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Juiz vê indício de conluio em caso com Corinthians, Penapolense e agentes

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Com Pedro Lopes, do UOL em São Paulo

O Juiz Paulo Guilherme Amaral Toledo, da 1ª Vara Cível de São Paulo, vê indícios de conluio na operação de compra de Marlone envolvendo Corinthians, Penapolense e empresários em 2015. O imbróglio é objeto de uma ação de cobrança avaliada em cerca de R$ 2,1 milhões, movida pela Penapolense contra o Corinthians, alegando calote no pagamento de parte do valor da transferência do jogador.

O caso começou simples: a Penapolense acionou o Corinthians na Justiça, alegando falta de pagamento de parte dos valores da contratação – Marlone estava registrado pelo clube do interior de São Paulo quando a operação aconteceu. Uma série de terceiros, entretanto, com os quais a Penapolense tinha dívidas trabalhistas, peticionaram no processo e conseguiram penhorar parte expressiva dos valores que viessem a ser pagos pelo alvinegro.

Investidores entraram na ação afirmando que eram eles, e não a Penapolense, os verdadeiros detentores dos direitos econômicos de Marlone, e a quem o Corinthians deveria pagar os R$ 2,1 milhões. São eles Fernando Garcia, por meio da empresa Luis Fernando Assessoria Esportiva, a GT Sports Assessoria Esportiva e o empresário Marcus Vinicius Sanchez Secundino. Embora seja a autora da ação, a Penapolense não contestou a alegação.

Desde maio de 2015 investidores estão proibidos, no Brasil, de serem detentores de direitos econômicos de jogadores, mas os contratos anteriores à proibição ainda são válidos. Os investidores alegam que adquiriram os direitos de Marlone antes da proibição. Fernando Garcia tem influência na Penapolense, e muitos de seus clientes passam pelos registros do clube do interior.

O UOL Esporte apurou que os investidores teriam registrado o jogador como forma de mantê-lo vinculado a um clube e não correr o risco de perderem o investimento feito no atleta. O Corinthians, na ação judicial, alega que não pagou por estar com problemas de caixa em virtude da pandemia do novo coronavírus e por aguardar a definição se deve pagar aos empresários ou à Penapolense.

O juiz responsável pelo caso, entretanto, não aceitou as alegações. Na última decisão, desta semana, Paulo Guilherme Amaral Toledo determinou que o Corinthians pague a dívida, e ameaçou abrir um inquérito criminal por desobediência. O magistrado também questiona a postura da Penapolense: “manifeste-se o exequente PENAPOLENSE quanto ao prosseguimento da cobrança. Sob pena de reconhecimento de CONLUIO com o executado CORINTHIANS e também aplicação ao exequente PENAPOLENSE da MULTA por ato atentatório à dignidade da justiça (“atempt of Court”) prevista no CPC 77, §1º, considerando que faz quase UM ANO que o CORINTHIANS está confessadamente inadimplente em relação ao acordo de fl. 120/122, em valor expressivo de mais de R$2.100.000”. A decisão ainda exige que o clube do interior explique porque não adota medidas contundentes para cobrar o Corinthians.

Procurado pela reportagem, o advogado da Penapolense, Aldo Giovani Kurle, afirmou que não poderia comentar o processo em andamento.

Procurado, Fernando do Garcia disse não saber sobre o processo e sugeriu que a reportagem procurasse o Corinthians. Por sua vez, o clube afirmou, por meio de seu departamento de comunicação, que prefere não se pronunciar por se tratar de uma ação que envolve terceiros.

Vale lembrar que Fernando Garcia é ex-conselheiro do Corinthians e irmão de Paulo Garcia, provável candidato à presidência do clube no final do ano.

Integrantes da oposição alvinegra questionam o fato de Fernando ter longo histórico de negociações com o Corinthians desde a primeira passagem de Andrés pela presidência. O empresário é amigo do atual presidente.

Gasto de R$ 17 mi mensais com 8° lugar no Brasileiro-19 pesa contra Andrés

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Em entrevista coletiva na última sexta (17), Roberto Gavioli, gerente financeiro do Corinthians, confirmou dados fundamentais para a análise da atual administração de Andrés Sanchez. E as informações pesam contra seu chefe, sentado ao lado dele na ocasião.

O executivo afirmou que em 2019 a folha de pagamento do futebol corintiano custava entre R$ 17 milhões e R$ 18 milhões mensais. Apesar do alto gasto, o clube terminou o Brasileiro em oitavo lugar, após conquistar o Campeonato Paulista.

Segundo Gavioli, com as reduções nas remunerações feitas pela diretoria durante a suspensão do futebol por conta da pandemia de covid-19 , o gasto mensal passou a ser de aproximadamente R$ 8,5 milhões. Ele calcula que, com a retomada dos pagamentos integrais, a despesa mensal fique em torno de R$ 11 milhões. Vale lembrar que a equipe alvinegra ocupa apenas a terceira posição de seu grupo no Paulista. São 11 pontos e só duas vitórias até aqui.

