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Dia de Finados no Futebol

Leia o post original por Antero Greco

A folhinha tradicional assinala 2 de Novembro como Dia de Finados. Pelo menos em grande parte do Ocidente, essa é data para reverenciar a memória dos que partiram, mandar orações para as almas (paras os que creem) ou para relembrar bons momentos passados.

No meu calendário emocional, o Dia dos Mortos é 5 de julho. Começou numa noite de verão europeu, em 1982, e religiosamente me vem em mente, ano após ano. Naquela jornada fatídica, o Futebol belo, poético, encantador morreu – e o falecimento foi anunciado no placar do Estádio Sarriá, em Barcelona, que apontava 3 para a Itália, 2 para o Brasil.

Naquele campo, que também não existe mais, se decretava o fim de uma era, a da escola brasileira baseada na arte de jogar bola como ninguém. Sei que soa chavão, mas é assim mesmo: o implacável Paolo Rossi, com uma tripleta, enterrava uma ideia de encarar o esporte mais popular do mundo como expressão de alegria, criatividade, molecagem.

Para ser mais injusto ainda, a seleção de Telê Santana não era um amontoado de irresponsáveis, nem bando a jogar de qualquer forma, tampouco um catadão de fim de semana. Ao contrário, era uma orquestra formada por virtuoses, com mestres no manejo da pelota. Até Valdir Peres e Serginho, os menos badalados daquele grupo, eram bons pra caramba. Nos padrões do futebol de hoje, sobrariam em suas equipes.

No entanto, a queda para a Squadra Azzurra derrubou aquele conceito. Dali em diante, espalhou-se entre nós o conceito estúpido de “que não adianta jogar bonito e não vencer”. Depois daquele desastre, até ganhamos mais dois títulos, com bons times, mas sem o fascínio da turma de 1982…

E aquele tropeço parecia improvável de ocorrer. Depois de início vacilante contra a União Soviética (2 a 1, de virada), vieram 4 a 1 na Escócia e 4 a 0 na Nova Zelândia. Primeiro lugar na chave F e passagem para a próxima fase, com Argentina (então campeã mundial) e Itália (bicampeã). As duas rivais haviam pisado na bola e terminaram os grupos em segundo.

A Itália bateu os argentinos por 2 a 1. Em seguida, Falcão, Sócrates, Zico & Cia. lascaram 3 a 1 nos hermanos, com direito a show de bola e vermelho para Maradona. O Brasil ia para o duelo com os italianos precisando só de empate. Ninguém duvidava do sucesso, até Enzo Bearzot, treinador da Azzurra, a quem havia entrevistado dias antes daqueles jogos. “Vamos enfrentar os atuais campeões do mundo e os próximos campeões…”

Lembro que saí do hotel com uma camisa polo azul escura, parecida com a camisa da Itália, só para tirar onda de meus colegas de cobertura pelo “Estadão”. Ainda brinquei com um deles ao afirmar. “Já estou vestido para curtir a vitória dos meus patrícios”, em clara referência à origem dos meus pais. Eu que sou brasileiro do Bom Retiro, graças a Deus…

Assim que cheguei ao estádio, encontrei vários jornalistas italianos, com os quais fiz amizade durante a Copa, porque eu havia sido designado para cobrir a Itália. Um deles me chamou e disse: “Greco, o Brasil precisa ganhar. Pelo bem do futebol.” O sujeito era um visionário…

Eu e meus colegas brasileiros nos ajeitamos na tribuna de imprensa, tiramos fotos, curtimos a festa das torcidas e nos preparamos para grandes reportagens. A bola rolou e com 5 minutos Paolo Rossi fez 1 a 0. Justo ele que vinha de suspensão de dois anos e meio e não havia visto a cor da bola nos jogos anteriores. O doutor Sócrates empatou aos 12, para alívio geral.

Jogo equilibrado, os italianos bem distribuídos em campo, até que uma bola mal tocada por Cerezo sobra para Rossi fazer o segundo aos 25 minutos. Ficou tenso dali em diante, e assim foi até os 23 da etapa final, com o novo empate, desta vez com Falcão. Foi das raras ocasiões em que extravasei durante o trabalho: dei um murro na mesa, gritei e vibrei, junto com milhões de brasileiros. Era a vaga para a semifinal!

