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Conversa

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Felipe Ximenes, o gerente executivo do Coritiba, esteve na terça-feira no estúdio da 98FM. Conversou com toda a equipe, tanto na entrevista ao vivo quanto depois, naquele papo mais descontraído. E é bom ter a oportunidade de conversar com esses profissionais, coisa cada vez mais rara no fechado futebol de hoje.

Ximenes têm suas idéias sobre o futebol e sobre a relação dos clubes com a imprensa. Nesse aspecto, ressalvadas possíveis discordâncias, ele tem razão em vários aspectos. Mas isso é tema para outra hora. Agora, vamos ao que a torcida alviverde quer saber – o elenco do Coxa.

O gerente não aceita a tese de que o clube perdeu “meio time”. Na visão de Ximenes, nenhum dos jogadores negociados era titular absoluto – incluindo aí Marcos Aurélio e já com a permanência de Jonas. O Coritiba, segundo o diretor, ficou mais jovem e mais rápido com as alterações no grupo, tanto que apesar de “estar sempre atento ao mercado”, o pensamento de agora é parar com as contratações, para quem sabe voltar ao mercado após o Paranaense (como no ano passado).

Ele bota muita fé em Lincoln. Não conversamos a esse ponto, mas ficou claro que a diretoria alviverde também percebeu que faltou um líder no time – um líder não só moral (como Pereira, Jéci, Tcheco e Edson Bastos), mas um líder técnico, aquele que aparece nas horas decisivas e assume a bronca. Para Ximenes, esse cara será Lincoln. Mesma opinião do Fabrício, nos comentários aqui do blog. “Creio que o “camisa” 10 do Coritiba tem nome: Lincoln”.

Felipe Ximenes pediu um voto de confiança. “Acho que todos viram que fizemos um trabalho correto em 2010 e 2011. Estamos fazendo um planejamento semelhante, e mesmo assim fomos cobrados”, desabafou. Diferente de outros dirigentes do clube, ele não faz projeções superiores às de 2011. “Ano passado foi um ano mágico”, resumiu o diretor.

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De toda a conversa que nós da 98FM tivemos com o gerente executivo do Coritiba, uma frase me marcou. “No futebol não existe passado nem futuro, só existe o presente”. Daí partem o pedido de confiança, a cautela nas declarações, a luta incessante para que as apostas (inevitáveis quando se trata de contratações, seja o jogador que for) deem certo. Ximenes, profissional experiente, tem consciência de que o clube está no bom caminho, mas sabe que tudo depende do que acontecer dentro de campo. Por isso, a avaliação começa na hora em que o Coxa pisar no gramado do 14 de Dezembro, pra abrir o Paranaense contra o Toledo.

Reclusão

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O Atlético voltou a trabalhar há uma semana. Até agora, não houve nenhum contato com os jogadores que estão treinando no CT do Caju. Pelo contrário, até agora a posição oficial do clube é que não há previsão para que os atletas falem com os jornalistas. Entrevista, até agora, só a do técnico Juan Carrasco e do diretor Dagoberto dos Santos, no dia 4.

O que isso significa? Que, inevitavelmente, fica faltando informação pro torcedor atleticano. Tanto que jornais, rádios e TVs estão, nos últimos dias, focados na questão do estádio que o clube vai utilizar no Paranaense – tema que ganhou proporções maiores pelo fato de ser o único que pode ser acompanhando com mais atenção, mesmo que ninguém do Atlético fale sobre o assunto.

Será essa uma “nova-velha” política do clube? Não sei ainda. Ainda confio no que disseram assessores de comunicação do então candidato, hoje presidente Mario Celso Petraglia – de que a relação seria normal durante a gestão. Da mesma forma que o então candidato, hoje presidente do Conselho, Antônio Carlos Bettega, afirmou no estúdio da rádio 98FM que não haveria atritos no convívio.

Não que um clube seja obrigado a escancarar suas portas para os jornalistas. Pelo contrário – precisa se resguardar, tem todo o direito a isso. Mas fechar todos os canais de comunicação também não é a solução, pois acaba abrindo espaço para a especulação.