Na opinião deste blogueiro, a relação entre custo e desempenho esportivo já serve para indicar que a gestão do atual presidente é ruim.

A avaliação, porém, fica mais robusta com a comparação entre os gastos corintianos em 2019 e os de times que somaram mais pontos do que o alvinegro no Brasileirão do ano passado.

Para fazer a comparação, o blog usou dados disponíveis nos balanços das agremiações referentes a 2019. Foram usados os valores declarados de despesas com salários, direitos de imagem, tributos e benefícios. O valor anual foi dividido por 13 (12 meses e 13° salário) para se chegar à média mensal.

A contabilidade corintiana confirma os dados apresentados por seu gerente financeiro. O gasto mensal médio com a folha de pagamento foi de aproximadamente R$ 17,2 milhões.

O blog só não fez ata comparação com o Flamengo porque o rubro-negro publicou em seu balanço os gastos salariais de todas as modalidades e da área social.

Em relação aos outros seis times que obtiveram colocações melhores do que ele no Brasileirão de 2019, o Corinthians só apresentou folha de pagamento menos cara que a do terceiro colocado, o Palmeiras (por volta de R$ 20,3 milhões).

O Santos, vice-campeão, registrou despesa mensal com remunerações no futebol de aproximadamente R$ 11,4 milhões.

Também gastaram menos do que o clube comandado por Andrés o Grêmio (cerca de R$ 15,3 milhões e quarto colocado), o Athletico (por volta de R$ 10,5 milhões, incluindo premiações, e quinto colocado, o São Paulo (em torno de R$ 14,2 milhões e sexto na classificação) e Internacional (por volta de R$ 14,6 milhões e sétimo na tabela).

Para este blogueiro, essa combinação entre despesas e desempenho esportivo deixa clara a ineficiência da atual administração alvinegra.

Quando voltou à presidência, Andrés colocou como uma de suas principais metas arrumar as finanças do clube. Só que 2019 terminou com déficit de 177 milhões para os corintianos. O valor vai aumentar por conta de uma correção no balanço para incluir valores cobrados pelo JMalucelli pela venda de Jucilei.

É natural no futebol um clube amargar jejum de títulos enquanto bota suas finanças em dia. No ano passado, o Corinthians não passou em branco, pois conquistou o Estadual, mas se enforcou ainda mais financeiramente.

A maioria dos clubes usados como comparação também pode ter sua relação entre gastos e desempenho esportivo questionada, mas os números escancaram que no Parque São Jorge o problema é maior. Sem usar lupa é possível afirmar que até aqui Andrés faz uma má gestão em sua segunda passagem pela presidência.

Ainda que ele equacione a dívida relativa à construção da arena do clube, a gastança com um time que não foi além de vencer o Estadual no ano passado deixará no mínimo uma nódoa em seu currículo.

Pressão sobre Andrés amadurece candidatura de Duílio

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O endurecimento dos ataques da oposição à atual gestão amadureceram a ideia de Andrés Sanchez de lançar a candidatura de Duílio Monteiro Alves à presidência do Corinthians. A eleição acontecerá no final do ano.

Conforme apurou o blog, o presidente alvinegro adotou o discurso de que não pretendia se envolver na disputa, mas que o bombardeio contra sua administração o faz mudar de ideia. Antes, ele admitia apenas votar num eventual candidato escolhido por seu grupo.

A ida de Sanchez para o campo de batalha seria uma forma dura de o dirigente reagir.

Antes mesmo da abertura do registro de chapas, já existem dois candidatos que se consideram de oposição: Mário Gobbi e Augusto Melo. Apoiadores de Paulo Garcia afirmam que ele também vai se candidatar.

O cálculo dos “andresistas” é que o atual presidente consegue transferir quase todos os votos de seus eleitores mais fiéis para quem ele decidir apoiar. Ainda que perca seguidores em relação ao último pleito, a divisão dos votos de oposicionistas seria suficiente para a “base fixa” de Andrés assegurar a vitória. Sanchez não fala com o blog, por isso não foi ouvido sobre o assunto.

Integrante da atual gestão afirmou ao blog que Duílio já deixou claro internamente que quer se candidatar. O blog tentou ouvir o diretor de futebol por meio da assessoria de imprensa do Corinthians, mas não obteve resposta até a conclusão deste post.

Nas últimas semanas, os oposicionistas centraram fogo em críticas à situação financeira do clube nas mãos de Andrés. Constantes cobranças feitas na Justiça, o déficit de R$ 177 milhões registrado no ano passado e supostas falhas no balanço de 2019 fora os principais alvos.

A blitz culminou com a decisão dos conselhos de Fiscalização e de Orientação de recomendar a reprovação das contas relativas ao ano passado.

A palavra final cabe ao Conselho Deliberativo. De acordo com o estatuto alvinegro, a reprovação das contas pelo conselho é um dos motivos para abertura de processo de impeachment do presidente do clube.

