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Finanças, política e arena. Como crise ameaça Corinthians fora de campo

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Os maus resultados do Corinthians em campo ameaçam também o clube fora dos gramados. Abaixo veja os reflexos que já são sentidos e que ainda podem acontecer em outras áreas por conta da má fase do time.

Finanças

A crise técnica afeta diretamente as finanças do clube. O principal exemplo é o risco de o Corinthians ficar fora da Libertadores do ano que vem. Seria o segundo ano seguido de ausência na competição, o que significa ficar sem importantes receitas de premiação e bilheteria.

Em 2019, só a disputa da fase de grupos da badalada competição rendeu prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,9 milhões) por partida como mandante. Foram aproximadamente R$ 11,9 milhões para cada time que disputou essa etapa.

Porém, mesmo que a equipe se recupere após a demissão de Fábio Carille, a má fase já fez estragos nos cofres alvinegros. O mais sentido é a perda de receita com a eliminação nas semifinais da Copa Sul-Americana diante do Independiente del Valle. A queda fez com que o Corinthians deixasse de faturar pelo menos US$ 2 milhões (por volta de R$ 7,9 milhões), valor oferecido ao vice-campeão. A conquista do título vale o dobro. Não é perder tempo lembrar que o alvinegro enfrenta série crise financeira.

Arena

Imediatamente, a atual fase deve provocar uma queda nas arrecadações dos jogos da equipe na sequência do Brasileirão. É natural que o público diminua após a derrota por 4 a 1 para o Flamengo, no último domingo (3) e a sequência de oito jogos sem vencer.

A receita líquida obtida com a venda de entradas obrigatoriamente é usada para pagar a dívida com a Caixa pelo financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDES para serem usados na construção da Arena Corinthians. Rendas menores complicam ainda mais a situação.

Neste momento, clube e banco negociam um acordo para colocar fim na execução judicial feita pela Caixa. A instituição financeira alega que o fundo responsável pelo estádio, ligado à agremiação e à construtora Odebrecht, deixou de pagar mensalidades. Assim, no seu entendimento, descumpriu o contrato permitindo a cobrança imediata de R$ 536 milhões.

A eventual falta de jogos pela Libertadores em 2020, caso a vaga não seja conquistada, também afetaria a receita usada para pagar as parcelas do financiamento realizado pela Caixa.

Eleição

O momento desastroso do Corinthians no Brasileirão ameaça a imagem do diretor de futebol Adilson Monteiro Alves. Ele é o mais cotado para ser candidato da situação à sucessão de Andrés Sanchez na eleição presidencial de novembro do ano que vem.

É tradição do grupo do atual presidente dirigentes que comandam o futebol se candidatarem a presidir o clube. Títulos conquistados são essenciais para alavancar as candidaturas. Neste ano, Duílio comemorou o título paulista, mas a queda de rendimento no Brasileirão turbina críticas à sua gestão. Além disso, se o time não reagir e ficar fora da próxima Libertadores, Duílio não poderá tentar contar com o título da competição continental como imã de votos.

Oposição fortalecida

Os oitos jogos sem vitória no Brasileiro alimentam a oposição corintiana com argumentos contra a atual gestão. O dia seguinte ao vexame no Maracanã foi de movimentação de opositores em busca de estratégias para cobrar a diretora.

Um exemplo de como a crise dá argumentos para os opositores é a reação de Antônio Roque Citadini, um dos líderes da oposição, às mudanças prometidas por Andrés após o fracasso no Maracanã.

“‘Mudança drástica’, anuncia o Corinthians. Quem quiser acreditar, acredite. Teremos algumas mudanças: técnico, auxiliar, um ou outro jogador. Mas nada que mexa com a direção que administra o clube a partir dos interesses de 3 e meio empresários. Compram, vendem e renovam contrato”.