Mas Rossi acabou com tudo aos 29, com o terceiro gol. Dali em diante foi uma agonia: o Brasil avançava, a Itália se fechava, ia em contragolpe e ainda marcou o quarto, mal anulado pelo árbitro. A última esperança veio na cabeçada de Oscar já aos 46… Zoff caiu no canto esquerdo, pegou a bola com uma mão. Uma foto do fotógrafo Arnaldo Rizzutti, do Estadão, mostrava que ela estava meio dentro do gol. Por uns gomos, não era o empate.

Ficamos atônitos nas tribunas, assim como a torcida canarinha nas arquibancadas. Meu chefe na época, Luiz Carlos Ramos, olhou pra mim e disse: “Estamos tristes, mas amanhã o jornal sai.” Eu respondi. “Vai à merda, Luiz. Você tem toda razão!” Estávamos lá para contar a história, não para ficarmos tristes.

Fiz as entrevistas, escrevi os textos, com um aperto no coração. Depois de tudo terminado, saímos para jantar, eu, Nelson Cilo e outros colegas. Tomamos vinho, voltamos para o hotel, foi difícil dormir. Alta madrugada, me flagrei com lágrimas, pela seleção, pelo meu trabalho (eu havia ido para a Espanha um mês antes da Copa), pela saudade de meu filho mais velho (tinha apenas quatro meses e há dois eu não o via).

Mas sobretudo pela morte de um tipo de jogo brasileiro que provocava temor e inveja, fora parâmetro e desapareceu. Por isso, desde 1982 em todo 5 de julho dedico alguns minutos para relembrar aquele esquadrão, para agradecer Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho, Júnior, Zico, Cerezo, Falcão, Sócrates, Serginho, Éder e mestre Telê Santana por terem permitido que eu sonhasse.

Obrigado, hoje e sempre. Vocês têm lugar de destaque no coração de quem ama o futebol.

Amém.

E Allison continua com o uniforme limpinho…

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Lembram da apresentação do México diante da Alemanha? Marcação forte, velocidade, contragolpes mortais e vitória por 1 a 0? Resultado extraordinário, que surpreendeu o mundo. A simpática equipe do Norte da América cresceu, assustou e virou sombra para o Brasil nas oitavas de final do Mundial…

Pois bem, a rapaziada comandada por Juan Carlos Osorio, conhecido por aqui como “profe” (de professor), tentou repetir a dose, nesta segunda-feira. Procurou dar um calor na turma de Tite, na escaldante arena de Samara, e ficou só na boa intenção. Depois de 90 minutos e alguns quebrados, saiu com calombo de 2 a 0 e o bilhete de volta para casa. Não foi desta vez que chegou à quinta partida no torneio.

Por que o sonho mexicano foi travado? Porque assim quiseram os deuses do futebol e lugares-comuns do gênero?

Entrou pelo cano porque topou com um rival consistente, seguro, sereno. Mais forte, mais bem organizado e tecnicamente superior. O Brasil se mostra sólido. Pode ser econômico no ataque (sete gols em quatro partidas), porém compensa com uma fortaleza na retaguarda (um gol sofrido, na estreia, diante da Suíça e em lance irregular.)

Nos últimos dias se especulou muito a respeito de qual seria o comportamento mexicano para repetir a façanha da rodada inaugural. Atacaria ou ficaria à espera do Brasil? Buscou acelerar no início, com lançamentos e passes longos para Vela, Chicharito e Lozano, além de descidas de Herrera e Guardado. O objetivo era pegar distraído o sistema defensivo da “amarelinha”.

Fora certa euforia nas arquibancadas, não aconteceu nada de prático no gramado. Allison assistiu ao jogo no primeiro tempo – e mais ainda no segundo. Aliás, o goleiro brasileiro fez no máximo duas defesas difíceis até agora na competição. Provavelmente, chega no vestiário, tira o uniforme e o entrega para o roupeiro, que tem o trabalho só de dobrá-lo e guardá-lo para o próximo jogo. O material está limpinho.

O Brasil percebeu a tática rival, deu o troco  com coordenação perfeita, fechou espaços, segurou Fagner e Filipe Luís ao lado de Miranda e Thiago Silva, com Casemiro de guardião. Coutinho e William puxavam contragolpes, em busca de Gabriel Jesus e Neymar. Só Paulinho desta vez destoou, pois ficou entre marcar ou aparecer de surpresa na área; não se destacou em nenhuma das duas funções.