Andrés, porém, já contra-atacou pedindo a anulação da reunião do Cori na qual, por meio de votação, o órgão decidiu recomendar a reprovação das contas. O pedido foi encaminhado formalmente para Roberson de Medeiros, presidente do Conselho de Orientação.

O presidente da Corinthians alega que ele não foi convidado para a sessão virtual, o que violaria determinação estatutária de garantir presença ao principal dirigente do clube.

Sanchez também aponta que a pauta da reunião previa análise do parecer elaborado pelo Conselho Fiscal e não votação das contas.

Numa demonstração de que de fato está disposto a jogar pesado, o presidente alvinegro pediu a gravação da videoconferência. Isso permite que ele tenha acesso a detalhes da reunião que não estejam na ata. Se o pedido for aceito, o cartola conhecerá, por exemplo, eventuais críticas feitas à sua gestão por membros do órgão. Assim, poderá calibrar melhor sua mira.

Aliados de Garcia usam votação contra Andrés como sinal de distanciamento

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Paulo Garcia não está alinhado com Andrés Sanchez e não será apoiado pelo atual presidente corintiano na eleição presidencial no fim do ano. É o que insistem em dizer os aliados de um dos donos da rede Kalunga. Para sustentar esse argumento, eles passaram a usar a decisão do Cori (Conselho de Orientação do Corinthians) de recomendar a reprovação das contas apresentadas pela diretoria referentes a 2019.

O argumento é de que os membros do Cori que fazem parte do grupo de Garcia votaram na última segunda (13) pela recomendação de rejeição. A reunião terminou com seis votos favoráveis à orientação de reprovação e cinco pela aprovação. A votação final será feita pelo Conselho Deliberativo. Se as contas forem rejeitadas, um processo de impeachment poderá ser aberto contra Andrés.

“Para alguns incrédulos que diziam que nosso grupo votaria a favor das contas, esse é o início. Todas pessoas ligadas ao Paulo no Cori votaram pela rejeição”, disse Fran Papaiordanou, um dos principais aliados de Garcia na política corintiana. O blog identificou três simpatizantes de Garcia entre os que votaram pela recomendação contrária à aprovação das contas.

Além da discussão sobre a possibilidade de Andrés apoiar Garcia para presidente, outro ponto que torna importante o posicionamento dos aliados do empresário no Cori é a votação das contas no conselho.

Pelo menos a maioria dos principais líderes políticos alvinegros entende que só com o suporte de Garcia o atual presidente teria chances de evitar a reprovação das contas no órgão.

Assim, o comportamento da ala de Garcia no Cori é usado por seus aliados como demonstração de que o grupo não socorrerá Sanchez no conselho.

O discurso dos apoiadores do empresário é de que a ala vota contra as contas não por questão política, mas tecnicamente. A motivação está, segundo eles, em falhas que enxergam nas contas e no balanço de 2019.

Os argumentos são os mesmos usados pelo Conselho Fiscal para recomendar a reprovação. Os pontos centrais são a diferença entre a previsão de superávit de R$ 650 mil e o déficit anunciado de R$ 177 milhões em 2019, além da ausência de detalhes de uma cobrança judicial milionária feita pelo JMalucelli envolvendo a venda de Jucilei. A diretoria nega ter cometido irregularidades.

Entre conselheiros do clube, Garcia costuma enfrentar a suspeita de alinhamento com Sanchez, apesar de ter sido um dos candidatos derrotados na última eleição.

Um dos argumentos de quem aponta proximidade entre ambos é o fato de Garcia, por meio de suas empresas, ter sido o principal doador da campanha vitoriosa de Andrés a deputado federal em 2014.

Concorrentes políticos de Garcia fazem barulho em relação à constatação de que o agente de jogadores Fernando Garcia, irmão de Paulo, ter longo histórico de negociações com o Corinthians nas gestões de Sanchez e de presidentes ligados a seu grupo político.

Paulo, no entanto, não tem participação nos negócios do irmão, que é amigo de Andrés desde os tempos em que era conselheiro corintiano e já atuava como empresário. Depois de suas negociações ganharem destaque, ele se retirou do órgão alvinegro.

Aliados de Paulo afirmam que, se ele for eleito presidente, o Corinthians não fará negócios com seu irmão.

Paulo ainda não lançou sua candidatura, mas já articula apoios importantes para a campanha.

O ex-presidente Mário Gobbi, que votou pela recomendação de rejeição das contas no Cori, e Augusto Melo já formalizaram fizeram lançamento oficial, apesar de o registro para chapas não estar aberto.

Duílio Monteiro Alves, diretor de futebol do clube, é cotado como possível candidato situacionista.

Presidente do Conselho Fiscal vê Corinthians em situação calamitosa

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A situação financeira do Corinthians é calamitosa nas palavras do presidente do Conselho Fiscal do clube, Haroldo José Dantas da Silva.

Em entrevista ao blog, ele detalhou os motivos que levaram o órgão a recomendar ao Cori (Conselho de Orientação) e ao Conselho Deliberativo a reprovação das contas referentes ao ano passado.