 

Autor de tributo a golpe militar diz ter festejado democracia corintiana

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Osmar Stabile, conselheiro oposicionista do Corinthians, não quer dar entrevistas neste momento sobre a iniciativa de financiar vídeo de apoio ao golpe militar de 1964 e que acabou sendo divulgado pelo Planalto no último domingo (31). Porém, o blog apurou que nos bastidores ele argumenta não ter ido na contramão do clube, que no primeiro jogo contra o Santos pelas semifinais do Paulista resgatou faixa a favor da democracia. Sua narrativa longe dos microfones também é de que ele tem dúvidas sobre a ocorrência de tortura durante o regime militar.

Ao UOL Esporte, Edna Murad, vice-presidente do Corinthians, criticou Stabile dizendo que credita seu posicionamento a uma visão rasa da história do país e do alvinegro. Classificou como absurda a defesa de um regime acusado de praticar tortura. A apuração do blog é de que Stabile afirma ter apoiado e celebrado a volta da democracia nos anos 1980 e a Democracia Corintiana, simbolizada por Sócrates, por entender que a ditatura se estendeu demais. Ele também se diz um democrata, apesar do apoio ao golpe, e que por isso não está numa linha contrária à do clube.

A pelo menos um interlocutor, no entanto, o ex-vice-presidente de esportes terrestres na gestão de Alberto Dualib declarou não poder afirmar que ocorreram torturas durante o regime militar. Alega não ter tido parentes ou amigos torturados. Na nota em que escreveu sobre o vídeo, ele sustentou que não teve a intenção de mexer com os sentimentos daqueles que “se dizem perseguidos pelas forças do Estado” na ocasião. Ao mesmo interlocutor ele afirmou que seu vídeo se refere à intervenção em 1964, não entrando no mérito do que aconteceu durante o regime militar.

Longe dos microfones, o ex-candidato à presidência do Corinthians, também tem dito que concorda com Antonio Roque Citadini, assim como ele conselheiros de oposição no Corinthians. Seu colega se manifestou em rede social afirmando que a maioria esmagadora dos membros do Conselho Deliberativo, o que inclui a atual diretoria, votou em Jair Bolsonaro para a presidência do país.

Para candidatos derrotados por Andrés, penhora da taça afasta patrocínios

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Na opinião de candidatos derrotados por Andrés Sanchez na última eleição no Corinthians, a penhora da taça do Mundial de Clubes de 2012 deve afastar possíveis patrocinadores. Vale lembrar que o alvinegro já não conta com anunciante máster fixo.
O blog procurou os quatro conselheiros que tentaram a presidência. Antônio Roque Citadini disse que não se manifestaria. Felipe Ezabella indicou Fernando Alba para dar uma declaração em nome de seu grupo. Paulo Garcia e Romeu Tuma Júnior comentaram a penhora, fruto de uma dívida da agremiação com o Instituto Santanense de Ensino Superior . Leia abaixo as declarações.
Paulo Garcia
“O Corinthians já não está conseguindo patrocínio porque falta credibilidade. Aí acontece mais uma lambança dessas, só piora a situação. A taça do Mundial tem um significado muito grande para o clube. Pode não ter valor alto financeiro, mas carrega o simbolismo da conquista. Acho um absurdo chegar nesse patamar. E não é só o Corinthians. O futebol brasileiro está cada vez pior.
Sei que o Andrés não queria que a taça fosse penhorada, mas ficar correndo dos outros (credores), de oficial de justiça, e só vendo a dívida crescer é muito ruim. Dever não é demérito nenhum. Mas procura o credor, explica que não vai conseguir pagar, faz um acordo. Deveria procurar os conselhos do clube, debater a situação, não fazer as coisas de maneira escondida.
O salvador da pátria, o (diretor de marketing Luís Paulo) Rosenberg, afundou o clube. É preciso fazer alguma coisa para o Corinthians não ficar cada vez mais para trás. Vou procurar o Andrés nos próximos dias no intuito de ajudar.”
Romeu Tuma Júnior
“Coisa maluca essa penhora. A gestão está uma vergonha, é um  acúmulo de absurdos. Agora, isso tudo pra mim não é novidade. A penhora da taça não é surpresa pra mim. Durante a campanha (eleitoral) eu cantei tudo isso que está acontecendo. Cansei de avisar, mas escolheram o cara.
Acho que o advogado da universidade foi oportunista, pediu a penhora da taça pra ganhar marketing. Ela não tem valor de mercado.
O clube está definhando comercialmente e moralmente. Aí o Andrés vai lá e fala: ‘temos duas taças de Mundial’. Até ele faz chacota. Quem vai querer patrocinar clube no qual penhoram até o troféu? O patrocinador quer se associar a marca que vai projetar o nome dele. Agora, vai se associar a quem só tem mídia espontânea ruim?
O clube deveria chamar a universidade antes, fazer um acordo antes, não deixar chegar nesse ponto. Se ajudar, posso trabalhar como advogado de graça no caso”.