Isso fez do primeiro tempo uma etapa sem graça, mas já do jeito que Tite gosta – sem correr riscos. E, reconheça-se, a seleção não levou um susto sequer. O México não incomodou no ataque. Eis o desafio para adversários: como furar as linhas compactas da fortaleza nacional.

Para aumentar a segurança, aos 5 minutos explode o talento de Neymar. O Brasil resolveu acelerar, empurrou o México para o próprio campo e resolveu dar as cartas. Neymar arrancou pela esquerda, passou para William e entrou na área, à espera da devolução, que veio. A bola passou por Ochoa (outra vez com defesas importantes), por Gabriel Jesus, mas não por Neymar, que só empurrou para o gol.

O 1 a 0 desmontou os mexicanos. Na verdade, ali acabou o jogo para eles. O peso da camisa brasileira desabou sobre os moços e fez estrago. Não aconteceu nada mais de significativo para o lado verde e branco. Quer dizer, aconteceu sim: o segundo gol, que teve participação de Neymar e conclusão de Firmino já nos minutos finais.

Sei lá o que virá por aí – talvez Bélgica (que joga daqui a pouco). Não sou vidente – nem bidu ou adivinhão, como se dizia antigamente no Bom Retiro. Mas taí um quebra-cabeças para quem topar com o Brasil: como sujar o uniforme de Allison, como despentear o cabelo do goleiro, como fazê-lo buscar bola no fundo do gol.

Sem conta fechada

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Meus amigos palmeirenses e corintianos, não venho aqui para iludir nem secar ninguém. Quem sou eu para tirar alegria de quem quer que seja ou afundar a tristeza dos outros. Só digo uma coisa: não fechou ainda a conta nessa pendenga entre Corinthians e Palmeiras.

Evidente, óbvio, está na cara que a rapaziada palestrina deu passo enorme para o título, com o 1 a 0 deste sábado de Aleluia. Ainda mais por ter sido na casa do adversário. Placar que enche de moral para a volta, domingo que vem, no Allianz. Momento desejado há 19 anos, desde a última vez em que a taça do Estadual foi decidida no dérbi.

Mas engano mortal imaginar que o Corinthians já era. Besteira cair nessa lorota. E não se trata de lugar-comum. Nunca, mas nunca mesmo, se pode cravar como irreversível um deslize quando esses rivais estão na parada. Assim como, claro, não imutável a vantagem.

Não é média com lado nenhum; apenas bom senso, com base na história.

A primeira parte, porém, mostrou dois fatos, que merecem registro. Vamos lá. O Palmeiras esteve irretocável no começo, ao partir para cima e chegar ao gol, com Borja. Depois soube aguentar o tranco, sem muito sofrimento. Deu campo para o Corinthians e buscou o contra-ataque. Teve até chance de fazer o segundo e, aí sim, o estrago seria estupendo.

Roger agiu bem ao não inventar nada e se limitar à volta de Borja no lugar de Keno, Não mexeu na maneira de jogar que tem dado certo. Com a diferença de que o time foi vigilante do início ao fim. Jaílson apareceu pouco.

Outra constatação: o Corinthians tem esquema eficiente, mas se enroscou de novo ao trombar com um adversário que marca forte. Tinha sido assim contra o São Paulo, e Roger percebeu o calcanhar de Aquiles. E que falta faz um jogador como Jô!

Para complicar, Rodriguinho não brilhou, Sheik sumiu e Clayson tomou vermelho de bobeira. (Aliás, na confusão, os corintianos perderam mais, porque viram o ataque enfraquecer. Já o Palmeiras manteve a pegada, mesmo sem Felipe Melo, pois Moisés entrou bem.)

Tecnicamente não foi um dérbi maravilhoso. Teve emoção, é verdade. Mas esperava mais futebol. A fatura está aberta, tem espaço para emoção na semana que vem no Allianz.

Vida dura a do São Paulo…

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Amigo corintiano, parabéns, curta a classificação para mais uma final de campeonato. Veio nos pênaltis, depois da vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, na bacia das almas, já nos acréscimos. O que, no fim das contas, deu sabor especial à vaga para definir o Paulistão nos duelos com o tradicionalíssimo rival Palmeiras.