O órgão também recomendou a não aprovação do balanço. Haroldo disse ainda que fatos mais graves podem ser descobertos se o conselho instalar a sindicância solicitada pelo Conselho Fiscal.

A investigação teria o objetivo de esmiuçar a operação na qual o alvinegro contraiu uma dívida milionária com o JMalucelli pela venda de Jucilei.

“O clube está numa situação calamitosa. A situação que já era praticamente insuportável, agora vai ficar ainda mais complicada”, afirmou Haroldo.

Ele se refere a um possível aumento de R$ 18.456.000 no déficit apresentado no balanço do clube relativo ao ano passado e que era de cerca de R$ 177 milhões.

Pelos cálculos do Conselho Fiscal, o valor correto do déficit pode chegar a pelo menos R$ 195.476.000. O aumento acontece, na análise do órgão, por conta de uma cobrança Judicial feita pelo JMalucelli e que não teria sido relatada no balanço financeiro corintiano.

Em junho, o JMalucelli conseguiu na Justiça um bloqueio de R$ 23 milhões nas contas do Corinthians alegando o descumprimento de um acordo firmado em 2019 pelo qual o alvinegro se comprometia a pagar R$ 17,9 milhões referentes à venda de Jucilei para o Anzhi, da Rússia, em 2011. Ao tomar conhecimento de tal fato, o Conselho Fiscal ouviu dois representantes da empresa que auditou o balanço do clube.

“Eles nos disseram que essa operação não aparece no balanço porque eles nāo foram informados sobre ela. Então, recomendamos a reprovação das contas e do balanço e pedimos a abertura de uma sindicância para apurar o que aconteceu”, afirmou Haroldo.

O presidente do Conselho Fiscal diz acreditar que a sindicância pode encontrar fatos graves que possam gerar o pedido de impeachment de Andrés Sanchez. O mandato do presidente termina no final deste ano.

Porém, a sindicância não é o único risco para Andrés. O estatuto corintiano diz que a reprovação das contas é um dos motivos para a abertura do pedido de impeachment. O balanço já estava na mira de conselheiros da oposição por conta da diferença entre a previsão orçamentária, que projetava superávit de R$ 650 mil, e o déficit anunciado (aproximadamente R$ 177 milhões).

O Conselho Deliberativo analisará o parecer dos conselheiros fiscais antes de votar as contas. “Nossa decisão protege o clube, que pode sofrer sanções previstas no Profut (programa de refinanciamento das dívidas fiscais das agremiações), se forem apresentadas irregularidades no balanço. Se os órgãos internos tomam as devidas providências, o clube não pode ser punido”, disse Haroldo.

Direção nega irregularidades

A diretoria corintiana nega irregularidades na prestação de contas. O diretor financeiro Matias Antonio Romano de Ávila não quis comentar as declarações de Haroldo. Porém, como mostrou o blog, ele define a situação financeira do clube como tranquila.

“Só o que posso dizer é que com a receita prevista para 2020 e com as vendas de jogadores que já foram feitas, o Corinthians vai ter um ano tranquilo”, disse o diretor financeiro, apesar das dificuldades para pagar as remunerações dos jogadores em dia. Os cartolas apontam problemas de fluxo de caixa que, de acordo com eles, serão sanados no segundo semestre. 

Internamente, o discurso da direção corintiana é de que a dívida com o JMalucelli está contabilizada no balanço de 2019, mas em seu valor principal: cerca de R$ 7 milhões, na versão dos cartolas. Juros que fazem parte de um acordo de parcelamento não teriam entrado conta sob o argumento de que não seriam pagos em 2019.

Também nos bastidores, a direção corintiana afirma ter ter acertado em um novo acordo valor inferior aos 23 milhões pedidos inicialmente pelo JMalucelli.

 

Eleição no Corinthians: candidato fala em ‘fim de benesses’ para agentes

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Entrevista com Augusto Melo, oposicionista e candidato à presidência do Corinthians na eleição marcada para 28 de novembro.

Entre suas propostas está escrito “fim das benesses para empresários”. O que isso significa?

Fim das benesses para os empresários é acabar com a farra da base, né, Perrone? Quando eu fui diretor da base, nós tiramos empresário do vestiário da base. Empresário comia lanche das crianças, tomava suco das crianças. Nós tiramos a farra dos empresários no vestiário da base. Com a gente na presidência, jogador da base vai ser do clube, 100%. Claro que existe uma parcela quando você traz o jogador de outro clube, mas, hoje, essa parcela seria de 20%. O Corinthians ficaria com 80%. (Nota do blog: Melo foi assessor da diretoria de futebol de base na gestão de Roberto de Andrade, do grupo de Andrés. Em 2016, ele era assessor do diretor José Onofre de Souza, que entregou o cargo após uma série de problemas no setor. Melo e os outros assessores também acabaram saindo).

Quando eu li “fim das benesses” imaginei que você se referia a parar de contratar jogadores principalmente de um pequeno grupo de empresários.