Fernando Alba, representando o movimento Corinthians Grande, que teve Felipe Ezabella como candidato
“Toda notícia negativa como essa arranha a imagem do clube e, com certeza, atrapalha a busca por patrocinadores. E as manifestações dos atuais dirigentes, recheadas de soberba, arrogância e ironia, não ajudam a atenuar a situação.”

Rosenberg x Citadini expõe dúvidas no Corinthians sobre dívida por arena

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Reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians no último dia 23 teve educado embate entre Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing, e Antônio Roque Citadini, um dos candidatos de oposição à presidência derrotados por Andrés Sanchez em fevereiro. A discussão foi sobre uma das maiores preocupações de conselheiros corintianos atualmente: como pagar a dívida gerada pela construção da arena alvinegra?

A postura de cada um simboliza como situação e oposição têm expectativas diferentes sobre o desenrolar do caso. A diretoria tenta transmitir otimismo e confiança de que tudo vai se resolver favoravelmente para a agremiação. Já o diagnóstico da oposição é de uma situação extremamente delicada.

Rosenberg falou antes do opositor na reunião. Discorreu sobre necessidade de renegociar contratos assinados pelo clube em relação ao estádio diante de um período de recessão no país posterior à assinatura dele e pela dificuldade de conseguir negociar os naming rights.

O diretor declarou que a estratégia da diretoria é primeiro cumprir cláusulas que não vinham sendo cumpridas, especialmente voltar a pagar as parcelas do financiamento de R$ 400 milhões intermediado pela Caixa junto ao BNDES. Segundo ele, isso já foi feito e não há prestação atrasada. Depois seriam buscadas melhorias no contrato a favor do clube.

Em seguida, a direção conversaria com a Odebrecht a respeito de um acordo sobre parte das obras que não teriam sido feitas ou tenham sido mal executadas, apesar de a construtora negar que isso tenha ocorrido. Rosenberg disse ainda que a arena voltaria a ser gerenciada pelo departamento de marketing do Corinthians, como ele havia planejado, não com uma estrutura independente.

Ao pegar o microfone, Citadini lembrou que o clube quer refazer contratos com os quais a agremiação concordou. Ou, em outras palavras, o mesmo grupo que está no poder com Andrés Sanhcez, idealizador da arena ao lado de Rosenberg, quer mudar o que assinou.

Depois, o opositor colocou em dúvida que a Caixa aceite mudanças que beneficiem o clube. Citou uma auditoria que teria sido encomendada pelo banco e que colocaria obstáculos para eventuais alterações. Também falou sobre haver eleições presidenciais no país neste ano, o que pode implicar em mudança na diretoria da Caixa a partir de 2019. Segundo ele, isso faz com que seja difícil os atuais responsáveis pelo banco assumirem responsabilidades num tema delicado. Citadini vê um otimismo exagerado de Rosenberg e aposta em dificuldade maior do que a prevista por ele para melhorar a situação. Para o oposicionista, diante do cenário atual, resta aos conselheiros acreditarem num milagre.

O diretor de marketing respondeu que esperava ser criticado quando estipulasse metas tímidas a serem alcançadas, e não altas (o que ele acredita ser o caso agora).

No final, a maioria dos conselheiros deixou a reunião como entrou. Com dúvidas sobre como o clube vai se virar para pagar a dívida pela construção de sua casa própria.