O Corinthians, enfim, mostrou de novo algo que se tornou rotina nas últimas décadas: é time de chegada. Entra para ser ator principal e não simples figurante. E chega com chance de levantar a taça da qual tem uma coleção enorme. Mesmo com problemas – mas esse é tema que falaremos em outra oportunidade.

Fechemos o espaço alvinegro e vamos para o tricolor.

E que tristeza… Só quem já foi eliminado em cima da hora, a poucos segundos de alcançar objetivo, sabe o quanto frustra, dói, machuca, aborrece situação como essa. Deixa p* da vida. Não tem como trazer palavras de consolo num momento assim apertado.

Vá lá, se serve para amenizar, registre-se que houve comportamento digno nos confrontos com o Corinthians. No primeiro tempo do domingo e em quase todo o jogo desta quarta-feira. O São Paulo não foi aquela equipe chocha, abatida de antemão que se via até recentemente. Ao contrário, acreditou em si e deu trabalho enorme para o adversário.

Esse o destaque da tropa comandada por Diego Aguirre.

Mas será suficiente para fazer com que, ainda em 2018, rompa o jejum de títulos? Só o empenho ajudará na Copa do Brasil, no Brasileiro, na Sul-Americana? A garra, decantada na superação contra o São Caetano nas quartas de final e na vitória de domingo, é quanto basta para recolocá-lo na trilha do sucesso?

Não creio. Infelizmente, parece pouco

O São Paulo versão atual tem limitações idênticas às de versões anteriores da última década. O elenco está aquém do que o torcedor deseja e do que a direção apregoa. É mediano que quase chega a uma final por meandros do regulamento. Mas, na técnica, hoje está abaixo de seus rivais locais – Palmeiras, Corinthians e Santos.

Isso ficou evidente no Estadual. O São Paulo soberano, altivo, recheado de craques e campeão de tudo, tem uma cara comum. Certo que lá estão alguns jogadores de renome, como Jucilei, Cueva, Nenê, Diego Souza, porém o todo não apresenta poder de intimidação. Não impõe respeito, por ser previsível.

Se não houver reviravolta, e eis aí o desafio de Aguirre, os são-paulinos viverão de episódios de brilho, de espasmos de qualidade. Como nos jogos com o Corinthians, em que foi bem nos dois primeiros tempos, para depois cair na realidade, retrancar-se e ficar à espera de que o relógio se tornasse o grande aliado.

Vida dura a do São Paulo, tempos complicados.

 

Aguirre, não vai ser fácil…

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Começo da madrugada de domingo, e fico aqui a imaginar se o Diego Aguirre já foi deitar. Penso que não. Embora o jogo com o São Caetano tenha terminado mais de seis horas atrás, o técnico do São Paulo talvez ainda esteja a remoer o que aconteceu no Anacleto Campanella.

E deve ter boa dose de adrenalina a circular pelo corpo dele. Não apenas pelo resultado – derrota por 1 a 0, logo na estreia no banco tricolor. Mas pela forma como ocorreu o deslize. Meus amigos, o Tricolor negou fogo, e feio. Jogou uma bolinha murcha, como reconheceram técnico recém-chegado, dirigentes e até um ou outro atleta.

Para preocupar.

Claro que não julgo aqui o trabalho de Aguirre. Seria coisa de maluco, burro ou mal-intencionado. Ou as três coisas juntas. Ele desembarcou no clube dia desses, só orientou um treino, escalou o time, viu a rapaziada entrar em campo para ver no que ia dar.

E o que deu não foi nada legal.

O São Paulo esteve travado diante de um São Caetano arrumado e que soube aproveitar, a rigor, a melhor chance que surgiu, numa vacilada de Jean que Chiquinho aproveitou. O Azulão ao menos fez isso. E a turma tricolor? Foi devagar, quase parando.

Aguirre apelou para o quinteto experiente que Dorival Júnior, num primeiro momento, também havia considerado como a saída ideal: Jucilei, Petros, Cueva, Nenê, Diego Souza. Não funcionou. O time não teve velocidade nem foi ofensivo. Jucilei foi substituído no segundo tempo, assim como Cueva, desaparecido em campo. Os outros foram figurantes.

Sobressaiu Valdivia, que corre por fora nesse grupo e talvez seja aquele que, aos poucos, ganha destaque. Mas insuficiente para evitar a derrota.