Que a reclusão do CT do Caju sirva para Juan Carrasco conhecer bem os jogadores que lá estão e decidir com correção quem será útil para o Atlético nesta temporada. E aí, quem sabe, logo o torcedor poderá ouvir o que os atletas têm a dizer.

Como planejar?

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É muito bom ter o contato com os amigos que comentam aqui no blog. É uma discussão sempre útil, e que ajuda na compreensão de cada assunto. Afinal, não é a minha opinião a certa – pode até ser, mas este não é um espaço de culto à personalidade, e sim de troca de idéias. Daí a participação do Claudinei no post anterior. Ele, tricolor, faz uma observação importante: “Pergunto: como manter um time até abril sem receita? Como contratar jogadores, que não sejam fracos como os do ano passado gastando, no mínimo, R$ 2,5 milhões sem dinheiro? O argumento de ter um time fraco para a Copa do Brasil é real, mas são dois jogos (se houver volta) em Março e outros dois em Abril (se passar da 1ª fase)”.

O questionamento do Claudinei é pertinente. Vai ao encontro do que o Alex Brasil, novo gerente de futebol do Paraná Clube, disse à Tribuna e também o que os “comandantes” Rubens Bohlen e Celso Bittencourt afirmaram na matéria do Gabriel Hamilko. Inevitavelmente, o Tricolor vai ter que economizar agora – e a Copa do Brasil, no meio do caminho entre esse vazio de jogos e a Série B, vai ficar prejudicada.

É o melhor caminho? Certamente que não. Há outro caminho? Neste momento, não. E está aí o grande desafio do planejamento tricolor – saber a hora certa de fazer os investimentos, fazendo da forma a correr o menor risco possível. Mais que qualquer outro clube, o Paraná não pode errar, o que é uma contradição, pois é quem tem menos dinheiro pra investir e menos calendário a disputar. Dentro dessas contradições e encruzilhadas vai ser traçado o plano do 2012 paranista.

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É bom lembrar, sempre, que qualquer possível acerto pra antecipação da segunda divisão do Paranaense não poderá ferir o Estatuto do Torcedor – “É direito do torcedor que o regulamento, as tabelas da competição e o nome do Ouvidor da Competição sejam divulgados até 60 (sessenta) dias antes de seu início”. E como regulamento e tabela só saem depois de aprovação em Conselho Arbitral, não é um fato automático, não basta a FPF aceitar antecipar que começa sessenta dias depois, tem toda a parte burocrática.

Mesmo assim, é possível compor. É possível iniciar a competição em abril, teríamos treze datas antes do início da Série B. E também não obrigaria os times menores a correr para formar elenco. Seria uma forma aceitável de antecipação. Mas, para isso, é preciso que a FPF pare com a birra que demonstra com o caso – que inclusive chega às raias da desinformação, como demonstrou o dirigente Amílton Stival, dizendo que a exigência de 66 horas entre um jogo e outro é apenas para os atletas. Como nosso Leonardo Mendes Júnior lembrou no seu brilhante post pro Bola no Corpo, era só ler o Regulamento Geral das Competições – redigido pela FPF, disponível no site da FPF – pra ver que não é bem assim.

A volta

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Bem, recomeçamos a caminhada. Com tristezas, mas tocando em frente. Hoje acabam as férias, então vou retomar os textos aqui no blog, da mesma forma que se reinicia o trabalho na 98FM e na ÓTV.

Peço que entendam – por motivos já conhecidos, não pude me inteirar sobre os nossos times como necessário. Fiz uma “imersão” nos últimos dias, mas acho que coisas faltarão, mas até o final da semana acho que consigo estar por dentro de tudo.

Não que tenha acontecido muita coisa. A rigor, a maior movimentação ficou para o final do ano passado, com a eleição no Atlético e as negociações do Coritiba. De quarta-feira passada, quando foi a reapresentação, até agora, p0ucos fatos novos – o mais recente é a saída iminente de Marcos Aurélio para o Internacional.

Já que ainda faltam subsídios (e se houver erros no texto, peço desculpas antecipadamente), vamos num texto só sobre os nossos três times. Na ordem cronológica, como sempre.