Perícia particular descarta indícios de fraude em eleição corintiana

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Laudo particular preparado por cinco peritos atesta que não existem sinais de manipulação de resultado na eleição corintiana, que terminou com Andrés Sanchez eleito para um novo mandato. Paulo Garcia, segundo colocado na votação, acionou na Justiça a Telemeeting Brasil, empresa responsável pelo sistema eletrônico usado no pleito, por suspeitar de irregularidades.

“Não há indícios de fraude ou alteração por meio técnico do sistema de urna”, diz o documento elaborado pelos especialistas Leandro Morales Baier Stefano, Marcelo Nagy, Leonardo Nery, Jayme Paiola e Joaquim Gomes Vidal. A equipe trabalhou na fiscalização da eleição como representante de Antonio Roque Citadini, terceiro colocado e que encomendou o laudo.

Garcia entrou na Justiça principalmente porque um código existente para assegurar que não houve violação apareceu diferente no final do pleito em relação ao registrado antes da votação. Mas o parecer obtido pelo blog relata que a perícia aponta que não houve alteração de “hash’, como é chamado o código, uma espécie de impressão digital do arquivo.

“O confronto de ‘hash’ diferentes identificado foi um erro operacional do técnico da empresa Telemeeting, que no momento final da apuração de votos não pôde ser corrigido devido à confusão generalizada (tentativa de agressão a Andrés) ocorrida no local do pleito”, dizem os peritos no relatório.

Os especialistas questionaram a empresa sobre a diferença de códigos. Em resposta anexada ao laudo, ela informou que houve uma falha técnica que fez ser apresentado aos fiscais um código diferente. A perícia feita pelos especialistas por meio de uma técnica chamada engenharia reversa confirmou a versão da Telemeeting e afastou suspeita de manipulação.

“Só não podemos dizer se votou só quem deveria votar. Não fizemos controle de associados porque nosso trabalho foi técnico, apenas na parte de informática”, afirmou ao blog o perito Stefano.

Com o resultado da perícia, Citadini não deve ir à Justiça contra a Telemeeting ou para contestar de alguma forma o resultado do pleito.

Apesar de não encontrarem indícios de fraude, os peritos registraram no parecer críticas ao sistema usado. Entre eles está o uso de internet por rede sem fio, que segundo o relatório é inseguro. “É possível atacantes tentarem o acesso ao servidor de banco de dados”, afirma parte do documento.

Outra fragilidade apontada foi a falta de criptografia completa dos dados para dificultar o acesso de pessoas estranhas ao processo, o que reduziria o risco de fraudes.

Os peritos também entenderam que a equipe de técnicos da empresa e seus computadores deveriam ter ficado em um local mais seguro durante a votação.

Procurado, Andrea Mosiic, diretor da Telemeeting, disse que não poderia se pronunciar conforme orientação de seu advogado.

Vale lembrar que esta perícia não tem nada a ver com o processo na Justiça.

Abaixo veja parte da conclusão dos peritos.

 

 

 

 

Tentativa de agressão a Andrés atrapalhou conferência de votos em eleição

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Fiscais da candidatura de Antonio Roque Citadini, terceiro colocado na eleição corintiana, apontam o sumiço de uma urna com os comprovantes de votação pouco depois do final do pleito. O material seria usado para conferir se o número de votos registrado na apuração eletrônica era igual ao de comprovantes em papel. O problema faz parte de uma lista de supostas irregularidades indicadas pelo estafe do opositor que deve interpelar a Telemeeting Brasil, responsável pelo sistema eletrônico de votação.

Procurado pelo blog, Andrea Mosiici, diretor da Telemeeting, disse que a urna com os comprovantes foi retirada do local de votação antes da conferência por causa do tumulto provocado por torcedores que invadiram o ginásio e tentaram agredir Andrés Sanchez, eleito presidente. A medida visou preservar o material, segundo ele. “A conferência foi feita, não da maneira que queríamos por causa daquela confusão, mas foi feita sem problemas”, afirmou Mosiici.