Claro que a diferença pode ser anulada na terça-feira. Não é esse o ponto. O xis da questão é que, mesmo com novo comando, persiste o problema maior no São Paulo: a falta de confiança, que se manifesta em desempenho “burocrático”, sem graça.

Resumo da ópera: a tarefa do Aguirre, de reerguer o time, será pra lá de complicada.

Gabigol quase estraga a noite do Santos

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Gabigol é bom jogador. Não deu certo a aventura na Europa, não aproveitou passagem pela Inter e pelo Benfica e voltou pra casa. Tem sido útil ao Santos, mas precisa amadurecer um bocado. Já andou levando amarelos por vacilos no Paulistão e na noite desta quinta-feira por pouco não complica a vida do time, no jogo com o Nacional, pela Taça Libertadores.

Os santistas estavam em vantagem por 1 a 0, enfrentavam adversário complicado no Pacaembu e Gabigol tentava contribuir para a vitória. Só que teve dois momentos de impertinência: o primeiro ao levar cartão amarelo por reclamação, nos minutos iniciais, em lance que não tinha nada a ver com ele. Depois, aos 44, dividiu forte, de maneira imprudente e desnecessária, no campo do rival. Tomou o segundo amarelo e o vermelho.

Saiu de campo a perguntar: “O que eu fiz? O que eu fiz?” Fez bobagem. E por pouco não enrosca a vida da equipe no segundo tempo. Desfalque certo para o próximo jogo.

A compensação esteve nos pés de outros dois companheiros dele: Sasha, autor do primeiro e do terceiro gols, e de Rodrygo, que fez o segundo. Esse foi um golaço: o rapaz, de 17 anos, arrancou do meio-campo feito Fórmula 1 e só parou quando viu a bola na rede dos uruguaios. Valeu o ingresso para os 20 mil torcedores que estiveram no Estádio (ainda) Municipal.

O Santos esteve perto de resultado melhor, se Artur Gomes tivesse marcado o pênalti que sofreu e cobrou. O rapaz, 19 anos e outra cria da base, acabara de entrar no lugar de Rodrygo e só não fez a farra porque a bola ficou nas mãos do goleiro Conde. Porém, mostrou personalidade ao ir para cima do zagueiro, no lance da falta na área, e foi participativo até o fim.

O resultado em casa compensa a derrapada na estreia e mostra que, aos poucos, Jair Ventura dá cara boa ao Santos. De novo, jovens de talento despontam, encorpam e fazem o torcedor esquecer que, entre o fim de 2017 e começo deste ano, foram embora Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Zeca.

É o Santos a se reconstruir.

Mas fica o alerta: Gabigol precisa botar na cabeça que não é o astro da companhia. Nem se achar que pode bancar o xerife. Assim vai quebrar a cara outras vezes.

 

Palmeiras coloca mais dúvidas no SP

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Palmeiras e São Paulo entraram em campo na noite desta quinta-feira cercados de interrogações. A principal delas: o que esperar de ambos na sequência da temporada, após oscilações iniciais? Qual dos dois é confiável? Ou melhor: algum é confiável?

Pois bem, após os 2 a 0 no Allianz Parque, as dúvidas aumentam para o lado tricolor. Como botar fé numa equipe que tem mais derrotas do que vitórias (5 a 4) na fase de grupos do Paulistão? Como acreditar que o sufoco de 2017 não venha a se repetir neste ano? Qual a capacidade do grupo de engrenar ainda no Estadual? Até onde vai a eficiência do técnico?

As questões procedem, e haveria outras a acrescentar, porque a tropa de Dorival Júnior esteve perto de amargar de forma mais pesada a sexta queda em seis apresentações no estádio palestrino. No primeiro tempo, sobretudo, os anfitriões jogaram muito mais, chegaram aos gols que definiram o placar e poderiam ter feito ao menos mais um.

Houve melhora na segunda parte, com a entrada de Nenê, Trellez e Shaylon nas vagas de Marcos Guilherme, Brenner e Hudson, ainda assim insuficiente para garantir quem sabe o empate. O momento mais emocionante ficou por uma bola na trave chutada por Trellez.

Mesmo com ritmo menos intenso, o Palmeiras não foi ameaçado, reclamou de um pênalti em Dudu e teve um lance de gol anulado (bem difícil para a arbitragem). Mandou no jogo, com a consciência de que não seria ameaçado pelo adversário.