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Mario Celso Petraglia venceu a eleição do Atlético, apontou quem vai cuidar do futebol (Dagoberto dos Santos, Sandro Orlandelli) e saiu de cena. Vai cuidar da obra da Arena para a Copa do Mundo, como prometeu. Não conheço os novos dirigentes, e portanto não posso avaliá-los. Mas imagino que haja um controle interno do trabalho deles, pois eles também não conhecem a grandeza do Atlético. Não houve contratações até o momento em que escrevo, e o tempo tá passando.

Sobre Juan Carrasco, que ele seja menos folclórico e mais ofensivo nesse trabalho no Furacão. Seus métodos podem não ser bem compreendidos pelos jogadores brasileiros, e por isso tanto os atletas quanto o treinador precisam ceder em um primeiro momento. Até porque os projetos pessoais, por ora, precisam ficar em segundo plano, pois o objetivo é a volta imediata à primeira divisão.

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Fiquei surpreso com as saídas de titulares do Coritiba. Claro que Marcos Aurélio vinha instável, que Leandro Donizete sofreu com lesões o ano passado inteiro, que Jéci só cresceu na reta final da temporada e Bill… Bem, era o Bill. Mas Jonas e Léo Gago foram dois dos destaques do time no ano, e no todo são seis jogadores. A direção coxa aproveitou o momento para fazer bons negócios.

As reposições são interessantes, principalmente Jackson, Lincoln e Júnior Urso – sem contar Marcel, que já tá aí desde o ano passado. A base segue forte, com Vanderlei, Emerson, Lucas Mendes e Rafinha. Mas ainda falta aquele “cara”. O Coritiba precisa ter um centralizador, alguém que pegue a camisa 10 (ou qualquer outro número) e diga “deixa comigo”. A saída de Marcos Aurélio abre exatamente esse caminho.

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Se a Federação não quer se emendar, o Paraná Clube tem que dar de ombros e começar a planejar o seu 2012. Ficou evidente que a FPF não quis achar um termo comum para a realização da segunda divisão do Paranaense – não em janeiro, mas também não em maio -, e não sei se adianta ficar batendo ainda nessa tecla. Caberá ao Tricolor fazer seu trabalho e lutar em duas frentes por quase sete meses.

E o negócio é organizar a casa nesse tempo em que é possível. Se não dá pra montar um grupo fechado agora, por não ter receita pra garantir pagamento de salário, que se façam acertos prévios visando a Série B – e se der pra trazer alguém agora, pensando na Copa do Brasil, tanto melhor. O Paraná não pode pensar em montar um grupo apenas em abril, esquecendo do mata-mata nacional. Tá na hora de ver aparecer o tal “planejamento estratégico”.

Saudade

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Sei que os três clubes tiveram mudança de diretoria, que estão negociando suas vidas com reforços, novas comissões técnicas, mudanças de estrutura, reformas e batalhas de bastidores. Que vem aí, em pouco mais de duas semanas, mais um campeonato estadual, com tudo que ele tem de ruim e de bom. E sei também que o Barcelona venceu o Santos e provocou uma reflexão em muita gente.

Mas desde o dia 15 do mês passado o futebol – e todo o resto – ficou secundário. Perdi meu pai.

Foi ele quem me ensinou a paixão pelo futebol. Há outros personagens importantes – meu irmão, meu tio, os amigos da infância -, mas foi meu pai, que tinha sido jogador nos anos 60 (no Ferroviário, e depois rodando o País por conta do serviço militar), e que parava sempre pra ver um joguinho na TV, que me acendeu a chama do esporte e que, diretamente, fez eu chegar onde cheguei.

Era ele que viajava toda semana a trabalho (com um Fusca da Eucatex pra vender madeira pelo Estado) e voltava com a Placar mais recente na bagagem. Ele sabia – era chegar em casa e a gente corria pra abrir a mala dele e encontrar a Placar por lá.