O estafe de Citadini não fala abertamente em manipulação para favorecer um determinado candidato, mas alega ter elementos para afirmar que o sistema utilizado era frágil e vulnerável. O diretor da Telemeeting, porém, nega a possibilidade de violações.

Além de Citadini, a equipe de Paulo Garcia, segundo colocado na eleição, também aponta supostas irregularidades. O candidato entrou com uma ação criminal na Justiça contra a Telemeeting.

 

Suspeita em eleição coloca em xeque plano de Andrés para imagem corintiana

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Durante sua campanha para voltar à presidência do Corinthians, Andrés Sanchez colocou como importante meta resgatar a credibilidade do clube, abalada na opinião dele. A estratégia é gerar notícias positivas que ajudem a atrair patrocinadores a fim de aumentar as receitas do clube. Porém, logo na primeira semana de trabalho da nova diretoria, esse plano foi colocado em xeque com ação proposta na Justiça pelo opositor Paulo Garcia. Segundo candidato mais votado, ele acionou criminalmente a Telemeeting Brasil, empresa responsável pelas urnas eletrônicas usadas no pleito, alegando irregularidades que podem ter alterado o resultado.

Assim, diferentemente do que Andrés planejava, o Corinthians voltou a ficar exposto no noticiário de forma desconfortável. Há na diretoria quem entenda que a suspeita na eleição possa afastar potenciais patrocinadores.

“Toda ruptura da ordem desagradará a classe empresarial. Mas você provando que é mera dor de cotovelo (de quem perdeu a eleição), a situação reverte e bola pra frente”, disse Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing corintiano ao blog. Ele respondia se o fato de a eleição ter sido colocada sob suspeita atrapalha seu trabalho no clube.

Um dos maiores desafios do dirigente é negociar os naming rights da Arena Corinthians. A avaliação de dirigentes é de que notícias sobre supostas falhas na construção e obras que não teriam sido realizadas pela Odebrecht prejudicaram a comercialização até aqui. As informações sobre o clube ter dificuldade para quitar o financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDES para bancar parte da construção também entram no pacote. A construtora alega ter cumprido o contrato na íntegra.

Nos próximos dias, mais barulho deve ser feito por conta da suspeita na eleição corintiana. Antonio Roque Citadini, terceiro colocado na votação, espera a conclusão de um laudo feito por sua equipe sobre o pleito para decidir se também aciona a Telemeeting judicialmente. A empresa nega irregularidades e possibilidade de manipulação do resultado.

 

Rejeição a Andrés valoriza Paulo Garcia e contratação de impacto

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Em 2009, Andrés Sanchez foi reeleito presidente do Corinthians com 1.029 votos de vantagem sobre o segundo colocado, Paulo Garcia. Neste sábado (3), ele voltou à presidência do clube contabilizando o apoio de 401 eleitores a mais do que Garcia, de novo quem ficou mais perto do líder. Além disso, a soma de votantes do vice-lider com os do  terceiro colocado (Antonio Roque Citadini) é maior do que a votação do novo comandante do clube. Esse cenário, somado à nova composição do conselho, com o crescimento da oposição, força os situacionistas a buscarem acordos com adversários.

Não foi por acaso que em sua primeira entrevista após retomar o poder o petista falou da necessidade de pacificar o clube, prometendo adotar bons projetos de outros candidatos. Assim, abriu caminho para novas alianças.

Neste momento, o apoio mais cobiçado, conforme apurou o blog, é o de Garcia. O dono da Kalunga tem bom relacionamento com Andrés. Foi o maior doador da campanha dele a deputado federal. Também emplacou aliados na gestão de Roberto de Andrade. Seus dois candidatos a vice vieram da antiga diretoria: Flávio Adauto (futebol) e Emerson Piovezan (finanças). Paulo é irmão do empresário de jogadores Fernando Garcia, ex-conselheiro corintiano e amigo de Andrés.