Obteve a sétima vitória, retomou a liderança geral isolada e murchou a tensão provocada por dois empates e duas derrotas nas rodadas recentes da competição. De quebra, reencontra em Borja o artilheiro que não deu as caras no ano passado. O colombiano fez o sexto gol dele. (Antonio Carlos, de cabeça, havia aberto a contagem.)

O mérito palmeirense foi o desempenho seguro no primeiro tempo, desta vez com marcação eficiente e com movimentação intensa de William, Dudu e Lucas Lima. O técnico Roger Machado ainda pôde fazer novas observações, ao colocar Moisés (saiu Bruno Henrique) e Scarpa (saiu William) na parte final. Felipe Melo foi para o banco, mas por contusão.

As limitações são-paulinas são diversas, e passam de defesa, para o meio-campo e o ataque. Embora ainda possa soar precoce, é para o torcedor ficar com a pulga atrás da orelha. O perfil da equipe, por ora, não é dos mais entusiasmantes.

E, não há como fugir da dúvida derradeira: como ficará Dorival, que não consegue fazer o time vencer clássicos? E isso não é de agora…

Romero e polêmicas estéreis

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Amigos, se me permitem chamá-los assim, vamos falar um pouco do Romero? Sim, o moço que joga no Corinthians, paraguaio como Arce, Romerito, Gamarra, Balbuena. Nosso vizinho mandou muita gente boa fazer fama e (assim espero) fortuna por aqui.

No domingo, depois do jogo pegado que Santos e Corinthians fizeram no apagado Pacaembu, Romero saiu de cabeça quente, por discussão com David Braz, falou um monte e fechou o desabafo com um: ‘Time pequeno”, para falar da festa do adversário pelo 1 a 1.

Foi um deus nos acuda. A declaração parecia decretar o fim dos tempos e desencadeou chuva de celeuma e debates estéreis. Santistas ficaram possessos e não lhe faltaram críticas por parte da imprensa. Algumas, dizem, com exageros. (Escrevo dizem porque não vi – e isso pode ser falha minha.)

Bem, Romero foi deselegante ao fazer tal afirmação. Tanto que tentou limpar a barra, ao chamar repórteres para um desabafo na tarde desta terça-feira. Disse que não disse o que disse, ou que não era bem assim, etc e tal. Que, claro, que o Santos é grande, que não negaria Pelé, Robinho, Neymar e por aí vai.

Só que, na ânsia de justificar-se, alegou que manteve silêncio para ver o que diziam dele. E ficou estarrecido com postura de xenofobia da maioria da imprensa. Pede análise para o que faz em campo e não admite ofensas ao país dele. No que está correto: eu espumaria de raiva se falassem com preconceito a respeito do Brasil. Preconceito jamais.

Mas, para não tomar mais seu tempo, fecho a conversa com algumas observações e sugestões. Uma delas: se houve excesso nas críticas ao Romero, no que se refere a racismo, ele tem o direito e o dever de denunciar. Dar nomes aos bois. Ou melhor: de chamar os bois (ou antas) para se explicarem na Justiça. Só assim para combater xenofobia.

Outra coisa: nem é para tanto barulho o que ele falou. Quantas vezes, no calor de uma discussão, soltamos uma besteira quilométrica, na qual nem nós acreditamos? Ofendemos para provocar o oponente. Depois, com cabeça fria, percebemos a bobagem, voltamos atrás, procuramos o desafeto, pedimos desculpas e tratamos de reatar.

Creio tenha sido isso que aconteceu com Romero. Bastava, portanto, que viesse a público nesta terça-feira para dizer só um “Pessoal, falei aquilo de cabeça quente. Desculpe aí o mau jeito. E o maior carinho e respeito pelo Santos.”

Simples e direto. E bota no pau se alguém exagerou e se comportou como racista cretino.

 

Palmeiras sem direito a chorumelas

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Tinha um personagem na “Escolinha do Professor Raimundo” – aquela do Chico Anisio – que se chamava Pedro Pedreira. O intérprete era o falecido Francisco Milani. O sujeito era nervoso e enrolador. Diante de afirmações complicadas, ele pedia provas, documentos, depoimentos.

Enfim, queria certezas. E ainda arrematava com um bordão delicioso. “Não me venha com chorumelas!” Quer dizer, sem papo furado.