Não joguei muita bola com ele. Pode parecer estranho, mas havia um motivo: em 1985, ele teve um rompimento total dos ligamentos do joelho esquerdo – e naquele tempo não tinha esses procedimentos modernos. Ele perdeu parte dos movimentos da perna. Mas se não podia jogar, ele podia me levar nos estádios. E levava pra ver Atlético, Coritiba e Colorado jogarem. Uma vez, em viagem, fomos ver um jogo do Cascavel no estádio Olímpico Regional. Eu achava o máximo.

Mais velho, ele sempre falava com orgulho dos filhos – eu e meu irmão. Ouvi muito isso nos últimos dias, o que me dá alegria e ao mesmo tempo uma profunda tristeza. Alegria em ver que todo o esforços de meu pai e de minha mãe para dar o melhor estudo possível (e a melhor educação em casa também) teve algum efeito. E tristeza em saber que ele não está aqui pra eu poder agradecer de verdade essa ajuda de sempre.

Também não vou ter mais as ligações que vinham após os jogos do Trio de Ferro, querendo saber o resultado do jogo. E nem a companhia dos finais de semana – quando eu tinha folga. A viagem juntos, que era combinação antiga, também não vai acontecer.

Mas ele está aqui comigo, na saudade imensa que vou carregar daqui por diante, na alegria em ver minha mãe e meu irmão, na força de toda a família. Cada passo que eu der será pra tentar orgulhar ainda mais meu pai, pra servir de agradecimento por tudo que ele me deu.

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Só tenho esse espaço por ora, a rádio tá de férias, então tenho que aproveitar o blog pra agradecer a todas as manifestações de carinho que recebi nos últimos dias. Desde os momentos em que não estava aqui – recebi a notícia em plena viagem, e sequer pude retornar pra dizer adeus (porque é impossível viajar pra fora do País e voltar em menos de 24 horas. Eu e minha esposa, que me ajudou demais nesses últimos dias, levamos 30 horas, entre voos e esperas em aeroportos, e voos cancelados também). Às pessoas que foram dar suporte à minha mãe e ao meu irmão, o meu eterno agradecimento.

Fiquei sensibilizado com a rede de amigos que se prontificou. Meus companheiros de trabalho, na 98FM e na ÓTV, a turma antiga da Tribuna (sejam bem-vindos, inclusive), os grandes amigos de fora de Curitiba, pessoal do colégio, os amigos e colegas de trabalho da minha mãe e do meu irmão. O relato deles é comovente, pois conta como professores, jornalistas, radialistas, políticos, estudantes, médicos, advogados, empresários esqueceram de suas funções e simplesmente estavam lá para oferecer um ombro pra gente chorar.

Obrigado também aos amigos que não puderam estar lá, mas que mandaram e-mails e mensagens. As palavras também ajudam a confortar o que é por enquanto uma dor que não passa.

Obrigado também a quem mandou mensagens aqui no blog, no twitter e no facebook. Peço desculpas àqueles que esperaram para ter os comentários aceitos, pois ficou tudo enrolado. Toda ajuda está sendo muito bem-vinda.

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Se eu pudesse falar alguma coisa para o meu pai agora, usaria esses versos de Gonzaguinha.

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

(…)

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Brigado, pai.


Balanço

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Foi-se o 2011 esportivo. Não foi do jeito que esperávamos, tivemos momentos bonitos no decorrer do ano, mas terminamos com o gosto amargo dos objetivos que não foram alcançados dentro de campo. Também foi um ano de perdas, de tristeza, de decepções. Um tempo em que o radicalismo tentou imperar, em que a ignorância quis suplantar o respeito, em que a convivência harmônica se viu ameaçada.

Mas teve muita coisa boa. No que diz respeito ao nosso ofício, o jornalismo, tivemos jovens aparecendo e se destacando; projetos bem-sucedidos se somando à outros já bem estabilizados; o crescimento do meio rádio; a força sempre evidente da televisão; e ótimas iniciativas na imprensa escrita e na internet.

No final de 2011, tenho o orgulho de falar que faço parte de projetos que deram certo. A 98FM apostou no jornalismo esportivo pra somar a uma programação vencedora, e graças ao trabalho dos meus colegas o sucesso é amplo. Conseguimos fincar mais uma bandeira, abrimos mais uma porta não pra nós, mas pra toda a classe. A ÓTV atingiu objetivos, começou a ser conhecida, e principalmente cumpriu seu objetivo de levar Curitiba pros curitibanos. E esse GloboEsporte.com/PR virou exemplo pra outros estados, por levar informação, opinião e bom humor pra cobertura esportiva.