Essas afinidades facilitam a aproximação, mas é preciso convencer o grupo de Garcia de que vale embarcar numa gestão que começa o mandato com forte rejeição, sem o apoio de 66,1% dos eleitores. Um atrativo é oferecer apoio na próxima eleição, promessa difícil de ser cumprida por conta do desejo de antigos aliados de Sanchez de sentarem na cadeira mais sedutora do Parque São Jorge.

Pelo histórico de divergências, uma composição com o terceiro colocado na eleição é menos provável. Porém, durante a campanha, Luis Paulo Rosenberg admitiu ao blog que tenta unir Sanchez e Citadini. Rosenberg deve assumir o marketing do “Timão”, como ele gosta de se referir ao Corinthians.

Na mesma entrevista ao blog, Rosenberg elogiou Felipe Ezabella, quarto colocado no pleito. Ex-integrande do grupo de Andrés, porém, ele criticou duramente as gestões do movimento Renovação e Transparência, o que, em tese, dificulta uma união.

Para ter uma vida mais tranquila na presidência, Andrés ainda terá de reconquistar o apoio de parte da torcida, que um dia já foi quase unanimemente a seu favor. A demonstração da repulsa de uma ala dos torcedores foi vista logo após a vitória do deputado federal. Fãs do time que conseguiram entrar no clube chegaram a jogar cerveja no vencedor, que precisou se refugiar num banheiro e sair escondido do Parque São Jorge.

Os que hostilizaram Andrés não usavam camisas de torcidas organizadas, mas entoavam músicas cantadas por elas. “Ladrão, devolve o futebol pro povão”, foi um dos cânticos. O refrão ofensivo dá a senha para Andrés amenizar a ira: uma política de controle de preço dos ingressos nos setores mais populares da arena.

Na oposição, a expectativa é de que a partir de segunda-feira Andrés comece a colocar em prática um pacote de ações em busca de maior governabilidade e popularidade. Uma das medidas, apostam os opositores, é a contratação de reforço impactante com a ajuda de um dos empresários com quem o novo presidente mantém boa relação. Reforços de peso fazem parte do currículo do dirigente, responsável por Ronaldo e Roberto Carlos vestirem a camisa corintiana. Também são historicamente eficientes calmantes para torcedores agitados.

 

Opinião: Andrés deve agradecer aos opositores por vencer

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Mesmo cambaleante por vários processos aos quais responde e pelo alto custo da arena idealizada por ele, entre outros fatores, Andrés Sanchez voltou à presidência do Corinthians neste sábado (3). O deputado federal deve a vitória principalmente a seus opositores, incapazes de se unir pelo interesse deles de barrar a continuidade do grupo Renovação e Transparência no poder.

O placar da eleição mostra como a realidade seria diferente se Sanchez não tivesse quatro adversários. Ele ganhou o pleito com 33,9% dos votos. A soma das porcentagens aproximadas obtidas por Paulo Garcia (22,9%) e Antonio Roque Citadini (22%) daria para derrotar Andrés ainda que alguns apoios se perdessem pelo caminho. Nessa conta podem entrar os 7,6% do eleitorado que ficou com Romeu Tuma Júnior, já que ele fez parte do mesmo grupo oposicionista de Citadini e Garcia por muito tempo.

Para vencer, a oposição tradicional nem precisaria dos votos conquistados por Felipe Ezabella (12,6%), dissidente da ala comandada por Sanchez.

O retorno do petista é o preço que os opositores pagaram por preferirem sonhar em sentar na cadeira de presidente a compartilhar uma gestão que acreditassem poder ser melhor para o clube do que a de Andrés. A política do “eu” perdeu para ele (o deputado).

Pelo esfacelamento do grupo oposicionista, a vitória de Andrés era esperada. Aliados dele já pregavam antes da eleição um tom conciliador com outros grupos para melhorar a governabilidade a partir da eleição. Só que da maneira como a oposição facilitou a ressureição de Sanchez no clube vai cheirar mal se um ou mais dos derrotados aceitarem de alguma forma participar da administração.