Pois, ao ver a derrota do Palmeiras para o São Caetano por 1 a 0, na noite desta segunda-feira, no Allianz Parque, me vieram em mente frase e comediante. Não tem desculpa para o tropeço. E, mais do que o resultado, para o futebol pobre apresentado para a plateia.

Não convence dizer que se tratava de mistão, já que os titulares descansam para o clássico de quinta-feira com o São Paulo. Não vale o papo de desentrosamento. Nem a conversa de que o adversário foi lá para jogar “por uma bola” e se defender.

Era obrigação do Palmeiras ganhar. E ele negou fogo. Como aliás, aconteceu nos empates com Linense (em casa) e Ponte Preta, além da derrota para o Corinthians. São quatro rodadas sem vencer. E, ressalto ainda, com futebol pouco convincente.

A turma que Roger Machado colocou em campo em grande parte já foi titular. Prass, Fabiano, Michel Bastos, Guerra, Keno, Tchê Tchê e por aí vai. Fora Scarpa, contratado como a jogada de mestre do mercado da bola em 2018.

Jogadores de elenco badalado, de novo apontado como candidato a papar títulos. Títulos, bom lembrar, que não vieram no ano passado.

O Palmeiras levou o gol aos 6 minutos (Chiquinho) do primeiro tempo, por desatenção total. Meio atordoado, ainda deu espaço para o São Caetano arriscar e quase toma outro. Demorou para acordar e para incomodar, um pouco, Helton Leite, goleiro que se machucou no segundo tempo.

Roger inovou com Guerra centralizado, com Scarpa e Keno pelos lados. Não deu certo, mesmo com o empenho do venezuelano. Mudou na etapa final, com a estreia do jovem Papagaio (no lugar de Guerra), depois colocou Willian na vaga de Tchê Tchê e Moisés substituiu Bruno Henrique. A equipe não se soltou.

Tudo bem que ainda é período de avaliações e testes. Ok que a classificação já está garantida. Isso não invalida a constatação de que, no torneio local, o Palmeiras deu uma baixada tremenda no nível de atuações.

Se Estadual não é parâmetro quando um time vai bem, o que pensar quando começa a ratear? No mínimo, coloca pulga atrás da orelha…

Fla, sem público e com pouco futebol

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O Flamengo esteve perto da vitórias em duas ocasiões, ao ficar na frente do marcador. Mas, em dois momentos de desatenção, permitiu reação do River Plate. Moral da história: empate por 2 a 2, no Nilton Santos, na noite desta quarta-feira, e dois pontos perdidos na Libertadores, logo de cara.

Não foi a estreia imaginada pelos rubro-negros. Começou pela ausência de público, terminou com falta também de futebol consistente. Ok, houve reclamação, justa, a respeito de lance que poderia resultar em pênalti no primeiro tempo: Zuculini subiu para cortar, com o braço estendido, e a bola pegou nele. O árbitro Michael Espinoza achou lance acidental.

Mas a jogada discutível não escondeu instabilidade do Fla diante de um rival em parafuso. Isso mesmo, o River vai mal das pernas na Argentina e acumulava sequência de sete derrotas como visitante. Consolou-se com o ponto conquistado no Rio.

E sem ser exuberante. Longe disso: no primeiro tempo, jogou fechadinho. No segundo, atreveu-se na hora em que ficou em desvantagem, o suficiente para evitar a derrota. De quebra finalizou mais do que os anfitriões: 12 chutes contra 10.

Paulo Cesar Carpegiani confiou na criação de Diego, Everton Ribeiro e Everton, além da presença de área de Henrique Dourado. Jonas (depois Rômulo) e Lucas Paquetá aguentaram mais a marcação e a proteção ao sistema defensivo.

Funcionou pouco. Mais precisamente no segundo tempo, quando Diego sofreu pênalti que Henrique converteu e no gol de Everton. Em contrapartida, expôs limitações ao permitir duas vezes a igualdade. Mais do que isso: desperdiçou uma lei de ouro da competição: o mandante precisa ganhar todas em casa para ter vida menos difícil para seguir adiante.

Agora, o Flamengo terá de recuperar esses dois pontos como visitante. Contra o próprio River, por exemplo. A conferir. Tem muita água pra rolar. Mas ficou uma ponta de decepção.