É isso também, acabar com algumas comissões. Por exemplo, quando você compra o jogador, você não tem que pagar comissão, quem paga comissão é quem está vendendo. Hoje se paga comissão pra comprar e pra vender. Nós vamos acabar com esse tipo de comissão (na compra). E empresário também, são sempre os mesmos. Claro que, hoje, você falar que vai acabar com empresário, isso não existe, porque o jogador nasce e já tem empresário. Mas nós teremos um controle rigoroso sobre isso. Tanto que estou implantando compliance para isso. Para eu também ser investigado, os diretores serem investigados, o treinador ser investigado, os jogadores serem investigados, os funcionários serem investigados, tudo nesse sentido. Por que só faz contratação com esse empresário? Por que dois empresários estão oferecendo (o jogador) pelo mesmo valor e você vai comprar com A, não com B, entendeu? Vamos acabar com essas coisas. E outra, você também tem que dar chance para o empresário pequeno, que às vezes tem uma joia rara que ele descobriu em algum lugar. Você tem que dar uma abertura para esse pessoal também. Mas tudo com contrato rigoroso, contrato de risco. Como o Jô, por exemplo. Por que não se faz um contrato de um ano e meio e, depois, por produtividade? Se ele for bem como foi na última passagem, você renova com ele. Agora, você não pode ficar correndo risco do (volante) Cristian da outra vez. Faz um contrato enorme, o cara se acomoda e fica recebendo pelo resto da vida. Na nossa gestão não vai ter isso. E contratação vai ser de qualidade, não em quantidade.

Você falou em compliance. Hoje, todo candidato à presidência de um clube fala em compliance. Então, é importante esclarecer como vai ser isso. Pode explicar melhor? Quem fiscaliza?

Isso é o departamento de compliance, que nós já criamos. Não é só de fala, o meu diretor de compliance se chama doutor Luís Castelo, um advogado tributarista renomado, palestrante, já está montando um departamento no qual ele tomará conta de tudo e tudo que for contratação, compra, venda, gastos em geral, sempre vai ter o complaince por trás investigando porque está sendo feito dessa forma. Por que está sendo feito com essa pessoa, vai ser investigada toda empresa de terceirização, funcionários, diretores, conselheiros, presidente, jogadores, enfim, geral. Justamente pra isso, pra inibir certas transações obscuras, essas coisas todas.

Seu programa prevê estabelecimento de metas, isso vai ser em geral, para jogadores, diretores…

Em geral, departamentos, diretoria, assessores. O clube vai ser gerido por metas. Por exemplo, vamos criar um departamento de marketing só para o clube (social) no qual cada departamento vai ter uma área comercial. Por exemplo, o basquete, para se manter, vai ter que trabalhar para ser sustentável. Isso vai acontecer no basquete, no vôlei, no futsal… Porque, futuramente, a gente quer separar o clube do futebol (nota do blog: as fontes de receitas seriam diferentes, mas o CNPJ continuaria sendo o mesmo). O clube (social) vai ter que ser autossustentável. Ele é autossustentável, o que falta no clube é uma administração profissional. O futebol também vai ter essas metas. Por exemplo, o Tiago Nunes chegou e falou: ‘Augusto, isso aqui está sucateado, o sub-23 não fala com o sub-20, a base não fala comigo. Como eu posso ter uma transição da base para o profissional? Como a gente pode ter um diálogo nesse sentido?” Então, a minha diretoria de base tem que ter essa meta, a minha diretoria do profissional tem que ter essa meta, a minha comissão tem que ter essa meta, são metas que terão que ser cumpridas.

Você acredita que a maioria dos contratos dos jogadores possa ser com meta?

Não, vai ser caso a caso. Mais os contratos de risco. Por exemplo, o do Jô. O Jô para nós foi uma surpresa na última passagem dele, ninguém discute a qualidade do Jô. Excelente jogador, foi uma ótima contratação. Só acho errada a forma como ele foi contratado. A gente faria uma meta. Um ano e meio, ele já estaria com quase 35 anos, ele vem de uma lesão, um tempão parado, o que garante que ele vai render? Ele quer terminar a carreira aqui, então também tem que abrir mão de algumas coisas. A gente faz essa produtividade, depois de um ano e meio.

É um desafio convencer o torcedor dessa visão mais profissional? O torcedor, na média, não se incomodou com o fato de o contrato do Jô ser até o final de 2023  e hoje eletele 33 anos.

Por isso é que nós estamos nessa situação, porque eles (diretorias ligadas ao grupo de Andrés Sanchez) sempre viram títulos e não viram a parte financeira, agora a conta chegou. Se você escutar a fala do presidente da Gaviões, ele fala exatamente isso. A Gaviões da Fiel, eu acho um absurdo isso, mas ela está admitindo que ela fica cinco anos sem títulos, mas coloca as finanças em ordem para não ser mais motivo de chacota, de gozação. Então, tenho certeza que, a gente colocando isso em prática, dando certo, eles vão absorver rapidamente. E esse é o futuro, não tem outra. Os clubes brasileiros estão fazendo contratos absurdos, querendo se comparar a times europeus, por isso que estão todos nessa situação.