 

Cúpula corintiana se recusa a contestar liminar de Garcia e gera revolta

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A diretoria do Corinthians decidiu não tentar cassar as liminares obtidas na Justiça que recolocaram Paulo Garcia e Eduardo Caggiano Freitas na disputa da eleição do próximo sábado (3) e gerou nova polêmica na política alvinegra.

A decisão revoltou membros da comissão eleitoral, que recomendou as impugnações das duas candidaturas. Os pedidos tinham sido acatados pelo presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Strenger.

A indignação acontece principalmente porque Garcia, candidato à presidência, e Caggiano, postulante ao conselho, têm ligações com a atual gestão e receberam tratamento diferenciado em relação ao oposicionista Antonio Roque Citadini. O opositor, também concorrente ao posto máximo no clube, foi impugnado, obteve liminar para participar do pleito mas viu a direção tentar derrubar a decisão judicial e fracassar.

Garcia indicou membros para a diretoria e tem em como candidatos a vice-presidentes em sua chapa dois ex-integrantes dela: Flávio Adauto, ex-diretor de futebol, e Emerson Piovesan, ex-diretor financeiro. Caggiano é diretor administrativo e um dos organizadores da chapa do situacionista Andrés Sanchez, candidato a presidente.

Luiz Alberto Bussab, diretor jurídico corintiano, afirmou ao blog, em mensagem pelo celular, que a decisão de não tentar cassar as liminares favoráveis a Garcia e Caggiano foi tomada por presidência e vice-presidência do clube.

O blog apurou que membros da comissão eleitoral acreditam que tal postura foi adotada não só para proteger dois candidatos que têm ligação com a diretoria, mas também por supostamente a direção avaliar que Garcia tirará votos de Citadini, supostamente favorecendo Sanchez.

“Nada me surpreende porque todos estão me atacando desde o começo da campanha, o que mostra a força da nossa candidatura”, disse Citadini.

Miguel Marques e Silva, presidente da comissão eleitoral, afirmou que só soube da decisão da direção de não tentar cassar as liminares favoráveis a Garcia e Caggiano de maneira oficiosa. “Oficialmente, ninguém me falou nada. Mas não acho normal uma entidade que é acionada na Justiça não se defender”, afirmou ele.

Por meio da assessoria de imprensa do Corinthians, o blog questionou o presidente do clube, Roberto de Andrade, sobre ter decidido não tentar reverter o parecer da Justiça favorável aos dois candidatos, diferentemente do que fez em relação a Citadini. Porém, até as 23h46 desta terça, nenhuma resposta havia sido dada.

Já André Luiz Oliveira, primeiro vice-presidente do Corinthians, confirmou ter defendido que o clube não tente derrubar as duas liminares. “Não adianta tentar cassar porque não vai conseguir. As decisões estão bem fundamentadas, então é melhor deixar como está”, disse o dirigente.

Indagado porque então o clube agiu (sem sucesso) para anular a liminar que sustenta a candidatura de Citadini, o vice afirmou que os casos não podem ser comparados. “A Justiça deixou claro que a comissão eleitoral não podia fazer uma analogia com a legislação do país para impugnar as candidaturas de Paulo e Caggiano. Agora, o Citadini não pode assumir o clube se ganhar, então entenderam que precisavam questionar a Justiça”, declarou André.

Citadini teve sua impugnação pedida pela comissão eleitoral apoiada no entendimento de que ele não pode acumular os cargos de membro do Tribunal de Contas do Estado e de presidente alvinegro, se vencer o pleito. Em primeira instância, ele não obteve a liminar, conseguida após recurso. Prevaleceu a tese de que disputar a eleição não equivale a acumular cargos. A irregularidade só ocorreria em caso de vitória.

Já Garcia foi impugnado por conta da acusação de compra de votos por admitir que pagou para sócios inadimplentes regularizarem suas situações e poderem votar. O estatuto do clube é omisso em relação a tal procedimento, mas a comissão usou a legislação eleitoral brasileira para tomar sua decisão.

O desconto de 50% na taxa para os associados em atraso ficarem em dia foi considerado ilegal pela comissão e eles foram retirados da lista de votantes. Caggiano é apontado pela comissão como idealizador da promoção.