também teve mais titulares na Jules Rimet

A vida é um constante aprendizado e não tenho nenhum problema de aprender uma nova lição a cada dia. Assim, humildemente, ao chegar em casa, fui consultar meus livros para checar a informação que Márcio Guedes anunciou com tanta certeza. Confira junto comigo, caro leitor e cara leitora:

Copa de 1958 – O Santos colaborou com os titulares Pelé e Zito; enquanto o Botafogo cedeu Garrincha, Didi e Nilton Santos. O Santos ainda teve um reserva, Pepe, enquanto o alvinegro carioca não teve nenhum reserva.
Detalhes – Em 1958, Zagalo do Flamengo, assim como Gylmar ainda era do Corinthians e Mauro do São Paulo.

Copa de 1962 – O Alvinegro Praiano teve quatro titulares: Pelé, Gylmar, Mauro e Zito. O Botafogo, outros quatro: Nilton Santos, Didi, Garrincha e Zagalo. Entre os reservas ainda havia três santistas: Mengálvio, Coutinho e Pepe. O Botafogo tinha um reserva: Amarildo.
Detalhes – Pelé se machucou no segundo jogo e foi substituído pelo botafoguense Amarildo. Coutinho e Pepe foram inscritos na Copa como titulares, mas, devido a contusões nos últimos jogos preparatórios, Coutinho foi substituído pelo palmeirense Vavá e Pepe pelo botafoguense Zagalo.

Copa de 1970 – O Santos teve três titulares no México: Pelé, Clodoaldo e Carlos Alberto Torres. E ainda mais dois reservas: Joel Camargo e Edu. O Botafogo só teve Jairzinho como titular. Roberto e Paulo Cezar Lima, ou “Caju”, foram reservas.
Detalhes – Gérson foi inscrito na Copa como jogador do São Paulo. Nas Eliminatórias, quando o time foi denominado “As Feras do Saldanha”, por ser dirigido pelo jornalista João Saldanha, o Brasil fez todos os jogos com seis titulares do Santos: Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel, Rildo, Pelé e Edu.

Portanto, em que pese a ênfase dada pelo companheiro Márcio Guedes, a realidade é que além de ter mais jogadores nas três Copas, somando-se titulares e reservas, o Santos também teve mais titulares do que o alvinegro carioca nas Copas que deram ao Brasil a Jules Rimet.

Mesmo que se divida a titularidade entre Pelé e Amarildo em 1962, o fato de ter dois titulares a mais em 1970 ainda daria ao Santos o mesmo número de titulares do que o Botafogo, com nove titulares nas três Copas. Isto sem contar os reservas, que proporcionam uma vantagem absoluta ao melhor time de todos os tempos. E ainda sem contr o time nas Eliminatórias de 1970.

E pra você, que time contribuiu mais para a conquista da Jules Rimet?