Mas você tem um tópico no seu programa que fala em time vencedor. Como vai ser, você prevê o Corinthians sem títulos por um período para colocar as finanças em ordem?

Não existe isso, haja vista que os últimos três campeonatos nos ganhamos com time medíocre. O Corinthians tem uma força inexplicável. E outra, time de futebol não se faz só com contratações de peso. O Corinthians foi campeão em 2012 (venceu a Libertadores e o Mundial de Clubes) com um time, entre aspas, medíocre, no sentido que ninguém o conhecia (nota do blog: esses títulos foram conquistados na gestão de Mário Gobbi, também candidato na próxima eleição). Todo mundo se destacou e era para ser vendido por milhões, mas foi vendido por mixaria. Nós fizemos esses jogadores. Ninguém conhecia Ralf, Paulinho, o prório Renato Augusto não tinha tanta valorização, o Cássio era reserva do Júlio César, o Alessandro era um jogador normal, o Chicão ninguém conhecia. Enfim, Jorge Henrique só jogou no Corinthians, mas se enquadrou num esquema tático, num planejamento de futuro do Corinthians. E é o que nós vamos fazer. Nós não vamos buscar jogadores baratos, vamos buscar jogadores de qualidade. O time se faz no vestiário, disso eu conheço um pouco. Todos nós sabemos que, se não tiver vestiário, não tem time, pode ser o melhor time do mundo.

Seu programa fala em respeitar o corintiano. O que isso significa?

Nós vamos trazer o Corinthians de volta para o corintiano. De que forma nós vamos respeitar o torcedor? Dando estrutura pra ele, com ingresso mais barato, com congelamento de preços. Vamos ter um congelamento anual de preços, um preço único de janeiro a janeiro. Com isso nós vamos ganhar na parte de Fiel Torcedor. Nós temos um projeto nacional de Fiel Torcedor (programa de sócio-torcedor), com o qual vamos triplicar a receita com o Fiel Torcedor. Com estádio cheio, a gente consegue um patrocinador master melhor, a gente consegue exigir um pouco mais da televisão. Então vamos respeitar o Fiel Torcedor em todos os sentidos.

Sei que isso depende de mudança estatutária, do conselho, mas você pretende dar direito a voto para o sócio do Fiel Torcedor?

Nossa intenção é essa. Não todos eles. Mas a gente quer, já no próximo ano, entrar com um projeto de estatuto da seguinte forma: o Fiel Torcedor que tem mais pontuação, mais antigo, trazer ele para o clube, para ele ser sócio do clube. Não adianta o Fiel Torcedor ficar longe do clube, porque senão ele não sabe o que acontece dentro do clube, ele nunca vai saber o que acontece na parte de administração, ele vai estar votando por resultado.

Como você vai triplicar o número de sócios do Fiel Torcedor?

A partir do momento em que você tem um ingresso congelado, a partir do momento em que você tem o preço do ingresso congelado,automaticamente a pessoa vai ter que ficar sócia do Fiel Torcedor para ter direito a esses benefícios. É aí que ele vai aumentar. E outra, nossa intenção não é que (o sócio-torcedor) pague antecipadamente (os ingressos). É pagar no dia a dia para dar chance para outros irem nos jogos também. Por exemplo, a torcida organizada (setor norte da Arena Corinthians), tem o melhor preço do mundo: R$ 24. A parte sul tem a mesma visibilidade, então tem que ter o mesmo preço (nota do blog: por pedido das organizadas, o setor norte não tem cadeiras). Nas partes leste e oeste vamos abaixar o custo.

O que você propõe é manter o preço do setor norte e reduzir em todos os outros setores? A ideia é cobrar menos, mas ter uma média de público maior?

Isso. Vamos ter um projeto legal para as cativas. A maioria das pessoas da cativa compra o ingresso (para garantir pontos no programa de benefícios), mas não  vai. Aí você fica com ela vazia. Qual é o nosso projeto. Vamos supor, a pessoa compra uma cativa, R$ 100 o ingresso de um jogo, um dia, dois dias antes da partida, se ela resolver que não vai no jogo, eu recoloco esse ingresso na bilheteria pra vender e devolvo  pra ela 40% do valor. O clube ainda tem um lucro de 60%  com o ingresso dele.

 

Cúpula do conselho corintiano vê desrespeito ao órgão em ação contra Andrés

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A decisão do grupo oposicionista Frente Liberdade Corinthiana de pedir na Justiça o afastamento de Andrés Sanchez da presidência do Corinthians incomodou integrantes da mesa diretora do Conselho Deliberativo (CD) do clube. Conforme apurou o blog, integrantes da mesa diretora interpretaram a atitude como um desrespeito ao conselho.