Passados doze meses, 87 transmissões (23 no Paranaense, 12 na Copa do Brasil, 52 no Brasileiro), algumas viagens, sei lá quantos programas na rádio, outros tantos na TV e 290 posts no blog (sem contar esse), não posso reclamar do ano. Tive a alegria de conviver com ótimas pessoas, mais ainda a chance de trabalhar com amigos de outros tempos.

2012 tem tudo para ser melhor. A tendência é que seja um ano de crescimento do mercado de comunicação, com novidades – algumas surpreendentes – por vir. Que seja mesmo, que os espaços se abram e que se possa fazer um grande trabalho em todos os veículos.

Pra mim? Espero apenas que eu possa continuar trabalhando, e que eu siga perto das pessoas que gosto – principalmente da minha família. Afinal, foi dentro de casa que aprendi o que é ser cidadão e quanto é importante trabalhar.

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Como deu pra perceber, o blog entra em recesso. Saio de férias agora, volto apenas em janeiro. Parte desse período passo longe de Curitiba e longe do computador. Se for possível, dou pelo menos uma atualizada antes do dia 31.
Quero agradecer a todo mundo por este ano aqui no GE.com/PR. Desde os colegas de redação até quem só leu. Aos que comentaram, um obrigado especial – àqueles que leram e interagiram e também àqueles que talvez não tenham compreendido o espírito deste espaço. Que todos tenham um espetacular final de ano e um 2012 pleno de realizações. Obrigado!!!!

Otimismo

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Vai chegando o final do ano, vão surgindo as expectativas para o ano que virá. E por mais que o panorama do futebol paranaense seja preocupante como um todo, é possível imaginar que teremos um bom 2012. Apesar de estarmos ainda no campo das especulações, é um período em que se pode medir a ousadia de cada clube, o interesse em crescer e atingir mais objetivos. O que é bastante interessante.

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Tive a oportunidade, por conta das entrevistas exclusivas da 98FM, de conversar com os dois candidatos à presidência do Atlético – Diogo Fadel Braz e Mário Celso Petraglia. Acima do “quem é melhor”, gostei de saber que ambos vão investir no futebol. Não dá pra esquecer que clube de futebol não precisa ter lucro, o que ele fatura tem que ser reinvestido, ou em patrimônio, ou no campo mesmo. Isso ficou em segundo plano na maior parte da atual gestão, que pensou em sanear o clube, mas esqueceu de se preocupar com o que realmente importa para o Atlético e para o torcedor – o sucesso nos campeonatos.
Isso faz acreditar que o 2012 do Atlético, apesar de sofrido e doído por conta da disputa da Série B do Brasileiro, poderá ser positivo. Não se pode cravar, mas pelo menos é possível ser otimista. Depende, claro, de sucesso nas contratações, de um trabalho profissional no departamento de futebol, de uma conduta serena do presidente eleito – e esta decisão é do sócio, que vai às urnas pra decidir o destino rubro-negro.

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Também graças ao trabalho da produção da 98FM foi possível conversar com o presidente eleito do Coritiba, Vílson Ribeiro de Andrade. Como o Coxa foi o clube que se saiu bem na temporada (poderia ser melhor, e o próprio Vílson admite isso), as correções de rota não são tão fortes. É o momento de buscar reforços que venham pra jogar – principalmente um cara pra assumir a responsa de ser o “craque” do time e mais atacantes. O elenco será mantido quase à totalidade, inclusive os jogadores mais veteranos. Para a diretoria, os líderes do grupo são fundamentais, pois controlam o ímpeto dos mais novos e evitam que indisciplinas ganhem corpo (não é à toa que Bill não vai ficar). Até se admite vender um jogador, mas por valores maiores do que os especulados nos últimos dias por Jonas e Willian, por exemplo.
O Coritiba abrirá 2012 como candidato ao título da Copa do Brasil e postulante a voos mais altos no Brasileiro e na Sul-Americana – e como favorito no Paranaense. Como já foi dito, a expectativa cresce e a exigência também. A diretoria sabe disso, e aceita essa responsabilidade.