O entendimento na cúpula do CD é de que toda tentativa de afastar um presidente da agremiação deve ser feita por meio dos órgãos internos. O estatuto alvinegro determina que eventual pedido de impeachment deve ser encaminhado pelo presidente do conselho à comissão de ética do órgão para análise, apresentação da defesa,  emissão de parecer e posterior votação no colegiado. Caso o afastamento seja aprovado pelo CD, ele ainda precisa passar pelo crivo dos sócios.

A cúpula do conselho entende que, para demonstrar respeito, o grupo oposicionista deveria pelo menos ter procurado a mesa diretora do órgão para informar sua intenção.

Como não foi procurada antes de a Justiça ser acionada, a cúpula do órgão não irá chamar os opositores para conversar agora. A ideia é esperar a próxima reunião do conselho para manifestar internamente a insatisfação.

Ao blog, Antônio Goulart dos Reis, presidente do CD, disse que não concederia entrevista sobre o tema.

O sentimento da cúpula do conselho de que o órgão foi desrespeitado é compartilhado pela diretoria corintiana. Em nota divulgada no site oficial do clube, a diretoria disse que o estatuto foi atropelado com a ida dos opositores à Justiça.

Ao entrar com a ação, a Frente Liberdade Corinthiana escancarou a insatisfação com a condução de suas demandas nos órgãos da agremiação.

“Optamos pelo ajuizamento da ação por conta das evidentes violações aos mandamentos legais, estatutários, e pelo fato de o STJ já ter se manifestado em outras oportunidades sobre a competência do poder judiciário para enfrentar questões como essa. Em tempos passados, o Conselho Deliberativo foi instado a se manifestar no caso do (então presidente) Roberto de Andrade e acabou não acolhendo o pleito dos conselheiros. Então, optamos pelo poder judiciário”, disse Cristiano Medina, advogado da Frente Liberdade Corinthiana ao blog nesta segunda (29).

Desrespeitar o estatuto é um dos motivos que permite o pedido de impeachment de acordo com as normas estatutárias. O grupo oposicionistas acusa Andrés, entre outras supostas infrações, de contrair empréstimos sem autorização do Cori (Conselho de Orientação).

Sanchez não fala com o blog, por isso não pôde ser ouvido. Porém, em outras ocasiões, o departamento financeiro negou falhas em suas operações.

Ex-diretor acusa Andrés de praticar crimes de injúria e difamação 5 vezes

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Com Pedro Lopes, do UOL em São Paulo

Em queixa que apresentou à Justiça contra Andrés Sanchez, Felipe Ezabella, ex-diretor de esportes terrestres, afirma que o atual presidente do Corinthians incorreu em crime cinco vezes ao citá-lo em duas entrevistas. Ele pede para que o cartola seja processado pela prática dos delitos de difamação (duas vezes) e de injúria (três vezes). Sanchez não pôde ser ouvido porque não fala com o blog.

A queixa-crime foi apresentada após Andrés dizer em entrevistas que Ezabella, diretor em sua primeira gestão no alvinegro, precisa provar como ganhou R$ 500 mil reais entre Sporting, Corinthians e o ex-volante Elias. O dirigente também chamou o desafeto de covarde e afirmou que ele chamava Mario Gobbi de ladrão e agora apoia o ex-presidente, possível candidato à presidência da agremiação no final do ano.

Ezabella diz na representação que nenhuma das afirmações de Andrés é verdadeira.

Ele declara que chegou a ser contratado pelo volante para atuar como advogado em algumas ações. Mas assegura que “nunca recebeu honorários, comissão de agenciamento ou qualquer
quantia do clube, por conseguinte, não recebeu qualquer valor pela transferência do atleta”.

O ex-diretor e ex-candidato à presidência derrotado na última votação ocupava os cargos de  conselheiro e membro do Cori (Conselho de Orientação) quando Elias foi contratado junto ao time português, em 2014. O estatuto corintiano impede que conselheiros sejam remunerados pela agremiação.

Por meio de seus advogados, Ezabella pede ainda que eventuais penas aplicadas sem acrescidas em um terço pelo fato de as supostas injúrias e difamações terem sido feitas em entrevistas, o que, em tese, facilita a propagação delas.

O crime de difamação prevê de três meses a um ano de prisão e multa. A injúria pode render de um mês a seis meses de detenção.

No documento enviado à Justiça, os advogados do ex-aliado de Andrés afirmam que o presidente alvinegro demonstra “o que parece ser uma espécie mal resolvida de admiração (por Ezabella), o querelado não resiste a, sempre que possível, atacar o
querelante. Agora, porém, o ataque foi criminoso”.

De a ordo com a queixa-crime, Andrés começou a citar o nome do opositor quando não tinha sido Indagado sobre ele. Ezabella listou cinco testemunhas. Gobbi é uma dekas.