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O Paraná Clube se obrigou a fazer o que a Federação Paranaense de Futebol não fez – tentar um acordo com todos os times da Divisão de Acesso para antecipar a competição. A FPF poderia fazer isso bem antes, a própria diretoria do Tricolor poderia ter pedido antes, mas agora vai ter que ser assim. Se a televisão se interessar (Joel Malucelli, dono da TV Bandeirantes no Estado, garantiu no estúdio da ÓTV que só transmite se houver viabilidade comercial, quer dizer, se algum anunciante se mostrar interessado e fechar negócio logo), antecipa-se a competição e facilita-se a vida de todo mundo. É bom lembrar que, por conta do Estatuto do Torcedor, não será possível antecipar para janeiro, a tendência é que se der certo a segunda divisão estadual se inicie depois do Carnaval.
Enquanto isso, espero, a diretoria tricolor está trabalhando pra montar uma estrutura pra 2012. É preciso conciliar os planos imediatos (volta à elite estadual, volta à elite nacional) com a estruturação do clube nos próximos anos. Que os dirigentes consigam cumprir essa tarefa complicada.

Pouco

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Cena 1: Sou usuário frequente de táxis – em parte por preguiça, em parte por necessidade. E costumo ser atendido pelos mesmos, por conta da clientela para uma empresa específica. Pois aconteceu de repetir no domingo e na segunda. Motorista torcedor do Atlético. No domingo ele estava bem: “Valeu vencer o clássico pra tirar ‘eles’ da Libertadores”. Na segunda nem tanto: “Tô com a cabeça quente com esse rebaixamento”.

Cena 2: Recebo, vez por outra, mensagens via redes sociais. A maioria eu leio, agradeço. E tento responder o que for possível. No domingo, os recados dos torcedores do Coritiba eram mais comemorações do rebaixamento do rival. Na segunda, muita cobrança em cima do técnico Marcelo Oliveira por conta da não classificação para a Libertadores.

Se você ficar rondando as redes sociais, ainda vai encontrar a provocação, tão natural quando se trata de futebol. É assim, sempre será assim e precisa ser assim – a brincadeira, sempre saudável, é que faz o esporte ser tão divertido. Se as pessoas convivem bem com as provocações, ótimo. Mas e a partir de agora, o que fica?

Encerramos a temporada com um saldo fraco. O Coritiba, que foi o time que mais se destacou, conquistou números importantes, bateu recordes, chegou em decisões, lutou por Libertadores, mas acabou com o Paranaense para colocar na sala de troféus. O Atlético teve um ano de erros em sequência, falhou em todas as competições e terminou o ano rebaixado para a Série B. E o Paraná Clube envergonhou o torcedor com o rebaixamento no Estadual e fechou a temporada lutando pra não cair pra Série C. É pouco.

Não acho, de forma alguma, que os torcedores precisam ter uma visão total do futebol paranaense – e mais específico do Trio de Ferro. A torcida tem que seguir apoiando seu time, secando os rivais. Mas pra quem analisa, e pra quem comanda, o 2011 vai terminando com um gosto amargo.

Olhemos por exemplo para o início da temporada 2012 – é logo ali, o Paranaense inicia dia 21. O Coritiba e o Atlético terão que motivar novamente seus torcedores, e terão que mostrar logo de saída que estão prontos para atingir seus objetivos principais (o Coxa de buscar o título da Copa do Brasil, o Furacão de voltar à primeira divisão). Enquanto isso, o Paraná ainda deverá estar parado, pois a mais otimista das expectativas aponta para a largada da segunda divisão estadual em março (dependendo de acordo entre os clubes participantes e a FPF).