Corte de ajuda enquanto Palmeiras apoia base gera revolta no Corinthians

Leia o post original por Perrone

Com Diego Salgado, do UOL em São Paulo

O corte de ajuda de custo para garotos das categorias de base do futebol do Corinthians associado à postura oposta do rival Palmeiras gera revolta entre pais dos meninos alvinegros. A insatisfação atinge também membros do departamento de futebol amador que pretendem conversar com o presidente Andrés Sanchez para tentar reverter a medida.

Em geral, o problema se concentra entre as categorias que vão do  sub-11 ao sub-14. Como não estão ocorrendo treinos por conta das medidas de distanciamento social para combater o avanço do novo coronavírus, a direção corintiana cortou a ajuda de custo dos atletas que ainda não podem assinar contrato profissional. A principal justificativa é a queda de receitas sofrida pelo clube com a suspensão dos jogos profissionais.

Familiares dos meninos, porém, reclamam que o corte veio justamente no momento em que eles mais precisam de suporte. O argumento é de que alguns já dependiam da ajuda de custo para auxiliar as famílias e que pelo menos algumas delas ficaram mais vulneráveis durante a pandemia com perdas de receita.

Os valores pagos variam entre R$ 300 e R$ 500, segundo fontes ouvidas pelo blog.

A situação ficou mais incômoda quando os meninos e seus familiares descobriram que o Palmeiras teve gesto diferente com seus atletas da base.

Apesar da suspensão dos treinamentos, o alviverde manteve a ajuda de custo para os atletas das categorias de base e, quando necessário, reforça a assistência com medidas como entrega de cestas básicas.

Desde que os jogadores entram nos times de base, o Palmeiras monitora suas condições sociais, o que facilita o acompanhamento durante a pandemia.

O clube já detectou atletas que precisaram de mais apoio porque seus pais tiveram queda de receita por conta dos reflexos da pandemia.

No Corinthians, os cortes desagradaram integrantes das categorias de base em todos os níveis.

Alguns dos responsáveis pelo departamento definem o corte  nas ajudas de custo nesse instante como um gesto insensível e um erro de gestão.

Eles relatam ter conhecimento de  que parte dos garotos sente significativamente a perda de receita. Por isso se mobilizam para tentar reverter a situação junto a Sanchez.

De acordo com um dos integrantes do departamento de futebol amador, o corte começa a valer para a ajuda referente a abril, paga agora no começo de maio.

Corinthians nega insensibilidade

O blog procurou a assessoria de imprensa do Corinthians para ouvir a diretoria sobre o tema. Abaixo, leia a nota enviada como resposta.

“A decisão está baseada simplesmente na redução de receitas que impossibilita o pagamento nesse momento. Não quer dizer que não pagaremos no futuro, quando a situação de caixa se estabilizar. A situação será avaliada caso a caso, e é importante destacar que o clube é sensível à situação desses garotos e suas famílias”.

O blog ainda indagou se os jogadores podem ser ressarcidos no futuro pelas ajudas de custo eventualmente não pagas. A resposta da assessoria de imprensa foi: “a princípio, (a ajuda de custo) pode ser retomada e não ressarcida, mas isso será avaliado oportunamente”.

Análise: Corinthians consegue criar crise mesmo sem jogar

Leia o post original por Perrone

Com o Campeonato Paulista suspenso por causa da pandemia de Covid-19, o Corinthians ganhou tempo para lamber as feridas e tentar voltar saudável para a competição na qual ostenta desastrosa campanha. Porém, justamente quem deveria cuidar dessa recuperação faz o clube sangrar mais ainda.

Mesmo sem derrotas ou empates diante de adversários teoricamente mais fracos, Andrés Sanchez e Tiago Nunes conseguiram a proeza de criar uma nova crise.

A primeira lambança foi feita pelo treinador, em março, já com o campeonato parado. Ele deu entrevista dizendo que o Cifut (Centro de Inteligência do Futebol)  do Corinthians estava sucateado quando ele chegou ao alvinegro.

Nunes não é um técnico do infantil para não saber que tal tipo de crítica feita publicamente vai criar problema com a diretoria. Isso mesmo se seu trabalho fosse ótimo e o time estivesse liderando o Estadual, o que está bem longe da realidade.

O assunto parecia morto até que nesta quarta (23), em entrevista ao jornalista Jorge Nicola, Andrés Sanchez resolveu responder ao técnico.

O presidente corintiano afirmou que está bravo com o treinador e que Nunes deve ter vindo do Barcelona para reclamar do Cifut alvinegro. Andrés disse que nenhum clube brasileiro, e nem o Barça, tem um departamento mais moderno do que o de seu time.

Ou seja, não se deu ao trabalho de ser fiel às declarações do técnico. Nunes não reclamou de equipamentos. Disse que o Cifut estava defasado em relação a informações.

Sanchez não é dirigente de time escolar para não saber que ao responder publicamente ao técnico comete o mesmo erro de seu funcionário.

Pelo contrário. Andrés tem traquejo de sobra para agir dentro do vestiário. Assim, não dá pra visualizar bem seu gesto. Não por falta de clareza, mas por conta da fumaça de fritura em volta do técnico corintiano.