Haverá uma redução natural do interesse por futebol, que deverá crescer apenas depois do carnaval – imediatamente depois do carnaval, inclusive, pois tem Atletiba na Quarta-feira de Cinzas. Isto não é bom pra ninguém – clubes, atletas, torcedores, dirigentes, jornalistas. Perdemos espaço nacional com apenas um time na primeira divisão, e com a marca de um rebaixamento a cada dois anos desde 2005 (Coritiba em 2005, Paraná em 2007, Coritiba em 2009, Atlético em 2011). Como disse o Pedro Henrique nos comentários, “o mais vantajoso para o Estado seria que os três estivessem na elite”.

Some-se a esse momento a fragilidade da nossa federação. Sem autoridade, sem credibilidade, colocando interesses pessoais no mesmo patamar (ou acima) das necessidades dos clubes. A volta do Londrina, tão comemorada, precisa representar uma possibilidade de recuperação do futebol do interior – com fórmulas que independam da FPF.

Um 2012 positivo para o futebol paranaense necessita de ações individuais dos nossos três principais clubes (pois o êxito do Trio de Ferro movimenta o Estado – é bom lembrar que quando tínhamos três times na Série A, equipes do interior se destacavam na Copa do Brasil, e não era coincidência) e uma ação conjunta, uma espécie de pacto pelo crescimento do esporte por aqui, envolvendo clubes, FPF, atletas, treinadores, iniciativa privada e imprensa.

Uma fase ruim do futebol estadual não ajuda ninguém – nem mesmo aqueles que fazem do “quanto pior, melhor” a sua forma de pensar.

Não deu 2

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“Não estava nos nossos planos ir para a Libertadores em 2012. Foi algo que aconteceu”. A frase é do diretor de futebol Ernesto Pedroso, logo após a derrota do Coritiba no clássico. É uma declaração marcante, principalmente por ter vindo instantes depois de o time perder uma vaga que estava muito perto – e que fez com que o torcedor tivesse a comemorar apenas o rebaixamento do Atlético.

Um fator surge, inevitável. Na hora da decisão, o Coritiba não rendeu. Nem na primeira da final da Copa do Brasil, no Rio, nem na decisão da vaga da Libertadores, na Arena. Acabou falhando tanto na luta do título quanto na busca pela quinta colocação. E deixa o gosto do “quase” em uma temporada que teve tudo para ser perfeita – e que, é bom lembrar, teve muito mais acertos do que erros.

Para 2012, com o projeto original mantido, aumenta a responsabilidade. O Coritiba entra na Copa do Brasil como candidato ao título, no Paranaense idem, e ainda com a chance de fazer grandes campanhas na Sul-Americana e no Brasileiro. O bom trabalho deste ano precisará ser melhor, porque a exigência será outra.

Não deu 1

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A torcida do Atlético festejou a vitória no clássico, uma espécie de alento no duro golpe do rebaixamento. A queda não aconteceu no jogo da Arena, mas sim na sequência de falhas que o clube cometeu durante todo o ano. Foram erros na organização, nas contratações, na gestão do futebol, dentro de campo. Erros que cobraram seu preço na classificação final do Campeonato Brasileiro.

Ao sair do gramado da Baixada, após o 1×0 sobre o Coritiba, Paulo Baier admitiu a responsabilidade geral, mas lembrou da troca de técnicos, dos “jogadores irresponsáveis” (é bom falar depois quem seriam), da falta de pontos na primeira parte da competição. Há tudo isso, mas também há a instabilidade no comando.

Comando que deixou que o principal setor do time fosse dilacerado no início do ano – perdeu Neto, Rhodolfo e Chico -, enquanto o mais frágil não recebia reforços. E quando recebeu, foram frustrantes, caso claro de Santiago García, que custou muito dinheiro e não colaborou.

Comando que fez tanta confusão no planejamento que fez o time ser treinado por seis profissionais e preparado fisicamente por outros cinco. Que não dava estabilidade nem mesmo aos diretores, e que permitiu que as rusgas políticas interferissem no futebol.

Aí está o ponto que precisa ser corrigido – ganhe quem ganhar a eleição do dia 18, o futebol precisa ser melhor gerido. Há que se ter quem conheça comandando a bola, se possível um grande atleticano liderando e um profissional remunerado na direção. Ao Atlético cabe a obrigação de, já que caiu, voltar logo.

Isto para que a triste marca de um rebaixamento seja rapidamente esquecida.